Nascido e criado na Ilha Esmeralda, Rael saiu apenas para terminar a sua formação em Engenharia de Construção Civil e Arquitetura.
Já formado voltou para a ilha disposto a aplicar os seus conhecimentos para ajudar a desenvolver o lugar que sempre considerou o seu lar.
Ao contrário dele, seu irmão Henrique gostava da vida da Cidade, e só ocasionalmente aparecia na ilha para as festas de família ou quando Rael precisava de ajuda em algum trabalho, pois ele sendo advogado ajudava sempre n legalidade dos empreendimentos.
Rael estava no seu escritório quando a sua assistente entrou e parecia ter novidades.
- Bom dia Rael.
- Bom dia Rita. A que se deve esta boa disposição?
- Bem! Eu soube que a Olívia está de volta á ilha e desta vez não veio sozinha. Trouxe com ela duas convidadas.
- Olívia?! Acho que não me lembro dela.
- Tens razão querido. Me desculpe.
Eras muito novo quando ela teve que ir á Cidade. É uma filha da Ilha Esmeralda. Foi minha babá e gosto muito dela. Você se incomoda se eu a dor visitar na minha hora do almoço? A verdade é que estou curiosa para ver quem veio com ela.
- Claro que não me incomodo. Mas por favor não demores. Temos que terminar alguns relatórios e sair para verificar o andamento de algumas obras. Preciso mesmo que vás comigo.
- Está bem. Vou agora ao meu lugar.
Queres que te traga um cafézinho?
- Sim por favor. Estou a precisar.
Quando Rita saiu, Rael também sentiu curiosidade. Quem seriam estas visitas? Como não gostava de parecer intrometido, ele decidiu que esperaria pelo momento certo.
Os novos moradores sempre eram apresentados durante as reuniões semanais, e com certeza com esta não seria uma exceção.
Enquanto isso, Olívia saiu com Patrícia e Pérola para a visita guiada e as compras necessárias pois a menina começaria a escola no dia seguinte.
Pérola estava muito feliz.
Ela já sabia ler e escrever, mas indo a escola poderia aperfeiçoar tudo o que a mãehe tinha ensinado em casa.
Muitas pessoas passavam por elas e pareciam curiosas pois nunca as tinham visto.
Olívia era reconhecida e cumprimentou a todos apresentando a sua sobrinha e a filha desta sua neta.
Rita surgiu quando sentaram para comer alguma coisa antes das compras.
- Então? O que achaste da Ilha?
- É linda demais. Tão moderna e bem construída. Com certeza viver aqui será maravilhoso demais.
- Disso não tenho dúvidas. Adoraria que os meus filhos estivessem aqui.
Mas eles prometeram vir me ver nas férias de verão. Eles já sabem que devem te apresentar como prima deles.
- Obrigada Olívia. E me desculpe por te causar tantos problemas.
- Não fales mais isso.
Eu amo muito vocês e jamais vou me queixar.
- Olívia?! É mesmo você?
- Rita? Nossa... Você está uma linda mulher. Que bom ver você querida.
- Igualmente. E obrigada.
Quem são as tuas visitas?
- Ah! São a minha sobrinha Patrícia e a filha dela Pérola. Elas vão viver aqui comigo.
- Sejam bem - vindas. Com certeza vão amar viver aqui.
- Obrigada. É um prazer conhecer alguém que a Titia Olívia cuidou.
- Igualmente querida. Nossa! A tua filha é linda. Como é mesmo o teu nome querida?
- É Pérola. E o seu?
- Eu sou a Rita. Eu posso ir visitar vocês mais tarde? Estou no horário de almoço e não posso me atrasar.
- Passe sim por favor. Vai ser bom ter mais alguém para conversar....- Mônica sorriu para ela e Rita foi ao seu almoço.
- Tu vais gostar muito dela. A Rita é uma mulher bondosa e muito leal aos seus amigos.
- Sim. Eu percebi. Acho que seremos boas amigas.
- Assim espero. Vamos ao Centro Comercial? Vais ficar espantada com o tamanho dele e a quantidade de coisas que lá vendem. O edifício foi projectado pelo nosso Engenheiro o Rael.
Foram as três ao Centro Comercial e realmente era um edifício espantoso demais para estar localizado numa ilha.
Algumas pessoas andavam por lá a fazer compras. Eram moradores, trabalhadores que circulavam e também turistas.
Pérola divertiu - se muito e adorou as coisas que compraram para ela.
- Olívia! Tem como eu conseguir um carro?
- Claro. Podemos escolher um aqui mesmo pelo catálogo, e eles mandam entregar no máximo em dois dias, pois são enviados pela Ilha de Rubi que está mais próxima da terra firme.
- Por mim tudo bem. Vai ser ótimo caminhar de vez em quando, mas para alguns lugares eu vou preferir ir de carro.
- Tudo bem. Vamos pegar para irmos até lá agora mesmo.
- O táxi parou na loja de revenda e esperou por elas.
Após escolher o modelo que desejava, foram para casa e então Mônica teve uma grande surpresa.
Quando estavam a sair do táxi para entrar em casa, elas viram um homem de fato macacão e capacete caminhar na direção delas. Ele estava com uma mulher que devia ter a idade de Olívia, e mesmo de longe a reconheceu.
- Olívia?!
- Regina! Não posso acreditar.
Como é bom ver você querida. Já passou tanto tempo.
As duas trocaram um abraço fraterno, e então a mulher reparou nas compras e na presença de Mônica e Brianna.
- Me desculpe. Soube que estavas de volta e com visitas.
Olá! Eu sou a Maria Regina e este é o meu filho Rael.
- Prazer Senhora Regina. Eu sou a Patrícia e ela é a minha filha Pérola.
- Pérola. Que nome lindo. Temos muitas aqui na ilha, e elas aparecem fora da concha. E podem ser pegas á vontade. Especialmente durante a noite.
- Que bom saber. Prazer em conhecê-lo Senhor Rael.
- Igualmente. Mas me chame só de Rael por favor. Aqui na Ilha não somos muito apegados as formalidades.
- Vamos entrar para um café?
Acabamos de chegar das compras. A minha neta vai á escola já a partir de amanhã.
Todos entraram e Olívia serviu café e bolos. Mônica e Rael não falaram muito um com o outro, mas Brianna o enchia de perguntas por causa da forma como ele estava vestido.
- Filha pare com isso. O Senhor Rael é Engenheiro. Por isso está vestido desta maneira.
- Isso mesmo Pérola.
Eu soube que amanhã você começa a ir para a escola.
- Isso mesmo. Eu já sei ler e escrever. Mas a Mamã diz que preciso aprender outras coisas.
- Uau! Tão novas e já sabes ler?
- Sei sim. Mas eu quero fazer amigos para os poder convidar para a minha festa de aniversário.
- Isso é ótimo. As nossas crianças adoram festas. E muitas delas fazem a festa na escola.
- Eu também posso fazer isso Mamãe?
- Claro amor. Vamos falar sobre isso com a Vovó Olívia está bem?
- Vovó! A minha festa de aniversário pode ser na Escola?
- Claro que sim meu amor.
Rael e a Mãe foram embora satisfeitos por as terem conhecido.
Quando chegaram em casa, a mãe dele não resistiu em fazer o comentário.
- A Sobrinha da Lili é linda demais. Não achaste filho?
- Sim Mamãe. Ela é linda.
Mas também muito misteriosa.
- Porque dizes isso?
- Não sei Mamãe. Ela é muito quieta, e fala se dar muitos detalhes. Eu percebi que ela está sempre na defensiva. Como se temesse ser ferida.
- Sim. Eu também notei. Ela sorria, mas o olhar dela carrega uma sombra de tristeza e mágoa.
Me pergunto como alguém tão jovem pode ter sofrido tanto.
- Alguma coisa deve ter acontecido.
A casa tem muitas fotografias, mas nenhuma masculina. Cadê o Pai da menina?
- Filho já chega. É um assunto que não nos diz respeito. E nós só as conhecemos hoje. Não podemos criticar nem esperar respostas e confiança. Vamos com calma está bem? Deixemos a vida delas assim como está.
- A Senhora está certa. Acho que herdei o lado de investigador do Papai. Vou voltar ao trabalho.
Aliás, quando o Papai volta?
- Depois de amanhã. A conferência termina apenas amanhã á tarde.
Já sinto a falta dele.
- Eu estou a gostar de fazer companhia para a Senhora Mamãe.
Vou sair agora. Até logo.
- Até logo querido.
Rael não conseguia deixar de pensar em Patrícia. Ela não era do tipo de mulher que se impressionava com facilidade. Vendo a forma como as turistas olhavam para ele, Rael percebeu que Patrícia o voa como um homem comum.
E foi exactamente por ela ser tão reservada que ele começou a achar que seria interessante a conhecer melhor.
Mas devia ir devagar como tinha dito a sua mãe.