Mônica passou a usar de forma permanente o seu segundo nome e também o de sua filha.
A pequena estava ansiosa para o seu primeiro dia de escola e foi a primeira a acordar, indo embora seguida chamar pela Mãe.
- Mamã acorda. Temos que fazer o café da manhã e o meu lanche para a Escola.
- Bom dia filha. Ainda é cedo e temos muito tempo para nós organizarmos.
- Por favor Mamã. Levanta.
Mônica não teve outra opção a não ser sair da cama. Olívia já estava no banho pois sabia que este dia seria agitado.
Quando finalmente desceu, ela preparou o café da manhã e Olívia ajudou a pequena a vestir o uniforme.
- Como estou Mamãe?
- Nossa! Estás linda demais meu amor. Agora senta para comer e não tenha pressa por favor.
- Bom dia Mônica.
- Bom dia Olívia. Aceitas um café?
- Sim por favor. Será necessário para acordar de verdade.
Mônica passou para ela uma xícara e serviu outra para si mesma.
Pérola comeu devagar e após terminar foi escovar os dentes, pegando também a sua mochila.
Enquanto esperavam pela hora certa, Mônica preparou para a filha um lanche bem reforçado sem esquecer as frutas que ela tanto gostava de comer após cada refeição.
Quando tocou seis e meia elas começaram a caminhar para á escola. Olívia ficou em casa para que as duas pudessem aproveitar o momento.
A caminhada até á escola durou apenas 15 minutos. As outras crianças também estavam a chegar com os seus pais.
Mônica deu algumas orientações para a sua filha e esperou para conhecer a professora e assistir á receção dos novos alunos.
Após as crianças estarem na formação, Mônica sentou perto das outras mães e ficou esperando as informações que seriam partilhadas.
Fez fotos da filha e tirou anotações importantes. Também teve acesso a alguns panfletos sobre as atividades que seriam realizadas ao longo do ano letivo e não só.
Depois disso, ela teve alguns minutos para ter com a professora de sua filha.
- Professora Lúcia! Bom dia. Sou a Patrícia. A mãe da Pérola. É o primeiro dia dela de escola.
- Bom dia Senhora Patrícia. Muito prazer. Sejam bem-vindas. Já a conheci e trata - se de uma menina muito inteligente e educada. Parabéns.
- Obrigada. Eu faço o meu melhor para que ela seja sempre assim.
Saiba que ela já sabe ler e escrever bem. Mas precisa de mais conhecimentos para fortalecer esta base de aprendizagem.
- Nossa! Estou impressionada.
Não se preocupe. Como ela já veio preparada, será mais fácil dar continuidade ao processo.
- Muito Obrigada. E não se preocupe com as tarefas. Ela as faz muito bem sozinha. Eu apenas oriento quando for necessário..
- Está certo. A Senhora pagou o transporte?
- Ainda. Eu mesmo venho buscá-la ao longo desta semana.
Na próxima semana ela já farei o pagamento. Até logo professora.
Mônica caminhava de volta passa casa quando ouviu o seu nome mas não reconheceu a voz.
- Patrícia?!..- Ela virou e viu Rael caminhando na sua direção.
- Ah! Bom dia Rael.
Me desculpe. Não reconheci logo a tua voz.
- Tudo bem. Ainda não nos conhecemos o suficiente.
Como estás?
- Muito bem. Acabei de deixar a Pérola na escola. Ela estava ansiosa por este dia.
- Posso imaginar. E a Olívia?
- Está em casa. Vamos comprar algumas coisas e depois ela me levará para conhecer o Hospital Esmeralda. Vou trabalhar lá.
- Nossa que ótimo. Mais uma médica na equipa vai ser ótimo.
- Obrigada. Apesar de estar formada a muito tempo, tive que parar de exercer por razões pessoais. Voltar a trabalhar me deixa um pouco nervosa, mas estou preparada.
- Eu acredito que te vais adaptar sem nenhum problema.
Qual é a tua área?
- Pediatria. Obrigada pela confiança. Preciso ir agora. Até logo.
Rael a viu ir embora e ficou ainda mais curioso. Mônica era realmente uma mulher misteriosa.
As suas palavras eram breves mas carregadas de sinceridade.
Ele fez o caminho oposto e foi trabalhar. Quando chegou ao escritório foi diretamente para a sua sala e sua assistente como sempre o seguiu.
- Bom dia Chefe. A sua agenda hoje está bem cheia.
- Bom dia Rita. Ainda bem que estou preparado. Qual é o primeiro ponto?
- Terás uma reunião com o Senhor António Oliveira. Ele quer que façamos a reforma do anexo da casa. Vai receber os netos nas férias e quer transformar o lugar numa área de brincadeiras. Será uma surpresa.
- Perfeito. De acordo com as ideias deles criei vários esboços, e farei uma boa apresentação. Continue por favor Rita.
Ela seguiu explicando os detalhes da agenda e Rael pediu que ela cancelasse as reuniões da tarde.
- Para quando as devo remarcar?
- Pode ser para amanhã no mesmo horário. No dia de hoje terei alguns assuntos pessoais para resolver.
- Tudo bem. O Senhor Oliveira e a esposa acabaram de chegar.
- Deixe eles entrarem por favor.
Traga dois cafés para eles e para mim chá por favor.
- Está bem. Com licença.
- Obrigado Rita.
O dia de Rael foi bem ocupado. Mas antes da hora do almoço ele já tinha terminado de resolver uma parte dos seus assuntos.
Olhou para o relógio e saiu quase correndo. Queria encontrar Mônica na saída da escola. Poderia usar uma desculpa para a levar até em casa.
Quando lá chegou, ela estava a falar com a filha e a professora.
- Até amanhã Professora.
- Até amanhã Pérola.
- Olá Patrícia. Olá Pérola.
- Oi Senhor Rael.
- Olá Rael. Que coincidência.
Vieste pegar alguém?
- Não exactamente. Eu sou o treinador de natação. E gostaria de saber se a Pérola vai ter aulas comigo também.
- Eu posso Mamãe? Por favor!
- Está bem. Mas será apenas para aperfeiçoar. Ela já sabe nadar e faz isso muito bem.
- A sério?! Isso é muito bom.
Nós temos feitos competições com a Ilha de Rubi todos os anos. Quem sabe este ano a nossa campeã seja você.
- Eu vou pensar sobre isso. Antes de decidir tenho que saber as condições e o que acontecerá se por acaso ela ganhar.
- Tudo bem. Me desculpe. Já percebi que és bastante reservada e respeito isso. Podemos falar quando quiseres. Aqui tens o meu cartão. Tem também o endereço do meu escritório e os meus contatos.
- Tudo bem! Obrigada. Vamos filha. Até mais Rael.
- Tchau Senhor Rael.
- Tchauzinho Pérola.
Elas foram embora e Rael percebeu que Mônica ( Patrícia) não era como as outras que quase pulavam no colo dele.
Ela agia com defesa e sempre tinha o cuidado de usar as palavras certas. Não seria fácil conseguir conquistar a confiança dela.
Quando chegou em casa, Mônica foi pegar água e respirou fundo.
- Estás bem querida?
- Sim Olívia. Só estava com sede por ter andado.
- Tudo bem. Ainda bem que o teu carro vai chegar amanhã. Assim vamos poder sair juntas sempre que desejarmos. Ainda há muito para ser visto. E podemos ir até às outras ilhas. Elas são tão lindas quanto esta.
- m*l posso esperar para as ver. Vou me trocar e podemos ir á Clínica.
- Está bem querida. Tenho a certeza que vais te adaptar bem depressa.
As pessoas são ótimas e muito profissionais.
- Eu vou me adaptar por estar fazendo o que amo. E sei que o trabalho vai me ajudar a superar tudo o que passei com aquele demónio e a bruxa da minha Avó.
Mônica e Olívia foram á Clínica Esmeralda. Um edifício imponente e que era também o maior e mais especial da ilha.
Lá haviam todas as especialidades da Medicina, e só quando as opções estavam todas terminadas é que os pacientes eram transferidos.para terra firme.
Quando lá chegaram, foram ter com a diretora que já as esperava.
E foi após a entrada que Mônica teve uma enorme surpresa.
Olívia passou adiante e tinha um enorme sorriso no rosto.
- Márcia!
- Mamãe?! Não posso acreditar.
Mamãe a Senhora voltou.
A médica quase pulou e a foi abraçar já com lágrimas nos olhos.
- Minha caçula