📓 NARRADO POR TOURO Eu mantive o motor no giro mais baixo, quase um sussurro rouco. O ronco da moto não podia ser alto. Não gostava de chamar atenção quando estava saindo do território, especialmente não por aquela via. A discrição era mais que tática; era respeito pelo segredo. A moto desceu macia, devagar, como bicho sabendo onde pisa. Cada centímetro do pneu conhecia a inclinação da viela. Não segui pela via principal. Nunca. A Barreira de Cimento estaria lá, com a lanterna fraca dos vapores do Miguel. Se alguém visse a gente ali, mesmo não reconhecendo ela, reconheceria a intenção e intenção no morro pesa mais que arma. Eu virei bruscamente, pegando a rua do ferro-velho abandonado. Aquela curva quebrada que muita gente acha que termina em muro. O concreto ali estava quebrado, mas

