DRA. PATRÍCIA

1677 Words
Patrícia já estava na ilha á quase um mês e Rael ainda não tinha se aproximado dela. Ele a via entrar e sair do hospital e também caminhando com a filha, Olívia e as vezes com Márcia. As duas tinham se tornado boas amigas. Com elas Rael a via sorrir. Mas quando era com ele, Mônica se retraia e ficava mais séria. Ela estava sempre a uma certa distância quando ele falava, e se ele se aproximava, ela dava por instinto um passo para trás. Por causa destes detalhes, Rael não tentava se aproximar quando falava com ela, e nem sequer se movia daquele lugar. Mas, ele percebeu uma certa mudança num dia em que a viu comprando pão na Padaria que era a favorita de todos na Ilha. - Bom dia Patrícia. - Bom dia Rael. Como estás? - Muito bem. Vejo que já estás bem adaptada á Ilha. - Sim. A cada dia eu gosto mais de estar aqui. O clima é maravilhoso e até a Pérola já age como se tivesse nascido aqui. Ela adora a escola, e só fala das aulas de natação. - Ela me surpreendeu. Para uma menina tão pequena é uma super nadadora. Estou impressionado. Você a educa muito bem. - Obrigada. Eu sou tudo para ela. E ela é tudo para mim. Nós não precisamos de mais nada. Digo, além da Olívia. - Tudo bem. Eu entendi. - Preciso ir agora. Ela adora o pão ainda quente. Tchau Rael. Mônica foi embora e surgiu alguém que Rael conhecia muito bem. - Parece que ela é imune á você Rael. Que mulher agiria assim diante de um homem como você? - Uma mulher de verdade. Que não se ilude com aparências e que sabe o que realmente deseja de um homem. Ao contrário de você. Não é mesmo Maria Fernanda? - Não precisas de ser tão frio. Sabes bem o que sinto por você Rael. - E você sabe que eu não vou corresponder a estes sentimentos. Então tenha mais amor próprio e pare de insistir. Nunca teremos uma relação amorosa, porque eu não vejo você como mulher. Rael foi embora e a deixou em pé no lugar e com os olhos húmidos. Maria Fernanda sabia que ele só tinha sido sincero. Rael nunca lhe deu nenhuma esperança, mas Maria Fernanda não entendia isso. - Você quer um café Fernanda? - Quero sim Paula. Obrigada. - Porque você não o esquece amiga? Ele não sente nada por você. Pelo menos não do jeito que você deseja que ele sinta. - Eu sei. Ele faz questão de dizer isso na minha cara sem mudar uma palavra. - Então porque você continua se humilhando desta maneira? Olhe para você. Tu és jovem e linda. Não precisas de mendigar o amor que nunca terás. Maria Fernanda sabia que a sua amiga estava certa. Ela já tinha feito muitas tentativas para chamar a atenção de Rael, mas ele sempre fazia questão de a rejeitar e dizer que não a via como mulher. - O que vais fazer amiga? - Vou desistir dele Paula. Você está certa. Eu tenho que pensar mais em mim. No que eu quero e preciso. - Isso mesmo. Esqueça o Rael e siga a sua vida. E deixe que ele faça o mesmo. Se ele gosta de outra pessoa, você devia ajudar ele. Essa seria uma forma de demonstrar o seu amor por ele. Se ele só vê você como uma boa amiga, então seja uma amiga para ele. - Tudo bem. Eu percebi que ele olha para a Patrícia com interesse. - E ela corresponde? - Sinceramente não sei. Eu ainda não falei com ela pessoalmente, mas admito que a admiro. - A sério? - Sim. Ela é mãe e pai da Pérola que mesmo não estando na minha turma é conhecida por ser uma menina inteligente demais para idade que tem. - E o Pai dela? - Ela disse que o Pai foi embora quando era muito pequenina e não passa daí. - Tudo bem. Com certeza a mãe a orientou para ser discreta. E este assunto não é da nossa conta. - Tens razão. Eu vou ajudar o Rael a ser feliz. Se ele gosta da Patrícia, então serei o cupido deles. - Uau! E como vais fazer isso? - Isso não posso revelar. Mas prometo que será para ver o Rael feliz. Tchau amiga. Mônica amava o seu trabalho. Já estava acostumada, e também os pacientes e seus pais que sempre a elogiavam. Na pausa para o café, ela decidiu abrir o seu coração para Márcia. - Patrícia! Você confia em mim? - Claro que sim. Você é a pessoa em quem eu mais confio depois da sua mãe. És a minha melhor amiga. Aliás, a minha nova melhor amiga, pois a que eu deixei não pode nem saber aonde estou por uma questão de segurança. - Como assim?! - Eu vou contar. A Olívia sabe de tudo. Ela me salvou das garras de um demónio. Mônica contou tudo e não evitou as lágrimas. Márcia a escutou e sentiu a dor dela por também ser mulher. - Minha querida. Eu não posso nem imaginar a dor que você sente no coração. Mas saiba que eu vou te proteger contra qualquer pessoa. E nunca mais ninguém vai te fazer tanto m*l. - Obrigada. Eu prometi a mim mesma que a Pérola jamais vai saber como foi concebida. Eu a amo demais, e ela nunca terá nada daquele homem. - Isso mesmo. E no que depender de mim ele não vai se aproximar de vocês nunca mais. - É claro que não. Se ele tentar vai se arrepender de ter nascido. Eu não sou mais a menina ingénua de quem ele abusou tanto. Eu agora sou uma mulher capaz de me defender. E se ele ousar se aproximar da minha filha, eu o mando para o inferno. - E não farás isso sozinha. Todos aqui nesta ilha vão te defender. Ninguém precisa de saber os detalhes. Nós não suportamos nenhum tipo de violência. E para defender um de nós somos capazes de qualquer coisa. - Obrigada. Tem mais uma coisa. - O que é? - O Rael. Ele tem tentado se aproximar de mim, mas eu não deixo. É difícil demais para mim reagir sem defesa quando ele fala comigo. - Eu entendo. As tuas defesas se ativam automaticamente porque ele é homem? - Sim. Mas eu não sei por quanto tempo vou resistir. Eu não sou cega Márcia. Ele é lindo e muito atraente. Tem uma presença que faz o meu coração acelerar. Mas, não sei se suportaria que ele tocasse na minha mão. O meu corpo se retraia porque apenas recebeu toques dolorosos. - Minha querida. Nenhuma mulher devia sofrer tanto. Mas, eu acho que o teu coração está a dar sinais positivos sobre o Rael. Se ele acelera sempre que se encontram, é porque você é sim capaz de amar de verdade. - Você acha que devo dar a ele uma oportunidade de se aproximar? - Isso só você pode decidir. Mas, como amiga eu acho que sim. Faça uma tentativa. Se não der certo, eu mesma garanto que ele se mantenha afastado de você. - Combinado. É melhor voltarmos ao trabalho. Mônica trabalhou com maior disposição. Daria para Rael a oportunidade de se aproximar dela. Primeiro como amigo e o resto deixaria o tempo dizer. Olívia foi pegar Pérola na escola e as duas foram até á Clínica para lhe fazer uma surpresa. Mônica saiu de sua sala e as viu esperando. - Surpresa Mamã. - Nossa! Que surpresa maravilhosa. Eu amei. - Que bom querida. Nós também queremos saber se você aceita jantar pizza hoje. Afinal é sexta-feira. - Ótima ideia. Mas tem que ser caseira. Assim podemos cozinhar juntas como uma família. - Pode ser caseira Vovó Olívia? - Claro que sim. Vamos comprar os ingredientes necessários. Sabes Patrícia. Eu pensei em fazermos um churrasco no final de semana. Os meus filhos adoram. E as crianças vão poder brincar na piscina. Faremos hambúrgueres e tudo o que elas gostam. - Eu estou de acordo. Depois das compras foram para casa. - Filha! Faça o seu dever e depois vai para o banho. Eu e a Olívia vamos começar a preparar tudo. - Está bem Mamã. Olívia e Mônica prepararam tudo. A Pizza já cheirava bem e ela aproveitou para ir ver a filha. A pequena tinha acabado de terminar o banho e estava a vestir - se. - Já terminou filha? - Sim Mamãe. E coloquei tudo no lugar. Não deixei nada desarrumado. - Muito bem. Terminei de se vestir e desça para podermos comer. Mas quando desceu, Mônica teve uma surpresa ao ver Rael falando com Olívia. - Rael? O que você faz aqui? - Oi Patrícia. Me desculpe. Eu vim á convite da Olívia. - Sério? Porque a Senhora não me disse Tia? - Porque deixaria de ser surpresa. Anda! Vamos comer. A pizza quente é ainda melhor. Foram á mesa e Pérola contou como eram divertidas as suas aulas. Rael ria de tudo e também contava muitas coisas fazendo Mônica rir muito. Fazia tempo que ela não se divertiu tanto. Mais tarde e com Pérola já deitada, sentaram para tomar um café. Olívia estava a arrumar a cozinha. - Patrícia! Me permites fazer uma pergunta pessoal? - Claro. O que é? - Onde está o Pai da Pérola? - Morto. Ele nunca fez parte da nossa vida. E não passa de uma lembrança infeliz. - Me desculpe. Não te quis aborrecer. - Tudo bem. É apenas um assunto difícil. A Pérola não precisa dele. - Entendo. Bem! Vou para casa agora. A pizza estava ótima. Muito Obrigado. - Por nada. Teremos churrasco no final de semana com o resto da família. Estás convidado. Traga a tua mãe. - Assim será. Até sábado. - Boa não Rael. Mônica o acompanhou até á porta. Já estava menos tensa na presença dele. Seria este um sinal de que poderia confiar em Rael?
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