Bom, também fiz isso enquanto estava bancando a revoltada – Falei, me referindo ao momento em que ele chutou a cadeira. Ele era um homem muito bonito, dono de um olhar penetrante e de cabelos lisos e negros – mas num corte mais discreto. – A palidez da lua combinava bem com o tom de pele dele.
Quantos anos você tem? – Indagou. Sinto seu olhar ainda em mim, curioso e analista. E penetrante.
Me refiro ao baseado. – Respondi, com um sorriso de canto. – Não seja óbvio. Não precisa saber a minha idade.
Está certa, a menos que eu esteja interessado. – Disse, o que me fez encará-lo. Foi nesse momento que eu odiei ser expressiva, porque com certeza minha cara está em algum tipo de careta, porque isso o fez rir. – Qual é! Não estou falando sério. – Seus dentes perfeitos se escondem novamente sob seus lábios rosados.
Ele encara seus braços fortes. Depois me encara novamente, mordendo o lábio inferior para conter o riso. – Adolescentes que se sentam em parapeitos e agem como rebeldes.
Senti a farpa me atingir.
Você só não está sentado, mas está aqui num parapeito. E fumando baseado, enquanto paquera uma “adolescente”. – Rebato, fazendo ênfase nas aspas que fiz com os dedos.
Ele ri de canto, sendo provocado.
Não me interesso por garotas. Gosto de mulheres. – Defendeu-se, parecendo estar ofendido, mas tentando não transparecer. – Só queria saber qual sua idade e por que seu namorado te magoou. Ou seu pai. Ou se foi um dia r**m na escola... – O jeito presunçoso dele me fez ranger os dentes. – Conversar não faz m*l, está me fazendo bem agora. Era a última coisa que eu ia imaginar que me acalmasse no exato momento em que subi aqui para socar a primeira coisa que eu visse. – Disse e encarou a calçada, enquanto um mendigo passava empurrando um carrinho de compras cheio de bugigangas e cobertores.
Eu daria o número do apartamento do meu namorado para você se desfazer de todo o seu ódio ou angústia. – Fiz uma breve pausa – mas bater em pessoas mesmo que ela mereça, é crime. – Falei, parecendo realmente arrasada por saber que Adam poderia estar sendo sovado na pancada nesse momento, se não houvessem leis para babacas.
Nos encaramos, sorrindo um para o outro. Meio psicótico o motivo da risada, mas satisfatório.
O que o merecedor de surras fez para a moça estar tão consumida em raiva? – Indaga.
Então ele também se senta no parapeito, mas não chegou nem um centímetro a mais para perto de mim.
Bom, eu estive bastante ocupada recentemente, então, não pude vê-lo durante um tempo. Assim que consegui, decidi fazer uma surpresa para ele. Fiz todo o meu ritual de preparação: coloquei uma roupa de v***a, marquei um jantar caro – Mas ainda não paguei, íamos dividir a conta, porque eu ia obrigá-lo. – O rapaz sorri – Cheguei no apartamento dele e adivinha?! Estava bem feliz fazendo uma ultrassonografia transvaginal com o pênis dele, na porcaria da Tiffany! A secretária do pai dele! – Grunhi em completa raiva.
O homem franziu o cenho, parece que não esperava por isso. Ou pelo modo como falei.
Então, ele solta um suspiro pesado, enquanto encara as próprias mãos que estavam entrelaçadas sobre sua coxa. Depois, o par de olhos verdes deslizam no ar e pousam em mim.
A coisa mais fácil do mundo, é encontrar outros por aí, e com certeza, foi você quem o encontrou. Da próxima vez, torço de coração para que você encontre homens com H maiúsculo. – Sorriu, meio sem graça – Ou uma mulher, não sei qual será a sua preferência até lá.
Espere o tempo necessário, da próxima vez. Vá com calma, conheça e espero que você esteja mais velha ou com mais maturidade para saber reconhecer um i****a. É meio difícil achar algum rapaz que queira levar uma garota realmente a sério, na sua idade.
Mas enfim, você merece coisas muito melhores; merece um amor de verdade, merece respeito. Se ame em primeiro lugar. – Ele continua a falar, me olhando seriamente, sem desviar um milímetro os seus olhos dos meus.
Apesar de eu estar prestando atenção em suas palavras e as absorvendo, é quase desconcertante encará-lo sem ignorar o quanto ele é bonito e é dono de expressões sutis, mas que transmite seriedade.
Eu queria que esse homem fosse você, na minha cama. – Pensei e ri internamente.
Ele faz uma pausa, parecendo notar que estou perdida em meus pensamentos. Seus ombros relaxam.
Você diz isso como se fosse muito velho. – Falo, fingindo não ter escapado da realidade por alguns instantes.
Trinta. Mas como você parece ser bem mais nova que eu, me sinto um velho sem saber como me comportar. Sabe, não costumo entrar em conversas tão aprofundadas com mulheres. – Ele sorri e corre a mão esquerda pelo cabelo e depois escorrega para a nuca.
Sou cinco anos mais nova. – Digo.
Ele assentiu, tornando a fitar o chão.
Bom, quando encontrar a pessoa certa, não precisará se preocupar com garotas com nome de stripper ou de atrizes pornô. – Debochou – Tiffany... – Balançou a cabeça em negação, ainda rindo.
Ri também.
– Aceita jantar comigo, no pior dia da minha vida?
A companhia de um completo desconhecido é melhor do que a companhia de um ex-namorado traidor. – Falou, com um sorriso de canto. Suas bochechas formaram covinhas, o que achei um pecado eu não ter notado.
Mil vezes! – Concordei.
Ele se vira para descer do parapeito. Assim que seus pés tocam o chão, ele caminha em minha direção, mantendo o olhar fixo em meus olhos, com um leve sorriso em seus lábios. Então ele me estende a mão para me ajudar a descer também. Aceito, e quando o toco, parece que uma descarga de sensações me atinge em cheio. Não sei se é pelo momento vulnerável ou se é porque ele é bonito demais para me causar isso. Ou se é os dois, mas meu corpo sentiu algo que não deveria.
A maciez de suas mãos não passou despercebidas por mim. Me intrigou, porque ele era forte – no sentido de realmente fazer treinos, mas com a delicadeza de sua mão, era como se nunca tivesse feito academia na vida, a julgar pelo corpo definido. Minhas mãos eram pequenas e delicadas. Uma combinação perfeita.
Paro de frente para ele, mas não próxima demais – Não tem nada de romântico, é algo normal. Mesmo.
Ele me olha com a cabeça baixa, devido à nossa diferença de tamanho. Eu o olho com a cabeça erguida.
Vamos? – Perguntou, estendendo o braço, com um sorriso sexy, mas sem mostrar os dentes perfeitos e brancos. Desperdício.