CAPÍTULO 5

1323 Words
— Já anotou os requerimentos para a reunião de amanhã? – Evren questionou ao secretário, que o seguia tentando acompanhar seus passos largos, enquanto anotava em seu Ipad. — Sim, senhor! Gostaria de repassar? – Jonas perguntou, se atrapalhando entre segurar pastas e bolsa, ao mesmo tempo que se concentrava em não cometer nenhum erro em seu trabalho. — Tenho certeza de que está tudo em perfeita ordem. – O chefe entrou no carro, que já estava com a porta aberta, o aguardando em frente a um imponente prédio comercial. — E sobre a lista… – o rapaz tentou mais um questionamento, mas o motorista já havia fechado a porta do carro, impedindo contato com seu patrão. E antes que ele tentasse novamente, a SUV já havia saído de suas vistas. — De convidados para a festa de boas-vindas… – falou ao vento. *** Após um dia estressante entre reuniões infindáveis e audiências maçantes, Elizabeth só queria um bom vinho e banho quente de hidro. E foi o que ela fez ao chegar em casa: preparou um banho com sais relaxantes, velas aromáticas, serviu-se de uma bela taça de seu Malbec favorito, colocou música de fundo e assim tinha o cenário perfeito para uma mulher que só queria paz e sossego… até que seu telefone tocou. — m***a! Esqueci de desligar essa p***a. – Ela xingou, tirando as rodelas de pepino dos olhos. – Estendeu o braço e pegou o celular, a ligação já havia caído, mas antes que pudesse apertar o botão de desligar, uma mensagem de texto apareceu. * Você ainda não confirmou sua presença para o evento de amanhã. Desculpe incomodar, mas temos que dar a resposta ainda essa noite. * Ela leu e releu a mensagem algumas vezes, então tomou a decisão que achou melhor: ignorou e desligou o aparelho. *** O dia foi muito produtivo para Evren, como planejado, houveram inúmeras reuniões, dentre elas, com alguns fornecedores, empresas parceiras, toda a direção e também com alguns funcionários, todos queriam conhecer pessoalmente o famoso, porém misterioso filho do senhor Aslan, afinal ele morava fora do país há quinze anos, estava sendo preparado por seu irmão mais velho, aprendendo tudo o que podia sobre tecidos e a indústria têxtil, agora, com seu pai prestes a se aposentar, o filho caçula retornava ao seu lugar, de onde jamais deveria ter saído. –– Jonas, há mais algum compromisso para hoje? – Mais uma vez, o secretário corria atrás de seu patrão. Evren estava sempre apressado e não suportava perder seu precioso tempo, um dos motivos pelos quais escolheu um secretário homem: alguém de sua estatura, ágil, e que não fosse tropeçar nos saltos enquanto tentasse acompanhá-lo em sua vida corrida. Não que uma mulher também não fosse capaz de suprir esses requisitos, porém Jonas jamais o distrairía com olhares sedutores, decotes chamativos ou belo par de pernas. Assim como Evren, Jonas também tinha corpo atlético, cabelos bem cortados, barba sempre feita e vestimentas impecáveis. Ele era o cartão de visita de seu chefe, devia estar sempre a altura. –– A última reunião será com a nova empresa de marketing às 16:30h e então o senhor deve se dirigir ao hotel para se preparar para o coquetel… – antes de concluir, o rapaz checou mais uma vez sua planilha no Ipad e assim, confirmou: –– É só isso! O senhor deseja que eu acrescente algo mais? Evren parou tão abruptamente que o rapaz que vinha logo em seu encalço, quase se colidiu com suas costas. –– O escritório jurídico? Não tínhamos reunião com eles hoje? – Estreitou os olhos ao virar-se para Jonas. –– Bem senhor, não tivemos retorno, até o horário do almoço, já verifiquei com o departamento administrativo deles e parece que as diretoras tiveram um imprevisto na agenda. Podemos tentar mais uma vez para segunda-feira. –– Eu havia me esquecido de como os brasileiros são negligentes com seus compromissos… – voltou a caminhar, visivelmente contrariado. –– Ligue para eles e diga que o senhor Aslan quer falar. Evren já estava em outra ligação em sua sala quando Jonas entrou com o celular na mão. Ele pediu licença ao patrão que prontamente interrompeu a conversa. Jonas explicou que estava com uma das sócias do escritório de advocacia na linha. O homem pediu um minuto, despediu-se rapidamente da pessoa com quem falava, pigarreou, ajustando o tom de voz e comprimentou a mulher. *** –– Eu que agradeço a oportunidade senhor Aslan, mas como eu disse, infelizmente no mundo jurídico algumas coisas fogem ao nosso controle. – A mulher estava ruborizada, talvez pelo tom grave e firme da voz ao outro lado da ligação. –– Sim, claro. Podemos fazer por vídeo chamada no primeiro horário. – Ela não se dava conta, mas estava enrolando uma mecha de cabelos com a ponta da caneta, típico de uma adolescente encantada. –– Bem, será um prazer firmarmos esse contrato de exclusividade. Eu peço desculpas mais uma vez pelo imprevisto e posso dizer por mim e minha sócia, que daremos o nosso melhor! – A advogada se viu sendo fuzilada por uma morena ao seu lado, que revirava os olhos com total desaprovação. A mulher tomou uma boa golada de água assim que desligou o telefone, precisava se recompor, a mulher que a fuzilava estendeu um lenço de papel. –– Toma aqui, limpa essa baba! –– Amiga, você pode ter todo o direito de não aprovar que eu tenha aceitado o convite deles sem te consultar antes, mas você também tem que concordar comigo que eles serão nossa porta de entrada para as multinacionais. –– Tínhamos outras três grandes empresas no radar. Eu disse pra você ter uma pouco mais de paciência. – A sócia, digitava raivosa, evitando contato visual. –– O grupo AIT estava fora de questão. –– Sim, mas enquanto esses outros não aceitam nossa proposta, o grupo AIT, nos procurou… desculpe, mas negócios são negócios, eu não poderia deixar essa oportunidade passar. – Ela foi até a amiga, colocou sua mão sobre a dela, forçando que a outra a olhasse nos olhos. –– Elizabeth, eu entendo todo o seu ódio pelos Aslans, mas isso é passado. Pense nisso como um presente meu. Agora você terá a oportunidade de mostrar o seu valor… a filha do segurança cresceu e se tornou uma advogada de sucesso! – Piscou para Eliza, que devolveu a piscadinha junto com um ligeiro sorriso. –– Essa família é passado. Sei que hoje eles têm muitos empregados que tomam conta de tudo e que não teremos que lidar com os donos pessoalmente, mas só de pensar em pisar no mesmo chão daquele povo, me embrulha o estômago. –– Bem, não teremos que lidar com eles depois de assinarmos nosso contrato de prestação de serviços, vou designar uma equipe exclusiva com nossos melhores associados para cuidarem da pasta deles. Fique tranquila! –– Tudo bem, Marina! – A voz de Eliza amansou. –– Você está certa. São apenas negócios e dinheiro não aceita desaforo. –– É assim que se fala, garota! – Marina, estalou a língua, feliz por ter conseguido domar sua amiga e sócia de coração de gelo. Isso era um feito. Afinal, Elizabeth era sempre dura e irredutível em suas decisões. Por isso, Marina decidiu sair da sala o quanto antes, a fim de não dar a chance da outra mudar de ideia. –– Ah, como não recebi sua resposta sobre o coquetel de hoje a noite, me dei a liberdade de confirmar por você. Nos vemos às 19h no Hotel Maison. – Bateu a porta atrás de si, sem esperar pela resposta. –– p***a, Marina! – Eliza estava furiosa. Marina não tinha esse direito. Decidir sobre contratos comerciais da empresa, ok! Mas sobre seus compromissos pessoais… isso era inadmissível! –– Não conte comigo nessa palhaçada de evento!
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