CAPITULO 4

2097 Words
E tudo voltou à tona novamente... Depois daquela conversa, eu não sabia mais como encarar Brian. A cada dia que passava, vinte quatro horas, não conseguia nem olhar nos seus olhos. Tio Rick percebeu o jeito estranho que eu o servia, mas nada perguntou. A verdade era que eu não queria admitir o que havia comigo. Aquela conversa, o seu olhar penetrante para mim quando disse que era apaixonado por mim, que sempre foi… tudo ficou a embaralhar na minha cabeça, até as noites eu não conseguia dormir. E como eu também era apaixonada por ele... Eu tentava esconder o que eu sentia… apaixonei-me pelo Brian naquele momento… outra vez... Mais uma noite virando de um lado para o outro sem conseguir juntar os olhos. Pensamento em Brian,é claro. Na tarde daquele dia eu vi-o sem camisa cortando lenha, fiquei paralisada contemplando aquela visão pela janela, escondida. Os seus braços eram fortes, musculosos, o seu peitoral parecia ter sido desenhado de tão perfeito que era. Nunca imaginei que Brian se tornaria um homem tão bem perfeito como se tornara. Quase que ele me viu, me escondi as pressas por detrás das cortinas, mas eu quase tinha a certeza de que ele ainda me havia visto observando-o. Que tonta que fui. Sacudi a cabeça afastando aquela visão celestial para longe, eu não podia deixar que tudo ficasse pior. Eu ia embora em alguns dias e Brian também. A gente nunca mais ia se vê. Não ia dar certo. Eu tinha que matar aquela paixão, já havia feito uma vez, podia fazer de novo. Ouvi passos pelo corredor e olhei para porta, vi uma sombra passar. Imaginei ser tio Rick, não deveria estar se sentindo bem.Levantei-me e enrolei-me no roupão de cetim, não me podia apresentar ao tio Rick usando apenas roupa de dormir. Era desrespeitoso. Abri a porta e segui para a sala, era a figura de um homem, mas pela largura das suas costas, não era tio Rick. Ele colocou o pires com a vela em cima do móvel e olhou pela janela. Não pude deixar de reparar o seu físico,Brian usava somente a parte de baixo e um blusão com manga. — Ainda acordada,srta? Perguntou sem nem olhar para trás. — O senhor tem o costume de andar… quase nu… pela casa? Ele olhou-me, o seu olhar causou um efeito que eu não consegui explicar. Virei o rosto quando ele girou o corpo e eu pude ver o seu peitoral peludo às mostras. — Perdoe os meus os trajes. Eu não imaginei que a senhorita estivesse acordada a essa hora. Olhei de relance, mas logo desviei os olhos novamente. Vi um sobretudo do tio Rick em cima da poltrona e o ofereci. Entreguei a ele ainda sem o encarar, ficamos em silêncio por alguns segundos. — Pronto. Já pode olhar. Ele sorria ironicamente. Como se soubesse que me causava algo. — Precisa… de alguma coisa? Ele não parava de me olhar fixamente. —Quer que eu responda? Girou o corpo e deu alguns passos para frente. Sim. Queria que me respondesse. Mas do que precisava? — Um… chá… talvez. Eu m*l conseguia respirar,Brian me deixava desconcertada. — Eu estou bem. Só não estava conseguindo dormir. Sabe, pensamento voa... O que ele quis dizer? — Está bem. Então eu...—ele caminhou lentamente e eu me afastava até ficar encurralada entre ele e a parede. O que ele estava fazendo? Ele estava bem próximo a mim, me olhando como se quisesse me devorar, eu tentava manter a respiração tranquila. —Sabe do que eu preciso, milady? Alisou meu rosto me fazendo arrepiar todo o corpo. Fechei os meus olhos derretida com o seu toque. Os seus lábios quentes e úmidos tocaram os meus de leve. Não sabia como reagir aquela situação, eu nunca havia sido beijada por um homem... todo o meu corpo se acendeu numa chama incontrolável, senti algo muito forte entre minhas coxas, algo que eu nunca havia sentido antes. O que aquele homem me causava? Não sabia explicar, mas era uma sensação boa, forte, que me deixou totalmente molhada... — O que está fazendo? Perguntei afastando-o de mim. Ele me olhou apavorado. — Perdão! Perdão, senhorita. Não sei o que deu em mim. Perdão. Fiquei alguns instantes olhando para ele, queria sair dali ,mas também queria que continuasse. Que poder ele tinha sobre mim... —Boa noite, cavalheiro. Saí as pressas, como se eu estivesse fugindo do d***o. Se eu ficasse mais um pouco ali, não resistiria a tentação. Entrei no quarto batendo a porta, eu procurei manter a calma.Tentava controlar a respiração. Caminhei lentamente até a cama e me joguei nela não acreditando no que havia acabado de acontecer. O que foi aquilo? E porquê eu queria mais? Passei o resto da noite pensando naquele momento... No dia seguinte eu não sabia com que rosto encarar Brian. Enquanto ele fingia que nada havia acontecido. Servi o chá para tio Rick em seguida para Brian, eu não pude olhar nos seus olhos, mas eu os sentia sobre mim o tempo todo. —E então, tio.Estamos perto de irmos embora. Está animado? Ele apenas me olhou desgostoso. Mas eu não podia ir e deixá-lo sozinho mais uma vez. Ele deu um gole no chá e voltou sua atenção ao Brian. Saí dali para que conversassem a sós. Conversa de homens. Aproveitei para cavalgar até a cachoeira que ficava perto do vilarejo, e não resistir em dar um mergulho. Como quando eu era criança... Fiquei sentada na pedra e fechei os meus olhos e ouvir a natureza, minha mãe fazia isso comigo, ela sempre dizia que a natureza tentava nos dizer alguma coisa. O barulho das folhas balançando com o vento, o barulho das cataratas batendo nas águas, o canto dos pássaros, o barulho do vento quebrando na montanha... Barulho de galhos quebrando com os passos... olhei rapidamente para trás e não avistei ninguém. — Quem está aí? Ninguém respondeu. Mas havia alguém ali, eu sentia os seus olhos apontados para mim escondidos entre os arbustos. Levantei rapidamente tentando esconder ao máximo o meu corpo quase nu, corri até minhas roupas e me vestir bem rápido. Dei mais uma olhada ao redor procurando por algo forte e bem resistente para me defender. Mais um barulho, caminhei lentamente até o local, peguei um pedaço de um galho no caminho e continuei, isso mesmo... um galho, a cada passo, mais aflita ficava. Até um camaleão passar correndo por mim me assustando. Respirei aliviada. Era apenas um camaleão... Autora narrando... Palácio Graham Londres  Ao se aproximar do pátio do palácio, Elizabeth Podolsky, filha do falecido conde Ronald Podolsky, a rainha da Inglaterra, avistou a carruagem ostentando na porta o brasão da família e teve um estranho pressentimento. Estranhou por completo a visita inesperada. O fato era que Thomas havia ido embora há anos abandonando o filho de apenas dez anos de idade e nunca envou uma carta se quer do seu paradeiro, nem mesmo para saber do filho. Elizabeth praguejou baixinho e imediatamente censurou-se. Era um linguajar impróprio para uma rainha. Não era apenas uma visita, se Thomas retornou à Londres, certamente com um propósito, que lógico,era favorável a ele. —Majestade!—Thomas reverênciou a realeza e se aproximou sorrindo. —Minha querida irmã. —O que faz aqui,Thomas? Ele recuou uns passos para trás levantando as mãos em redimento. —Como assim? Vim porque soube da morte do rei,meu cunhado. —É mesmo? O rei faleceu há quatro dias. —Ah querida irmã.Eu estava muito longe da Inglaterra.Assim que a notícia saiu,vim imediatamente. Mas...só pude chegar hoje. Que cara de p*u. Pensou. —Como está? Se aproximou da irmã e segurou sua mão. Elizabeth conhecia muito bem o picareta que era seu irmão mais novo. —Thomas,hoje é a coroação do Alaric,não quero que ele te veja antes de eu falar com ele. Entendido? —Como quiser,majestade. Thomas foi irônico. Elizabeth ficou uns instantes olhando para ele, nem ao menos perguntou pelo filho.Não entendia o por quê de estar ali. Logo após a cerimônia da coroação, houve um banquete para os nobres da região, todos os nobres e famílias estavam lá, participando da festa junto a vossa alteza que estava sentado ao trono segurando seu cetro de ouro e usando sua coroa luxuosa rodeada com pedras de diamantes vermelhos, ao seu lado,sua jovem esposa. A nova rainha não tirava o seu sorriso simpático dos lábios,enquanto Alaric estava sério, olhando a todos a em sua volta. Se dependesse dele, certamente não estaria ali... Alaric era mimado, acostumado a ter tudo que queria e mais um pouco. Se queria o céu, ainda lhe davam as estrelas de brinde. Famoso entre as mulheres do reino,um garanhão que nunca havia ganhado um "não" das mulheres que queria para esquentar sua cama. E naquele momento era o rei de toda aquela gente.Governaria um país inteiro.Teria que ser responsável, ganhar o respeito dos seus súditos, mostrar interesse nos assuntos políticos, que odiava. Nada de noites de farra com seu primo James,nada de mulheres que se matavam para passar uma noite com o rei, nada de virar as costas para as situações do dia a dia. Todas essas palavras foram ditas pela sua mãe algumas horas antes da cerimônia, onde levou uma bronca por dormir com duas mulheres ao mesmo tempo. Principalmente,respeite sua rainha.É ela que vai governar ao seu lado. Alaric olhou para Maggie que continuava com o sorriso no rosto,acenando para os seus súditos que lhes reverenciavam. Ele odiou seu pai quando chegou com Maggie Stanford e lhe deu como sua noiva. Filha do duque de Langdon da Grã-bretanha,e também amigo do falecido rei Graham. Alaric se viu obrigado a fazer o que o pai lhe ordenara.Casar-se com Maggie,pagaria uma dívida a qual quase escandalizou o sobrenome Graham.Alaric havia se metido com uma mulher de um nobre amigo de infância do rei,e toda a sociedade foi por água a baixo fazendo o rei perder uma fortuna. O caso só não espalhou porque o barão era muito reservado,mas foi embora de Londres para evitar o vexame e mandou a esposa traidora para um convento. O casamento com Maggie Langdon,foi a salvação do velho Graham. —Majestade! Alaric olhou para Elizabeth com um olhar de reprovação. —Mamãe,por favor.Não precisa de formalidades comigo. —Você é o novo rei! —Mas antes eu sou seu filho.—ela o encarou sem mais nada dizer.—O que deseja? —Tem algo que precisa saber. Elizabeth cochichava olhando ao redor.Alaric acompanhou seu olhar até a porta da entrada para o salão. Se levantou afoito ao reconhecer o rosto picareta do seu tio Thomas. —O que esse homem faz aqui? Os músicos pararam de tocar e todos olharam para o homem que ficou surpreso com tantos olhares. —Majestade!—Thomas se curvou diante do rei em reverência. —Vim prestigiar o meu sobrinho, agora rei. —É muita audácia da sua parte não acha? Guardas! Imediatamente estavam diante do rei. —Tirem esse homem daqui! Ordenou se sentando ao trono lentamente. —Minha irmã,não vai interceder por mim? Elizabeth apenas olhou para seu filho. —Não há nada que eu possa fazer,ele é o rei agora. Os guardas agarraram em seus braços e o arrastavam pelo salão enquanto ele tentava se soltar. —Esperem! James Podolsky surgiu no salão e parou diante dos guardas que continuaram segurar Thomas. —Jamie?Meu filho?Veio interceder por mim? James se aproximou e o encarou por alguns segundos. —Não!Eu só quero lembrar do rosto do homem que me abandonou quando eu ainda era um menino.E ter a certeza de que eu ainda continuo o odiando. —Jamie.Eu... —Podem levar esse homem. James abriu o caminho e não olhou para trás enquanto seu pai chamava por ele. Elizabeth caminhou até ele e segurou seu rosto com as mãos. —Eu juro que eu não sabia que ele ia aparecer. —Não se preocupe,tia.Eu sei o motivo de ter aparecido. —Você está bem? Alaric perguntou de onde estava. —Sim,majestade. Respondeu com um sorriso. —Ótimo.Continuem a música. *** Maggie estava sentada em uma poltrona no corredor olhando para a porta fechada de onde se ouviam gemidos.Estava tão acostumada a sentar naquela poltrona e ouvir seu marido se distraindo com outras mulheres que para ela se tornou uma rotina se martirizar. Todas as noites,na mesma hora,no mesmo quarto... Só saia dali quando não ouvia mais os gemidos.Ficava ali o tempo todo pensando onde estava errando para o marido não sentir com ela o que sentia com as outras...
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