Mônica cuidou de cada detalhe da sua festa. Não tinha muitas amizades a não ser Rafael e Maria Elena que conheceu na Universidade.
Rafael tornou-se Advogado e já trabalhava na firma da sua família, e Maria Luísa estudou Relações Públicas.
Os três tinham uma boa amizade, sendo que Rafael e Maria Luísa já formavam um casal.
Além deles, Mônica convidou mais alguns colegas de turma e outras pessoas com quem ela tinha uma boa relação.
Alice não se intrometeu em nada durante a organização, e também tinha o seu conjunto de convidados.
Quando terminou de se arrumar, Mônica olhou para o espelho e pediu a opinião de sua melhor amiga e confidente.
- O que achas Malú? Estou bem?

- Bem? Você está maravilhosa.
Linda demais. E mereces. Afinal é o teu aniversário.
- Obrigada amiga. Estou muito feliz.
Eu desconfiei da Alice no começo, mas parece que ela quer mesmo que as coisas melhorem entre nós.
- Isso é bom. Mas porque não pareces convencida?
- Não sei. Estou com uma sensação estranha. E isso começou no jantar com aquele homem. O Matias Molina.
- Você não gostou dele?
- Sinceramente não. Eu senti que ele estava apenas fingindo ser simpático demais.
- Eu entendo. Mas por favor não deixes estes pensamentos estragarem o teu dia.
Vamos descer. O Rafael já deve estar impaciente.
Elas desceram e Mônica foi muito elogiada. Matias a observava de longe e teve ainda mais certeza que a queria como sua esposa. Ela era linda, jovem e sorria como uma princesa. Era a candidata perfeita para dar a ele muitos herdeiros.
- Matias! Está tudo bem?
- Sim Alice. Apenas observava a minha futura esposa. Como a faremos assinar o documento?
- Deixa isso comigo. Depois de a assinar, a minha neta ficará encurralada, e não terá escolha a não ser concordar com o casamento. Mas por hoje, vamos deixar ela aproveitar o seu último dia de liberdade.
Matias concordou. Não tinha a intenção de deixar Mônica trabalhar e tão pouco manter amizades masculinas como a que tinha com Rafael.
****DUAS SEMANAS DEPOIS
Mônica tinha mesmo participado da feira da saúde. Chegou em casa muito feliz e sentia - se orgulhosa de si mesma por ter ajudado tantas crianças. Foi á cozinha e encontrou Olívia.
- Oi Olívia.
- Minha menina. Como correu tudo?
- Foi ótimo demais. Estou muito feliz por ter ajudado aquelas crianças.
- Dá para notar que te fez muito bem ir até lá. Mas, a tia Avó te espera no escritório.
- Obrigada. Vou até lá.
Alice mudou a expressão quando a neta entrou.
- Vovó? A Senhora mandou me chamar?
- Sim. Senta por favor.
- Está tudo bem?
- Sim querida. Eu tive uma reunião com o nosso advogado. Ele me disse que a tua mãe deixou um fundo financeiro em teu nome.
- O Quê?! Como assim?
- Eu também não sabia.
Está tudo numa conta na Suiça. E só pode ser retirado por você. A condição era esperar até que tivesses 25 anos.
- Mas eu só tenho 22.
- Sim eu sei. Mas não há regras sem exceção. Tens que assinar alguns documentos para que o dinheiro seja transferido para aqui, e claro numa conta só tua.
Concordas com isso?
- Está bem. Este dinheiro vai me ajudar. Tenho alguns planos.
- Ótimo. Aqui estão os papéis. Eu li e garanto que está tudo legal.
Só tens que assinar e o advogado trata do resto.
- Está bem.
Confiando apenas na palavra de sua Avó, Mônica assinou todos os papéis, incluindo os papéis do acordo de casamento e as condições impostas por Molina.
O dinheiro realmente era apenas seu, e só ela teria acesso á conta.
Mas a armadilha estava preparada. E agora vinha a pior parte.
********O Casamento
Estava uma linda tarde de sábado.
Mônica estava preparada para começar a trabalhar já na segunda-feira. Olívia bateu na porta e entrou com um cabide não contendo uma peça de roupa bem coberta.
- Boa tarde Menina. A sua Avó pediu - me que te desse isso.
Estão subindo a maquiadora e a cabeleireira.
- O quê?! Eu não entendi. O que é isso?
- O teu vestido de noiva...- Alice disse da porta e Olívia saiu.
- O que disse Vovó? Vestido de noiva?
- Isso mesmo. Hoje é o dia do teu casamento com o Mattias Molina.
- Nem pensar. Eu não vou casar com aquele homem Vovó.
Porque faria isso?
- Você assinou o acordo querida.
O casamento será apenas Civil.
Não haverá cerimónia religiosa.
- Eu não vou casar Vovó. Que acordo é este que eu supostamente assinei.
Mônica pensou um pouco e então percebeu como isso tinha acontecido.
- A Senhora foi mesmo capaz de fazer isso?
- Já está feito. Quero você linda.
Não tens escolha. O Matias não é um homem que aceita recusas. E digo em todos os sentidos.
Em seguida entraram duas mulheres para preparar Mônica.
Ela estava chocada demais para reagir. Foi tomar banho e após estar vestida a maquiadora começou a trabalhar. Em seguida foi a cabeleireira.
Ela estava realmente linda, mas também profundamente infeliz.
Conseguiu enviar mensagem para Maria Luísa, mas depois teve o seu telemóvel arrancado de suas mãos e desligado.
Por sorte ela sabia de cor o número da amiga e também de Rafael.
Olívia a viu descer e deu um leve sorriso.
- Minha menina. Eu lamento muito.
Ela não respondeu. Estava a sentir - se como uma mercadoria.
Foi levada até ao local onde seria a cerimónia e Matias Molina já estava lá.
- Mônica! Se você recusar casar com ele, algo terrível vai acontecer. E não será apenas com você....- Alice disse pegando na mão dela, mas Mônica puxou como se tivesse nojo.
Ela sentou e não olhou para Matias.
As poucas pessoas presentes notaram o quanto ela estava infeliz e também que fazia aquilo por obrigação.
Ela disse sim e assinou o documento com o seu novo nome: Mônica Molina.
Não houve festa. Apenas um jantar e Mônica recusou - se a brindar ou sorrir para as fotos. Faria uma viagem de lua de mel de uma semana. Não estava disposta a permitir que Matias a tocasse, mas como sua Avó tinha dito, ele era do tipo de homem que jamais aceitaria uma recusa.
O Martírio de Mônica estava apenas a começar.
Teria ela força para se libertar desta prisão?