CAPÍTULO 08 - CAÇA E CAÇADOR

3591 Words
BRUCE CARTER Kayla ainda dormia quando saí da unidade de tratamento intensivo e dei de cara com os dois oficiais à paisana que Andrew arrumou. Eles acenaram discretamente pra mim e eu fui até a sala de espera, vendo que minha sogra, minha irmã e minha cunhada ainda estavam lá, bebendo o vigésimo copo de café daquela manhã. — Eu preciso passar na delegacia. — digo ao me aproximar das três — Ver como anda a investigação e falar com o comissário sobre uma possível licença. — Você vai tirar licença? — Susan me olha — Bruce, nós estamos aqui, não precisa. — Eu não vou saber pensar em outra coisa enquanto ela não reagir aos traumas na cabeça. — digo nervoso — Ela não está bem, Susan. E eu só vou ficar bem quando ela abrir os olhos e disser o meu nome. — a encaro — Filho, você pode ligar pra Elena pra saber do Jakob? — Esmee me olha — Eu saí àquela hora, deixei ele com ela e até agora não dei notícias. — Tudo bem, eu vou passar no local do acidente, talvez consiga dar um pulo na Reserva. — digo — Eu volto logo. Qualquer coisa, me liguem. — Pode deixar, irmão. — Martha me olha — Por favor, fique calmo. Depois de passar na delegacia e conversar com o comissário, fui no meu apartamento, tomei um banho frio e troquei de roupa, logo partindo para a estrada, a fim de visitar o local do acidente. Já fazem dois dias e eu tento falar com a detetive Jones, mas não consigo. Que tanto ela analisa nessa suposta cena de crime? Reduzi a velocidade ao ver o cerco com a van da perícia, uma viatura e o carro de Jones no acostamento. Parei o carro no acostamento em sentido à Reserva e atravessei a via, chegando no sentido Heaven’s Gate e passando pela cerca de concreto quebrada, tomando cuidado no chão terroso do canteiro que beira a ribanceira. — O que está fazendo aqui, detetive Carter? — Magdalene me olha — Preciso de novidades. — digo — Já fazem dois dias, o carro dela não está mais aqui. Por que você ainda traz a perícia aqui? — Porque eu preciso ter certeza antes de dizer qualquer coisa pra família da Kayla. — ela suspira — É a última pá de terra pra fechar isso. — E conseguiu? — cruzo os braços — A perícia analisou aquele Impala de cabo à r**o, nós entramos em contato com o fabricante, tiramos todas as dúvidas com a oficina responsável pela revisão, onde Kayla o levava a cada seis meses. — conta — Checamos os radares, as poucas câmeras da rodovia, os documentos que a sua cunhada me deu. Kayla ultrapassou a velocidade permitida algumas vezes, mas no momento do acidente, estava em velocidade regular, tentando reduzir para fazer a curva. No entanto, um dos cabos dos freios pareciam gastos. — Gastos? — franzo o cenho — É, gastos. — confirma — A medida em que Kayla o usava, naquele dia, ele ia se gastando mais e mais, até que tentou usar nesta curva e ele acabou se rompendo de vez. — Mas ele saiu da revisão, há duas semanas. — comento pensativo e ela me encara, compreensiva — Tá me confirmando que a falha é criminosa? — Ao que tudo indica, até agora, sim, Bruce. — ela confirma me olhando nos olhos — Isso não foi um acidente. A confirmação que eu precisava pra surtar de vez. — Tem alguém que você conheça que queira fazer m*l à Kayla? — pergunta Sim! Minha esposa psicótica, surtada, capaz de tudo! — Não. — nego — Bom, eu preciso conversar com todos os conhecidos dela. — suspira — Membros da família, amigos, colegas de trabalho. — Ela… — franzo o cenho, tentando raciocinar — Ela é performista no Olympus Club. — digo e Magdalene anota em seu caderninho — Clube de happy hour da cidade? — me olha e eu confirmo acenando — Ela não tem irmãos. — digo — A mãe dela está no hospital com minha irmã e minha cunhada, o filho dela tem dez anos, é autista e está na casa de uma vizinha, na Reserva. — Certo. — comenta — Eu vou começar pelo clube. Escuta, sei que é difícil pra você, mas eu tenho que pedir que se mantenha longe dessa investigação. Eu vou descobrir o que está acontecendo e vou mantê-la segura, você só precisa confiar em mim. Confiar? Fácil! — Eu vou até a Reserva ver meu enteado. — digo — Ótimo. — acena — Qualquer novidade, eu te aviso. — Tô contando com isso. *** O dia na Reserva não parecia comum. Todos já sabiam o que estava acontecendo com Kayla e, ao reconhecerem meu carro, alguns me cercaram, mas eu não falei com ninguém. Caminhei até a casa de Elena Norman, onde a vi sentada na varanda, fazendo uma oração. Jakob estava sentado também, mas tinha o olhar perdido. Esmee não lhe contou nada, mas ele é um menino inteligente e, com certeza, já percebeu que há alguma coisa errada com sua mãe. — E então? — Elena não precisou abrir os olhos pra saber que eu estava ali — Eu vim ver o Jakob. — digo e ela abre os olhos, me encarando Kayla me contou sobre os dons mediúnicos de Elena e, várias vezes, eu já a vi me observando como se pudesse enxergar minha alma. Por incrível que pareça, nunca tivemos uma conversa direta. — Eu não quero conversar hoje, Bruce. — Jakob diz sem me olhar e eu sinto meu coração se apertar — Você está bem? — tento manter a voz neutra — Eu quero a minha mãe e a vovó. — resmunga — Jakob, querido, pode me deixar trocar umas palavrinhas com Bruce? — Elena pede Jakob se levanta e caminha para dentro da casa. Ouço o barulho de uma porta batendo e suponho que ele esteja em um quarto. Elena me encara e faz um sinal para que eu me sente ao seu lado, na segunda cadeira de balanço. — Ela está sem os sedativos, mas ainda não respondeu aos estímulos. — digo ao me sentar — Os traumas na cabeça foram graves. — A mente dela está longe. — ela diz se balançando — E nunca mais será a mesma, depois disso. Eu franzo o cenho e a olho. — Isso quer dizer que ela vai passar por isso? — pergunto — Me diz você. — me olha — Se ela passar por isso, você estará disposto a enfrentar os fantasmas do seu passado por ela? Como ela sabia disso? — Do que está falando? — estreito os olhos — Trocar de cidade não vai resolver desta vez, Bruce. Seja corajoso e acabe logo com isso. — Se a senhora está me dizendo isso, a senhora deve saber que não é tão fácil assim. — abaixo o tom de voz — Nada é fácil, Bruce. — diz serena — Mas coragem pode tornar tudo um pouco menos complicado. Fiquem juntos e vencerão. — É isso? — a olho — É tudo o que tem a dizer? — Diz pra minha amiga Esmee que Jakob está bem e que ela não precisa se preocupar. — diz — Cuidem de Kayla. O que tudo isso significava? *** Ashley abriu os olhos e me viu. Eu era o único ao seu lado, já que havia conseguido convencer seus pais a irem descansar. Eu queria que ela acordasse, mas não queria ser o único neste quarto. A notícia r**m ficou por minha conta. — Bruce… — chamou — E-eu… Eu não sinto as minhas pernas. Sinto meu coração apertar e a culpa me dilacerar. Elizabeth fez isso. Fez isso por minha causa. — Ash, eu preciso te contar uma coisa. — suspiro — Minhas pernas, Bruce. — Querida. — a olho — Você fraturou a coluna, no acidente. Eu… — respiro fundo — Eu sinto muito. — O que? — me encara — Isso quer dizer que… Oh, meu Deus! *** Durante um bom tempo, eu tive pesadelo com o olhar perdido e o choro desesperado de Ashley, ao descobrir que estava paralítica. Depois, foi o olhar de decepção que ela dirigiu a mim, quando eu disse que nosso relacionamento estava acabado. Para mantê-la viva, eu tirei meu time de campo e me afastei dela pra sempre. Antes de me mudar para Heaven’s Gate, Susan procurou por notícias e me assegurou que ela estava bem, viva e fazendo fisioterapia, lutando para seguir com sua vida. Quando conheci Kayla, os pesadelos pararam. Eu tive certeza de que conseguiria seguir em frente e construir um futuro. Talvez um lar de verdade, dar irmãos para o Jakob. Tudo isso está se perdendo pelos meus dedos como areia. Eu sou um i****a por achar que tudo ficaria bem. Desci do carro e entrei no Olympus Club, que estava fechado e apenas algumas funcionárias trabalhavam na parte interna. Todas se assustaram ao me ver. — Notícias da Kayla? — Lucy me olhou — Fala, Bruce! — Kira diz nervosa — Ela está na mesma. — digo — Onde está a Khloé? — No escritório com a Camila. — Sally franze o cenho — Uma detetive esteve aqui. Tá acontecendo alguma coisa, Bruce? — O que você acha, Sally? — a encaro por alguns segundos Pulando alguns degraus dos lances de escada, não demorei a chegar no segundo lugar da boate. A porta do escritório estava fechada e quando eu a abri, vi Camila sentada no colo da Khloé, enquanto Khloé segurava seu rosto e parecia ameaçadora. — Você está me entendendo? — ouço Khloé praticamente rosnar As duas se assustam com minha entrada e Camila se põe de pé, nervosa, pedindo licença e saindo do escritório, batendo a porta. — Ameaçando suas dançarinas, Khloé? — a olho, puxando a cadeira e me sentando — Isso não é da sua conta, detetive. — me encara — Aliás, já contei tudo o que eu sei pra outra detetive, então se retire. — Tudo mesmo? — ergo uma sobrancelha — E o que você sabe, senhorita Rousey? — O senhor não é o detetive encarregado dessa investigação. — ela sorri debochada — Mas eu sou o namorado dela. — Que a fez se atrasar inúmeras vezes nos últimos seis meses e meio. Estreito os olhos. — Isso é você se mostrando contra o nosso relacionamento? — Eu jamais seria contra a felicidade de Kayla. — diz — Eu até disse isso pra detetive. — Disse também que entregou uma caixa com um cartão de memória pra ela, meses atrás? — Cartão esse que eu nunca vi e nem sei o que tinha. — se defende — Kayla nunca me contou. — Quem mandou você entregar isso pra ela? — Eu já disse pra ela que não faço a menor ideia. Deixaram na caixa postal da boate, eu só peguei, vi que estava endereçado à ela e entreguei. — Jura? — franzo o cenho — Sem remetente? — Sem remetente. — Preciso dos dados da sua caixa postal. — Uma das virtudes que faz com que o Olympus seja um clube querido entre as pessoas importantes, é a discrição. — me encara — Não posso deixar você investigar minha caixa postal e descobrir os contatos dos clientes. Eles pagam caro pelo anonimato. — Eu vou deixar você pensar um pouco. — me levanto — Quero os dados no meu e-mail até o fim da tarde. — Eu devo ligar pra detetive Jones e dizer que você está me coagindo? — Liga pra quem você quiser, Rousey. — Eu tenho muitos amigos, Bruce. — se recosta em sua cadeira de chefe — Se você acha que tem as costas quentes, fique sabendo que as minhas pegam fogo. — digo — Estou aguardando seu e-mail. *** Conectei a mangueira de combustível no carro e apoiei os braços no teto do veículo, esperando o tanque completar, impacientemente. Minha cabeça estava à mil, enquanto meu corpo começava a dar sinais claros de que não aguentaria muito tempo acordado. Já são dois dias e meio vivendo de cochilos de dez minutos na cadeira do hospital. Levo as mãos à cabeça, puxando meus próprios cabelos, buscando um jeito de permanecer atento. Eu tenho tanta coisa pra resolver, tenho tanta loucura pra pensar. Minha cabeça parece estar prestes a explodir. Encosto a testa na lataria do carro e respiro fundo, procurando por um ponto de equilíbrio. Qualquer coisa que me impeça de sair correndo e não aparecer nessa cidade nunca mais. O sorriso de Kayla é o suficiente pra me acalmar, por um tempo, mas aí eu me lembro de sua situação atual e isso é como um soco no estômago. Quando o tanque completa, eu guardo a mangueira no lugar certo e fecho o tanque, mas com uma sensação r**m de estar sendo observado. Dessa vez não é paranóia. — Mas que p***a é essa? — resmungo Olho o lugar e percebo a movimentação de pessoas que estão abastecendo, outras pessoas que estão esperando, outras que estão saindo ou entrando na loja de conveniências. Parado na saída do posto, há um carro preto de vidros escuros que me chama atenção. Entro no meu carro e dou partida, notando que o carro sai junto comigo. Mantenho velocidade regular e percebo que o carro se mantém de acordo com o meu. Se eu acelero, ele acelera. Se eu tento reduzir, ele também reduz. — Carter. — atendo uma ligação, enquanto observo o carro pelo retrovisor do meio — É a Martha. — reconheço a voz da minha irmã — Irmão, onde é que você está? Não me diga que está na cola da Jones. — Diz pra mim, os oficiais à paisana ainda estão aí? — pergunto preocupado — Estão, por que? O seu parceiro chegou aqui quase agora, também. — Pede pra eles ficarem espertos, dobrarem a atenção. — estreito os olhos, observando o carro que me segue — Tem alguém me seguindo. — O que? — ela se exalta — Presta atenção, fiquem no hospital, pede pro Andrew só sair daí depois que eu chegar. — tento ficar calmo — Eu tô chegando. Ouço um misto de vozes ao fundo da ligação e franzo o cenho. — Martha? — a chamo — Ela acordou! — minha irmã diz animada — Kayla acordou! Sinto meu coração acelerar. — Graças a Deus. — ofego — Não esquece de fazer o que eu mandei. Eu chego logo. Desligo a ligação e acelero, notando que o carro atrás de mim acelera também. Corto alguns carros e freio bruscamente em uma esquina, fazendo alguns carros buzinarem. O carro todo escuro passa direto, o retrovisor raspando no meu. Não consigo ver quem está ao volante, mas não preciso ver pra saber que estava atrás de mim. Decido então tomar outro caminho para o hospital. Se Kayla acordou, eu preciso estar ao lado dela. — E aí? — pergunto ao entrar na sala de espera e ver meu amigo e minha cunhada ali — Ela acordou? — Calma. — Andrew diz — Acordou. — Susan confirma — Martha tá lá dentro com a mãe dela. — Vem cá, que história é essa de dobrar a atenção e você estar sendo seguido? — Andrew estreita os olhos na minha direção, apoiando a mão em meu ombro — Eu posso falar sobre isso depois? — o olho — Não, não pode. — me encara — A sua irmã está desesperada, sua sogra está desesperada e a investigação está apontada para o lado do atentado. Se a Kayla está na UTI por causa de alguém, então esse alguém tem que ser pego o mais rápido possível. — Cunhado, tá na hora de se deixar ajudar. — Susan me encara — Você não vai resolver isso tudo sozinho. — Não vai e não precisa. — Andrew reforça — Pra resumir, o acidente da Kayla não foi um acidente e talvez eu saiba quem sabotou o carro dela. — digo — Por enquanto, por favor, mantém a segurança à paisana aqui. — Eu vou manter. — ele confirma — Vá vê-la. Vá! — dá dois tapinhas em meu ombro — A gente conversa com mais detalhes quando você voltar. Eu precisei vestir uma roupa especial e esperar minha irmã e minha sogra saírem, para poder entrar. Kayla estava acordada e sorriu ao me ver. Eu senti os meus olhos arderem em lágrimas. — Bruce. — sua voz soou arrastada Eu a abracei, sentindo meu coração errar algumas batidas antes de acelerar feito o de um cavalo de corrida. Ela está bem, está viva. É o que importa. — Minha mãe disse que uma detetive quer falar comigo. — ela sussurra — Por que? — Deixa isso pra lá, Kayla. — lhe dou um selinho — Você precisa focar na sua recuperação. — Não foi acidente, não é? — me olha — Do que você se lembra? — a olho — O fluxo estava normal na estrada, tinham poucos carros. — diz — Eu não ultrapassei ninguém, reduzi depois de falar com você. Eu não estava acima do limite. Só que, pra uma curva, tava muito alta. Eu não consegui reduzir. — Kayla, uma investigação séria tá rolando e eles estão encarando tudo pelo lado do atentado. — digo — Alguém sabotou o seu carro. — Sabotaram o meu carro? — arregala os olhos — Calma. — seguro sua mão — Eu não vou deixar nada de r**m acontecer com você. — Mas quem é que está querendo me machucar? — franze o cenho pensativa — Eu não me meto com ninguém. — Amor. — a olho sugestivo — O que? — me olha de volta — Ah, não. — resmungo — Bruce, para de insistir que a Elizabeth está viva. Isso é quase impossível. — Quase! — enfatizo — Você não a conheceu, não sabe do que ela é capaz. Kayla, tá acontecendo exatamente como aconteceu com a Ashley. — Agora quem vai mandar você se acalmar sou eu. — me encara séria — Isso pode ter sido apenas uma coincidência. — Não é uma coincidência. — insisto — Tinha alguém me seguindo hoje. — O que? — arregala os olhos — Quando? — Eu estava vindo pra cá, tinha um carro me acompanhando desde o posto de gasolina. — explico — Mas eu consegui despistar. — Agora você conseguiu me deixar nervosa. — Se acalma ou o médico vai me expulsar daqui. — digo nervoso — Vai ficar tudo bem, eu tenho alguns homens de confiança no hospital, nada vai acontecer à você ou sua mãe. — O meu filho tá na Reserva. — franze o cenho — Ele está bem, está seguro. — digo — Eu estive lá hoje. Ele está com a Elena. — Com a Elena? — me olha — Você a viu? Ela disse alguma coisa, deu algum conselho? — Ela… Franzo o cenho ao me lembrar das palavras de Elena Norman. Seja corajoso e acabe logo com isso. — Não. — minto — Só que você sairia dessa. — Oh. — parece pensativa — Estranho. — É. — murmuro — Você está bem? — Um pouco enjoada, graças às dores na cabeça. — diz — Mas vou ficar bem. — Eu não devia ter aberto o jogo com você, assim de cara. — Você fez bem. — diz — Se não fosse você, seria a tal detetive que eu nem conheço. — me olha — Você confia nela? — Magdalene Jones? — pergunto e ela confirma — Eu não a conhecia, mas Stone disse que ela é boa e que é honesta. Não vai sossegar enquanto não descobrir tudo. — Menos m*l. — resmunga — Quer dizer, eu acho. — Não, isso é bom sim. — suspiro — Só precisamos manter a calma e deixá-la trabalhar. — acaricio seus cabelos e ela me encara — Você não tem dormido, né? — faz careta — Suas olheiras estão batendo no queixo. — Não dava pra dormir sem saber se você acordaria. — Agora eu estou acordada, então, por favor, durma. — me encara séria — Vou ficar aqui com a sua mãe. — Não, você e ela vão pra casa. — insiste — O médico disse que eu preciso ficar aqui na UTI por mais algumas horas, eu fiz alguns exames ao acordar. Por enquanto, não há nada que vocês possam fazer aqui. — Não quero te deixar sozinha. — Eu vou voltar a dormir em breve, Bruce. Vocês precisam descansar. Os caras vão ficar aqui pelo tempo que eu quiser, revezando entre si. Ela ficará bem. — Tudo bem. — concordo — Assim que você dormir, vou levar sua mãe pro seu apartamento. — E vai dormir também. — acrescenta — Preciso de você de pé. Suspiro e fico observando a pulseira em seu braço, com seu nome e código de pessoa física. Não quero perdê-la. — Eu te amo. — digo ainda encarando sua pulseira Sinto sua mão massagear minha nuca e a olho nos olhos. — Eu nem saberia o que fazer se alguma coisa mais grave acontecesse com você. — assumo — Me perdoa por te arrastar pra confusão que a minha vida é. Desculpa. — Nós escolhemos não ter jogos. — diz me olhando nos olhos — Estamos juntos agora. — me dá um beijo casto nos lábios — E eu te amo também. Muito.
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