📓 NARRADO POR FARIAS Já era quase dez da noite. O batalhão tava silencioso demais, daqueles silêncios que fazem até o ar parecer que pisa leve. Eu devia estar em casa. Devia estar com a Renata. Devia estar com a minha menina ardendo em febre no colo. Mas eu tava ali. Com um relatório na mão. E um nó de ferro no meio do estômago. A luz da sala da coronel ainda tava acesa. Claro que tava. Aquela mulher parece que só descansa quando o mundo acaba. Respirei fundo. Bati na porta. — “Entra.” A voz dela cortou o ar como faca baixa, sem pressa, mas com intenção. Empurrei a porta e entrei. A coronel tava sentada, a luz da mesa iluminando só metade do rosto dela a metade que parecia humana. A outra? Sombra pura. Ela nem levantou o olhar de cima dos papéis. — “Farias.” A forma

