CAPÍTULO 09 - QUE COMECEM OS JOGOS

2620 Words
BRUCE CARTER — Tá me dizendo que a sua esposa está por trás disso? — Andrew arregala os olhos — Cara, isso é… — Loucura? — o encaro — Eu sei. — Bruce, eu sempre achei que uma coisa muito louca cercava você e esse caso, mas aí que sua esposa esteja viva e tenha tentado m***r a Kayla, já é demais. — Você perguntou o que está acontecendo, eu disse. — digo sério — É uma loucura, parece impossível, mas essa é a minha realidade. Aceite-a ou enlouqueça com ela. — Isso é loucura, irmão. — insiste Um silêncio se faz e eu deixo que Andrew absorva as informações. Parece que sua mente está um caos pronto para explodir. — E o que você tem em mente? — ele me olha — Eu não sei. — me jogo no sofá do meu apartamento — Encontrá-la antes de seu próximo passo. — Se ela está mesmo fazendo tudo isso, ela não pode estar sozinha. — se senta ao meu lado — Ela tem que deixar algum rastro. — Igual ao que ela deixou há um ano e meio? — o encaro — Ela não deixa pontas soltas. É meticulosa, perfeccionista e louca de pedra. — Bruce, isso é muito grave. — coça o queixo — Precisamos compartilhar com Jones. — Não, vou deixar a Jones seguir sua própria linha de raciocínio sozinha. — digo — O que ela descobrir, se ela descobrir, unirá nossas investigações. — E você tem ideia de por onde começar a procurar pela senhora Carter? — Vou dar uma olhada em quem chegou na cidade, nos últimos meses. — me levanto — E torcer pra isso me dar alguma coisa. — Conta comigo. — ele se levanta me olhando — Só, por favor, vamos deixar minha esposa fora disso. — De acordo. — concordo Em nossos respectivos carros, fazemos o caminho até a delegacia de forma rápida. Andrew deixava seu carro a uma certa distância segura do meu, para o caso de alguém me seguir novamente. Ele queria estar longe o suficiente para abrir uma brecha para algum espertinho, mas estando perto o suficiente para fazer alguma coisa, caso precisasse interferir. Felizmente — ou infelizmente — ninguém entrou no meu caminho e nós largamos nossos carros particulares na garagem da delegacia, logo tomando caminho para nossas mesas. — A dupla dinâmica apareceu. — Rebecca Stone sorri e se aproxima — Como estão as coisas, Bruce? — apóia a mão gentilmente no meu ombro — Estranhas, mas Kayla está bem. — respondo me sentando em minha cadeira e dando login no meu computador — Eu ia vê-la essa manhã, agora que ela acordou, mas precisei realizar uns exames numa vítima de furto. — comenta — Ela é cadeirante, estava assustada quando chegou na delegacia. — Que bom que não era a Kayla. — deixo escapar Rebecca e Andrew trocam olhares, enquanto eu permaneço concentrado no computador. Entro no departamento de trânsito e manualmente dou uma olhada nos arquivos públicos deles. Eu vou precisar de um pedido especial para checar cada carro que passou pelo pedágio da cidade. Faço uma descrição rápida do rosto de Elizabeth e algumas características que ela não poderia mudar como traços do nariz, altura, sinais visíveis de sua pele. Puxo o documento necessário e o coloco em uma pasta sem título, indo até a sala do comissário Sullivan para conseguir sua assinatura. Esse é o único jeito de conseguir checar o pedágio. Misturando papéis do meu último caso com esse documento, entro em sua sala e o vejo concentrado na papelada de uma investigação antiga que ele precisou reabrir e que está causando um rebuliço no departamento. Me aproveito disso, é claro. — Bruce, pensei que tinha te dado uma licença. — ele resmunga com os olhos ainda presos na papelada — Eu estava checando algumas coisas e percebi que faltam algumas assinaturas na papelada do meu último caso. — isso não era uma total mentira — Sim, sim. — confirma ainda sem me olhar, mas depois suspira e me olha — Como você está? — Cansado, mas preciso ocupar a cabeça com alguma coisa. — admito — Estou quase enlouquecendo. — Magdalene é uma excelente detetive. — garante — Uma das melhores. Se tem alguém que queira causar algum m*l à sua mulher, ela vai pegá-lo. — Assim espero. — murmuro — Traga aqui! — faz um gesto afobado com as mãos — Traga e eu assino agora. Esse caso arquivado está destruindo meus cabelos brancos. Me aproximo e mostro apenas os lugares onde ele tem que assinar, fazendo-o assinar os papéis do caso e a licença para xeretar no departamento de trânsito. Assim que ele termina, volta sua atenção para a papelada espalhada em sua mesa e diz que eu tenho todo o tempo do mundo, mas que se queria me distrair, ficaria na mesa e não assumiria caso nenhum. — Engambelou o cara? — Stone me olha quando volto pra minha mesa — O que você acha? — devolvo os papéis do caso para o meu arquivo e coloco minha pistola e meu distintivo na cintura — Vou com você. — ele se levanta vestindo seu blazer — Não quero te envolver mais, Andrew. — Não me interessa, eu vou com você. — insiste Reviro os olhos, mas agradeço por isso. Da última vez, eu precisei fazer tudo sozinho. *** Devagar, tirei Kayla do carro e a ajudei a ficar de pé. Com a chegada de sua alta, a intenção era levá-la para a Reserva, onde ela não precisaria subir escadas e seria muito bem cuidada pela mãe, dona Elena e ficaria perto do filho. Porém, sua alta está sendo vigiada pelos médicos, então decidimos ficar perto do hospital, para as consultas de retorno, até que ela possa tirar os pontos. Sem contar que eu fico mais aliviado de saber que ela está na cidade, sob meus olhos e com muitas testemunhas em volta. Passamos pelos portões da casa da minha irmã e caminhamos juntos, devagar, até dentro da casa. Kayla não teria que se preocupar com escadas, como aconteceria se fosse para o meu apartamento ou para o dela. Martha e Susan logo se prontificaram a recebê-la e cuidar dela, assim como de sua mãe. — Quer mais uma almofada? — pergunto ao sentá-la no sofá — Não, estou bem. — responde — Minha mãe foi buscar o Jakob na Reserva? — Sim. — confirmo — E eu dei à Susan a minha cópia da sua chave, para que ela fosse ao seu apartamento, buscar algumas roupas e coisas essenciais pra você. — Certo. — acena — Eu nem sei o que fazer pra agradecer esse cuidado todo. — Não tem que agradecer, Kayla. — minha irmã se aproxima e lhe entrega um copo de suco — Você é da família e nós protegemos a família. Custe o que custar. No meu bolso, meu celular vibra com uma mensagem de Andrew, pedindo para que eu apareça na cafeteria que costumamos lanchar. Parece que ele tem uma pista. — Eu preciso dar uma olhada em uma coisa com Andrew. — digo colocando o celular de volta no bolso — Vocês ficam bem sem mim? — Pode ir tranquilo, irmão. — Martha sorri para mim — É, eu estou bem. — Kayla garante — Vai tranquilo. — Eu volto a tempo, pra te apoiar com a Magdalene Jones, ok? — a olho — Ela deve vir de tarde. — Tudo bem, eu espero. — sorri — Não é como se eu tivesse outro lugar pra ir. Me inclino sobre ela e a beijo, sentindo parte da agonia em meu peito passar. Não quero me ausentar por muito tempo, então logo saio. Quanto mais cedo eu descobrir o que Andrew tem, mais cedo eu posso voltar. — O que você descobriu? — pergunto ao me sentar ao seu lado, no balcão da cafeteria — Sobre o departamento de trânsito, nada que bata com a descrição que você deu. — ele me passa um copo de café — Mas eu andei rondando o Olympus e, não me pergunte como, consegui acesso às imagens das câmeras de segurança que rondam o estabelecimento. — Hackeou o sistema de segurança da Khloé? — franzo o cenho — Eu não disse que foi o dela, disse que foi o dos arredores. — corrige e puxa o celular do bolso interno do paletó — Uma coisa chamou minha atenção. — ele dá play no vídeo — Ela sai antes do meio-dia de mãos livres e de carro. Depois de três horas ela retorna, um saco pardo em uma mão e, na outra… A caixinha de veludo que continha o cartão de memória que foi enviado à Kayla. O conteúdo dele foi editado e fez com que Kayla achasse que eu era um foragido da justiça, principal suspeito do assassinato da minha esposa. — Filha da mãe. — rosno — Precisamos descobrir onde ela foi nesse dia. — Já tô procurando por isso. — diz — Reconhecimento facial. — guarda o celular no bolso — Isso quer dizer que ela mentiu. — penso — Não foi deixado na caixa postal da boate, alguém entregou à ela, com uma boa quantia em dinheiro para que ela entregasse. Se descobrirmos quem entregou, saberemos onde Elizabeth está. — o olho — Ainda acha que é ela? — ele me olha — Duvida de mim? — franzo o cenho — Não, eu vou te ajudar seguindo a linha que você seguir. — garante — Eu só quero ter certeza de que não estamos deixando nada passar despercebido. Que estamos considerando todos os suspeitos. — Elizabeth é a única com motivo e culhões pra fazer algo assim. É ela! — Ok. — faz um gesto positivo com a cabeça — Vai cuidar da sua mulher. Eu te mantenho informado. O nome de Martha brilha na tela do meu celular e eu franzo o cenho com sua mensagem de texto. VENHA PARA CÁ AGORA! — Aconteceu alguma coisa. — resmungo — Corre! KAYLA WILLIAMS Era estranho ver Bruce saindo. Eu sabia que ele estava aprontando alguma coisa, sabia que tinha alguma coisa roubando o seu sono e que ele não deixaria Magdalene Jones resolver esse caso sozinha. Estaria ele certo sobre tudo? Elizabeth estando viva, é capaz de qualquer coisa. E se ela fizer algum m*l a ele? Eu tenho tanto medo de perdê-lo. — Por que você não contou pra ele? — Martha me olha quando Bruce sai e nos deixa sozinhas — Contar o que? — franzo o cenho — Kayla, eu ouvi sua conversa com o médico. *** — Senhorita Williams, eu preciso conversar com você, antes de acalmar sua família. — o médico me encara — Foi difícil desconversar, estão todos desesperados. — Eu ainda estou em perigo? — franzo o cenho — Não, não há nada de errado com sua cabeça, apesar dos traumas. — explica — E a cirurgia foi um sucesso. — Ótimo. — digo — Mas não entendo. — É que… — ele suspira — Você não sabe, né? — O que? — Você está grávida. — Grávida? — arregalo os olhos — Sim. — sorri — E, apesar de tudo, o feto está muito bem. Seu corpo é forte. Parabéns, Kayla. *** — d***a. — murmuro — Eu fico muito feliz por vocês. — sorri — De verdade. E tenho certeza que nada faria meu irmão mais feliz que um filho com você. Ele te ama. — Eu sei. — Então por que não contou pra ele? — Eu não contei pra ninguém. — a olho — E pedi pro doutor manter em sigilo. Eu preciso de tempo pra absorver a informação. Seu irmão está maluco, achando que a Elizabeth quer me m***r. Ele vai surtar se souber disso agora. Vai ficar paranóico. — É, eu te entendo, mas não vai conseguir manter isso em segredo por muito tempo. — Eu sei. — suspiro — E não pretendo manter isso em segredo. Só quero esperar, pra ver se a poeira abaixa. Conversar com calma com ele. — Ok. — respira fundo — Enquanto eu sou a única que sabe, vou manter os olhos em você. — sorri — Ou melhor, em vocês. Acabo sorrindo também. — Acha mesmo que ele vai ficar feliz? — pergunto apoiando a mão na barriga — Tenho certeza. — confirma — Ele sonha com isso há muito tempo. Fico relembrando os momentos divertidos entre Bruce e Jakob. Desde o início eles se deram bem. Bruce é carinhoso, atencioso, compreensivo. Talvez ele ainda não tenha percebido, mas já é pai. O único pai que Jakob conhece. Enquanto Martha arruma algumas coisas na cozinha, eu respondo algumas mensagens no meu novo celular, tranquilizando minhas amigas do clube e dizendo que estou bem, viva e pronta pra outra. Logo a detetive Jones chega para tomar meu depoimento sobre o dia do acidente e eu não sei se entendo o que aconteceu. O que sobrou do meu carro está apreendido como provas de que meus freios foram sabotados. Eu estou ansiosa para ver meu Jake. No meu celular, uma mensagem de um número desconhecido me deixa apreensiva. EU TAMBÉM ACHAVA QUE PODIA SER FELIZ COM ELE PARA GANHÁ-LO, PRECISA PERDER TUDO O QUE TEM Uma foto da minha mãe sacudindo o tapete de boas vindas na varanda de sua casa, na Reserva, acompanha a mensagem. Uma segunda mensagem chega. ELE É MESMO LINDO E NÃO SE PARECE COM VOCÊ Acompanhando a segunda mensagem, um vídeo do meu filho dormindo. Meu coração acelerou tanto que eu pensei que fosse parar. — O que está acontecendo? — Martha se aproxima — Eu preciso ir pra Reserva agora. — tento me levantar — O que? — se assusta — Não! — tenta me fazer ficar no sofá — Essa v***a está com a minha família! — grito a olhando Martha pega o celular de minha mão e arregala os olhos ao ver as mensagens. — E-eu vou chamar o Bruce. — diz pegando seu celular — Chama quem você quiser. — digo ao finalmente conseguir me colocar de pé — Eu vou pra Reserva. Martha e eu travamos uma discussão repleta de gritaria e choro. Eu preciso cuidar da minha família, preciso estar com eles, mas não consigo. Os pontos da cirurgia começam a latejar, mas nem toda a dor que eu estou sentindo é o suficiente para abafar a agonia de sentir que minha família está em perigo. *** — Andrew, alguma atividade suspeita? — Bruce pergunta ao parar o carro em frente a casa — Eu acabei de chegar. — Andrew diz descendo de seu carro — Vargas e Jordan estão fazendo uma varredura. — Ela tem que estar aqui. — digo me apoiando em Martha — Kayla! Elena se aproxima, com cara de assustada. Eu franzo o cenho. — Elena, onde estão? — pergunto — Minha mãe e Jakob? — Estão em casa. — responde — Est… Uma explosão a impede de terminar. Com o impacto, Martha e eu somos jogadas contra o carro de Bruce, nos fazendo ir ao chão. Meus ouvidos estão zumbindo e o calor das chamas parece disposto a queimar minha pele, mas o que me chama atenção é o fogo na minha casa. Quando me dou conta do que está acontecendo, me solto da minha cunhada e busco forças para levantar e correr para as chamas. Eu faria qualquer coisa pra tirar meu filho dali. — Não! — Bruce joga seu corpo no meu, me imobilizando e impedindo-me de correr para o fogo — Jakob! — grito me debatendo — Jake! — sinto um choro desesperado me tomar — Jakob!
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