đ NARRADO POR MIGUEL SANTANA O portĂŁo da base rangeu quando passei. O sol queimava o concreto do pĂĄtio, e o vento quente trazia o cheiro de graxa, pĂłlvora e cafĂ© velho. Dois anos sem pausa. Dois anos sem o luxo de respirar sem rĂĄdio chiando no ouvido. E agora, com o papel de licença na mĂŁo, eu nem sabia direito o que fazer com tanto silĂȘncio. Entrei no alojamento e joguei a mochila em cima da cama. O quarto era o mesmo: cimento cru, beliche riscada, ventilador fazendo mais barulho do que vento. Mas aquele dia tinha outro peso. NĂŁo era sĂł folga era o retorno. Abri o armĂĄrio e comecei a dobrar as roupas com calma. Calça jeans, camisa preta, relĂłgio que o velho me deu antes da seleção do BOPE. O som do tecido raspando o metal da cama era o Ășnico barulho ali dentro. Cada dobra par

