O final de semana chegou. O que estava para ser um churrasco em família, acabou por tornar-se uma reunião entre amigos.
Maria Fernanda e Rita também foram convidadas e também os pais de Rael. Todos gostaram bastante da casa de Patrícia e conseguiram perceber que ela tinha uma excelente situação financeira. Pérola era um verdadeiro encanto e não houve quem não gostasse dela.
Todos estavam á vontade e Maria Fernanda foi ter com Rael para dar a ele uma prova dos seus sentimentos.
- Rael! Podemos falar?
- Claro Fernanda!
- Eu pensei muito e decidi que vou te ajudar.
- Ajudar -me? Estou confuso.
- Eu sei que gostas da Patrícia.
Mas também notei que ela parece resistente demais á tua presença.
- Sim. Ela parece que está a lutar contra a vontade de confiar em mim. E como esperas ajudar-me?
- Sendo amiga dela. Eu a vou escutar. É óbvio que alguém a feriu muito. E pela forma como ela reage na tua presença, com certeza foi um homem da pior espécie.
- Como podes afirmar isso com tanta certeza?
- Existem coisas que só uma mulher é capaz de perceber. A nossa sensibilidade para observar nos detalhes é bem maior.
Acredite: Ela não é imune á você. Mas está apenas a evitar ser novamente ferida. O que quer que tenham feito com ela, tirou tudo o que restava da essência dela. E para que a mesma volte a renascer, será necessário muito mais do que uma prova de merecimento de confiança.
- Uau! Estou impressionado. Não tenho razões para duvidar do que acabaste de dizer. Aceito a tua ajuda. Prometo que não haverá nenhuma pressão da minha parte.
- Obrigada pelo voto de confiança.
Maria Fernanda afastou - se e foi ter com Mônica que falava com outras pessoas que tinham sido convidadas.
- Com licença! Patrícia posso falar com você por favor?
- Sim claro...
Elas afastaram - se e Mônica falou:
- Nós já nos conhecemos?
- Não oficialmente. Sou a Maria Fernanda. Leciono na escola onde estuda a sua filha.
- Certo. Muito Prazer. Ainda bem que vieste.
- Obrigada. Peço desculpa por não ter dado as boas vindas á vocês antes. A verdade é que....Eu estava zangada.
- Zangada comigo?
- Sim. E também tinha ciúmes. Eu vejo a forma como ele olha para você. Desde a minha adolescência eu desejo que ele me olhe assim. Mas nunca aconteceu.
- Eu lamento. Mas ainda não entendi o que queres dizer.
- Ele gosta é de você Mônica. Olha para você como nunca olhou para nenhuma mulher. Mas, as defesas á tua volta o fazem hesitar e ele não se aproxima para não perder a sua amizade.
- Eu não sei o que te dizer Maria Fernanda. O Rael é um homem espetacular. É lindo e educado. Mas, é difícil pra mim deixar que ele se aproxime.
- Eu sei. E posso ver nos teus olhos que algo muito grave te feriu. Que algo despedaçou o teu coração.
Saiba de uma coisa: Eu estou aqui para oferecer a minha amizade.
Saiba que como mulher, podes contar comigo para qualquer coisa.
- Muito Obrigada. Neste momento eu realmente estou a precisar de muitas amizades.
- Nada por isso. O Rael me fez entender que certas coisas não podem ser forçadas. E o amor é uma delas. Você me permite um primeiro conselho como amiga?
- Sim por favor.
- Dê uma oportunidade para ele nem que seja como amigo. Tudo começa com pequenos passos. E ele só deseja que confies nele.
- Tens razão. Eu confesso para você que ele me atrai. Mas, sempre que ele se aproxima, eu me retraio e o afasto sem precisar dizer nada.
- Sim. Ele também notou isso.
Faça uma tentativa. Não estou pedindo que você o abrace.
As duas riram e de longe Rael percebeu que até Maria Fernanda já tinha se tornado amiga de Mônica.
Ele a viu falar com outras pessoas, indo até às crianças e servindo para elas.
Quando finalmente sentou para comer, ele se aproximou.
Sentou a pouca distância dela para não invadir o seu espaço pessoal.
- Eu estou incomodando você?
- Oi Rael. Claro que não. Você é um homem incrível. Até agora só tenho escutado palavras positivas sobre você. A minha Pérola só fala de você, e só por isso já mereces a minha confiança.
- É mesmo?! Obrigado. Eu me sinto mais aliviado ouvindo isso.
- E eu sinto alívio por dizer. Me desculpe por ter agido sempre com tanta frieza. Tenho as minhas razões.
- E eu vou respeitar todas. Me conte quando tiver a certeza que já sou digno de tanta confiança.
- Obrigada. Rael me escute: Eu vou dar um passo que nunca pensei que daria depois de tudo o que passei.
Saiba que posso parecer uma mulher calma, mas não tolero traições, mentiras ou manipulação de qualquer tipo. E o meu limite é a Pérola. Jamais magoe o coração da minha menina.
- Eu entendi o recado. Cumprirei qualquer coisa. Obrigado pela oportunidade. Será que agora que tudo está esclarecido, eu posso convidar você para jantar?
- Claro. São muitos os lugares da Ilha Esmeralda que eu ainda não conheço.
- Será um prazer mostrar eles para você.
A conversa seguiu normal e fluída. Quando finalmente estavam sozinhas, Mônica contou sobre a sua conversa com Maria Fernanda e Rael para Olívia. Ela como sempre usou suas palavras sábias para ajudar.
- Sabes querida! Eu não quis dizer isso antes, mas só há uma forma de você conseguir seguir com a sua vida.
- Que forma é essa?
- Uma terapia. Você precisa falar com alguém que vai te ouvir sem julgamentos. Alguém para você desabafar e tirar tudo o que pesa no teu coração e na tua mente.
- E quem seria essa pessoa?
- Amanhã eu levarei você até ela.
É uma mulher especial. É a conselheira de todos aqui na Ilha.
- Mamã! Estou com muito sono.
- Tudo bem querida. Vai para a cama. Já subo para ler a sua estória. Está bem?
- Está bem Mamãe. Boa noite Vovó Olívia.
- Boa noite meu amor. Você vai aceitar a minha sugestão querida?
- Sim. Eu aceito. Preciso tirar este
peso todo do meu coração. Preciso me limpar da maldade que aquele demónio me fez. Se não fizer isso, eu não serei capaz de amar ou de permitir que alguém me ame. Mesmo que seja alguém como o Rael.
- Tomaste a melhor decisão. Vamos descansar. Amanhã será um novo dia e poderemos aproveitar.
Mônica dormiu sem pensar no seu passado. Estava a começar a sentir mais força e confiança.
Sentia - se apoiada e protegida por pessoas que não a queriam julgar.
Maria Fernanda lhe ofereceu amizade e Rael o seu amor.
Mas para aceitar a opção dele, Mônica teria que enfrentar literalmente a dor que cercava o seu coração.
Tinha que encontrar espaço para receber os sentimentos que estava a ter por Rael.
Ainda não os tinha nomeado nem assumido. Mas, dando este passo com certeza estaria preparada para voltar a viver.
Com tudo o que passou, Mônica esqueceu-se que ainda não tinha nem 30 anos. Tinha apenas 25 anos de idade, mas já tinha sofrido tanto que esqueceu a sua própria idade.
Estava na hora de fazer algumas mudanças. Estava na hora de dar um passo que ela achou que não seria mais capaz de dar.
Estava na hora de ser a mulher que foi impedida de ser por cinco anos.
Mônica estava decidida a não deixar que a sua filha tivesse o mesmo destino.
Ela a protegeria a qualquer custo.