LAURA EGOROVA
27 ANOS, DIAS ATUAIS - Brooklin, Nova York, EUA
Abro meus olhos com dificuldade por conta da claridade que adentra pela janela do quarto. Durante a noite tive pesadelos como eu não estava tendo fazia anos. Todas às vezes em que, eu acordava minha respiração estava descompassada e minha mente embaralhada tentando raciocinar entre o pesadelo e o real.
— Mais que droga — resmungo.
Pego meu celular e vejo que são cinco da tarde.Preciso regularizar meu sono com urgência.
Me levanto retirando a roupa enquanto faço o percurso até o banheiro, preciso muito de um banho. Fecho meus olhos quando a água quente cai sob meu corpo dolorido, levando toda a sujeira da minha última missão. Que foi inclusive, uma das piores que já fiz.
Desde que, comecei a trabalhar como assassina de aluguel tem sido assim, estou sempre cansada ou de mau-humor, ou até mesmo uma combinação explosiva dos dois. É tão exaustivo que, muitas vezes me pego imaginando como seria se eu deixasse tudo isso no passado.
Deixei um rastro tão extenso de sangue ao longo desses anos, que já não sei mais o que fazer. Além de sentir raiva, causada pela sensação de impotência
Atrapalhei os planos do responsável pela morte da minha família e ele nunca revidou. E em algum lugar dentro de mim eu sei, Ivan Volkov sabe que os inúmeros assassinatos da Angel são por causa dele.
Observo meu reflexo no espelho e noto alguns hematomas pelo meu pescoço, braços e rosto.
Encontro Devil o gatinho de estimação de César o porteiro, esticado na minha cama. Ele ronrona pedindo carinho, quando me aproximo o folgado se estica novamente, deitando de barriga para cima e soltando um miado agudo demais. Ele dorme comigo algumas noites.
— Você é a criatura peluda mais folgada que conheço, Devil — digo acariciando o pelo escuro e macio do meu gatinho.
Ele mia em resposta a minha pequena ofensa e tenho a certeza que se ele falasse a mesma língua que eu, isso seria algum tipo de palavrão. Com o carisma dele, não duvido nada.
Ouço meu celular tocar, pego o aparelho e vejo as mensagens brilharem na tela. Respiro fundo ao encontrar também, as mensagens de minha irmã.
Ignoro as mensagens de Amália, deletando logo em seguida. Essa garota não entende que, quanto mais longe ela estiver de mim melhor ficará? Nós nunca fizemos parte da vida uma da outra e isso não vai mudar só porque ela quer.
Pego meu notebook e me dirijo até a cozinha, ligando o aparelho enquanto preparo uma caneca grande de café preto. Preciso do meu líquido favorito para ficar de pé e aguentar a missão de hoje.
Assim que, abro o arquivo com as informações sobre o alvo, repasso tudo mais uma vez, antes de organizar tudo o que precisarei. Mas, faço uma careta ao notar o quão fácil será.
× INFORMAÇÕES DO ALVO: Hernandez Folsazes, 48 anos, traficante de drogas e carros.
× Hospedado no Brooklyn Bridge.
× Veio antes para encontrar uma de suas amantes, a família estará na cidade daqui há dois dias.
× O alvo tem que ser finalizado imediatamente!
O lado Russo não está de brincadeira, quanto mais os anos se passam, mais eles querem destruir o lado americano e italiano.
Nenhum dos três lados conhecem o meu rosto, os únicos que souberam da minha identidade já estão mortos. Não me orgulho do que me tornei, mas, cada morte, todo o sangue que carrego nas mãos me manteve viva até o dia de hoje.
Olho para a tela do notebook novamente e em um gole só termino meu café. As informações sobre o alvo vão se alto deletar em algumas horas, assim como as mensagens no meu celular. Prefiro assim, sem rastros e também não é como se eu me esquecesse facilmente de quem devo matar e já matei.
Troco minha camisa branca, por uma preta de gola alta, odeio sujar minhas camisas brancas de sangue. Pego uma única arma já que, verifiquei e o i****a reduziu sua segurança.
Eles pedem para morrer...
Como esse tipo de cara é tão poderoso? Tantos inimigos e ele reduz a segurança dele? Sério? Verifico as horas e constato que, ainda tenho algum tempo. Saio do meu apartamento logo após me despedir de Devil.
— Olá, minha menina. — César o porteiro me cumprimenta — Viu o folgado do meu gato?
— Um, ele deve estar na minha cama e dois nosso gato. — o corrijo — Ou já se esqueceu que eu dei um nome para ele?
— Ele já tem um nome e aquele safado se chama Romeu. — resmunga.
Solto uma risada.
— Bom dia César. — abro um sorriso retribuindo seu comprimento o olho reparando em suas roupas — Está de uniforme novo?
— Oh sim — ele passa sua mão enrugada pelo tecido azul marfim do uniforme novo. Antes ele usava apenas uma camiseta branca e uma calça vermelha, tecidos surrados e desgastados — Alguém deixou na recepção, havia um bilhete dizendo ser para mim.
— Ficou muito bem em você — elogio sorrindo.
— Ainda existem pessoas de bom coração — diz.
Fico em silêncio, porque eu não sou uma pessoa de bom coração, apenas estava cansada de vê-lo tão m*l vestido e sendo assim, decidi comprar um uniforme novo para ele. O velho é muito correto e sei que iria tentar me recompensar de alguma maneira, se soubesse que tinha sido eu. Em razão desse detalhe, achei melhor para ambos que o uniforme fosse entregue de forma anônima. O síndico jamais se importou e se aquele vagabundo sequer respirar perto do velho, eu acabo com ele.
César, é uma das poucas pessoas para quem eu faria algo, por livre e espontânea vontade. A minha lista de pessoas importantes é curta demais para ser chamada de lista, visto que:
1. Devil
2. César
3. Amália
Sim, o gato é o primeiro dessa lista, o folgado esteve comigo desde a minha mudança para o, Brooklyn. O adotei pelo simples fato de ele não querer sair do meu apartamento, mesmo já tendo César como dono, fui forçada pelo folgado a aceitar sua presença e, a partir daquele dia eu comecei a ser sua segunda dona.
César é um homem muito bondoso e, o mundo não o merece. Ele é o único homem em quem confio e converso. Incrivelmente sobre absolutamente tudo. Ele é quem mais sabe sobre a minha vida, ou pelo menos o que eu deixo ele saber.
Amália, bom a garota é minha meia irmã, descobri a existência dela há um pouco mais de dois anos. Meu pai apesar de ser ótimo na função foi um marido infiel, mas isso não me surpreendeu. Quando descobri a existência dela, fiquei em parte aliviada, pois acreditei estar sozinha após a morte da minha família.
Minha irmã e eu nos falamos pouquíssimas vezes, mas, sei pelas minhas pesquisas nada sutis que Amália, é uma jovem brilhantemente talentosa e inteligente. Foi por isso que não hesitei em bancar os estudos dela, já que meu pai não está aqui para isso.
Ela não sabe o que faço para ganhar esse dinheiro e nunca vai saber. A menina não merece se envolver nessa vida. É bom que ninguém saiba da existência dela. Assim posso mantê-la longe de toda essa merda.
E para a nossa sorte sou boa demais no que faço para conseguirem rastrear Amália.
Entro no meu carro e dirijo até o supermercado que, fica há poucos quilômetros do meu apartamento. Estaciono em uma das vagas mais próximas à saída e desço pegando apenas minha carteira e chaves.
Deslizo o carrinho pelos corredores, pegando tudo que eu preciso para pelo menos um mês. Odeio vir em supermercados, é entediante e as pessoas sempre estão reclamando de algo. Chego na sessão de limpeza e me agacho para pegar o sabão em pó e água sanitária. Aparentemente tenho sujado muita roupa, sangue não sai com tanta facilidade.
Meus olhos se desviam para um par de botas pretas um pouco distante de mim. Um detalhe tão comum, e já estou em lembranças muito ruins.
Por que nossa mente sempre consegue, nos levar para memórias desagradáveis tão facilmente? Agora mesmo minha mente está insistindo em me levar para memórias que, eu só queria deixar enterradas. Eu queria poder ter o controle disso, mas, simplesmente não consigo permanecer focada quando algo me lembra daquele tempo.
Pisco algumas vezes para me fazer esquecer dessas coisas me levanto entregando o sabão em pó para a senhora ainda de pé reclamando dos preços. Sigo até o caixa pago minhas coisas e levo tudo para o meu carro. Verifico as horas e vejo que, tenho mais algum tempo. E então dirijo lentamente até aonde o alvo estará.
Tento não pensar em Ivan ou nas coisas que ele me fez, tento não sentir toda aquela agonia de novo, mas, é impossível. O ódio que possuo, não só me consome ele também me puxa para um lugar onde nenhuma pessoa deveria ir.
Um lugar que, deixaria qualquer pessoa insana perplexa e horrorizada. Um lugar que deveria ser proibido, mas, que vou sempre quando as lembranças daquele tempo me atingem.
Acerto um soco no volante do meu carro. Um azar essa missão ser tão simples! Estou precisando torturar alguém!
Chego ao local e não demora muito para que eu veja o alvo. Ele está jantando sozinho, mas, pela maneira que olha para o seu celular está combinando de comer a sobremesa em outro lugar.
Me levanto antes dele e aguardo o momento de agir, espero do lado de fora fingindo estar em uma ligação e tenho vontade de rir por esse truque ainda funcionar ainda ser um ótimo disfarce.
A rua está praticamente deserta e as câmeras já foram desligadas por mim. Hernandez sai pela porta do restaurante acompanhado apenas de dois seguranças.
- Hernandez Folsazes? - puxo a arma com o silenciador atirando em seus seguranças.
- O-oque...
- Desculpe estragar sua noite - suspiro.
- Espere...
Dois tiros. Três fotos. Um milhão e meio de dólares na minha conta.
Chego ao meu apartamento depois de duas horas. Vou direto para o meu notebook e apago qualquer outro registro meu feito por outras câmeras.
Me jogo na minha cama novamente, dessa vez preciso descansar ou então não vou conseguir finalizar meu próximo alvo. Minha mente como sempre me joga para as lembranças que, me restaram da minha família. Respiro fundo, deixando que venham a tona.
Preciso disso, para me lembrar do que me tornei, uma arma, imbatível, que, não falha em missões, ganha milhões e nunca teve sua identidade revelada. Temida e odiada. O nome Angel é tão irônico e ao mesmo tempo tão certo. Pois nunca quis levar nenhum dos meus alvos para o céu e sim para o próprio inferno.
Às vezes me sinto esgotada dessa vida, mas, me lembro do que me motiva a continuar.