CAPITULO 6

2315 Words
A semana não demorou muito a passar,porém,eu vivia cada dia como se fosse meu último.O semblante do rei quando lhe dei a bofetada não saía da minha cabeça.Ele me deixou ir,mas eu tinha um pressentimento de que algo muito r**m ia pairar sobre mim a qualquer momento. Eu precisava ir embora o mais rápido possível. Mas Brian não resolvia nunca o que tinha que resolver, eu não contei a ele o que houve naquele dia na cachoeira,o que ele podia fazer? O rei tinha o poder de decretar minha morte e até de Brian,se intercedesse por mim. Alaric era c***l, vi em seus olhos quando apontou para mim,e com a convivência no palácio, tive a confirmação. Tudo tinha que ser do jeito dele,e se não tivesse o que queria,ele libertava o seu demônio... Tio Rick não estava bem naquele dia,nem foi para o armazém,ardia em febre e não queria comer nada.Preparei um desejum com pão e queijo,mas não quis. No almoço preparei uma sopa de espinafre para fortalecer,mas nada o animou.Tossia muito e a febre era persistente. Eu queria ir até o campo para colher umas ervas para um chá,mas Brian não aparecera desde manhã. Por onde ele andava?o que tanto fazia? No finalzinho da tarde tio Rick finalmente conseguiu dormir um pouco,aproveitei para ir ao campo colher as ervas.Eu ia sempre com minha mãe, ela me explicou o efeito do chá com aquelas ervas,era um calmante. Estava quase acabando de colher as ervas quando ouvi calvagadas se aproximando.Olhei em direção e vi Brian montado em seu cavalo,vinha em minha direção, extremamente sedutor com seus cabelos desgrenhados pelo vento. —O que faz por aqui e sozinha? Brian perguntou sério olhando ao redor. —Eu que pergunto por onde andou dia inteiro? Olhou para mim engolindo a seco. —Resolvendo...coisas. Por que eu não acreditei? —Tio Rick não está bem.Vim buscar esses ervas para um chá. Nesse momento um estrondo nos avisou que a chuva não ía demorar a cair. —Venha.—estendeu a mão para mim. —Vamos para casa. —Vim montada em donzela.Ela está ali...—olhei em direção ao local onde deixei donzela pastando.—Onde ela está? Olhei ao redor procurando pela minha égua que ganhei de presente do meu pai quando fiz dez anos. —Uma dama espanhola que sabe cavalgar. Brian ironizou. —Como se não soubesse.Esqueceu que era você que me ensinava quando meu pai estava ocupado? Ele soltou um sorriso saudoso. —Não.Claro que não esqueci. Gotas grossas começaram a cair. —Vamos,Alana.Encontraremos donzela pelo caminho. Peguei sua mão e Brian me puxou para seu cavalo. A chuva começou a cair forte, não conseguiríamos chegar em casa,Brian pegou um atalho entre as árvores até chegar em uma mina abandonada, como ele sabia daquele lugar? Ele desceu do cavalo e me pegou em seu colo,me descendo lentamente,até nossos lábios se encontrarem.Me afastei um pouco e o encarei.Seu rosto escorria água que caía dos seus cabelos.Estávamos um pouco molhados.Passei a mão em seu rosto e olhei ao redor. O lugar era bem espaçoso, mais a frente havia um resto de fogueira apagada recentemente.Não era tão abandonada assim. —Parece que não é só você que conhece esse lugar. Brian acabou de amarrar seu cavalo e seguiu até a mim. —Sim.Como nós,muitos vêm se abrigar aqui. —Eu nunca imaginei esse lugar.Como o achou? Ele envolveu minha cintura em seus braços. —No dia que você foi embora.Eu teria te mostrado,mas você já tinha ido. —Sério? —Ouvi uma lenda sobre esse lugar. Girei meu corpo e olhei em seus olhos. —Me conta? —Diz a lenda que o rei da Irlanda teve três filhos gêmeos,porém bastardos.No começo foi uma alegria só,pois era muito difícil de acontecer.E o rei foi abençoado por ter logo três homens de uma vez.Quis o destino que ele não tivesse um herdeiro real.Assim decretou que seus filhos bastardos eram os únicos herdeiros da sua riqueza.Mas os meninos foram crescendo e com eles a ambição. O problema era,quando o rei morresse?quem herdaria o trono? Viviam brigando entre si.E o rei ainda não havia morrido.Então ele teve uma idéia.Vendo que seus filhos não se importavam com nada além do poder,da riqueza, o rei pegou todos os ouros,pratas,toda sua riqueza e escondeu num lugar muito secreto,somente ele sabia onde encontrar.Nos seus últimos dias de vida,desenhou um mapa indicando o lugar do tesouro e também o escondeu.Deu para os seus filhos, para cada um, uma pequena pista de onde encontrar o mapa.Quem encontrasse o mapa, encontraria o tesouro,e se tornaria o dono de tudo.Governaria toda Irlanda.Porém,as pistas dadas pelo rei eram um enigma.E tudo ficou complicado. —Como assim? —As pistas estvam nas pedras, cada uma estava escrita em hebraico. —E o que estava escrito? Brian estendeu sua capa no chão e me conduziu a sentar ao seu lado. —Como saber? —Então.Não encontraram o mapa? —A ambição pelo tesouro foi tanta que nenhum deles casaram e nem tiveram filhos.Morreram tentando.Mas antes,cada um escondeu sua pedra para que ninguém encontrasse.Só que eles não sabiam que se juntassem as três pedras,saberiam decifrar o enigma.Então os três encontrariam o tesouro e teriam que aprender a dividir. —Interessante.Mas o que essa mina tem haver? —Há pouco tempo,correu um boato de que alguém encontrou uma das pedras escondida aqui. —Então,alguém está procurando o tesouro. —É só uma lenda,Alana. Uma rajada de vento assustou o cavalo que relinchou em um eco.Um raio caiu bem perto dali,derrubando uma árvore aos nossos olhos. Me apavorei,Brian me abraçou num reconforto,tentando me acalmar. Pude ouvi as batidas do seu coração acelerando enquanto me acomodava nos seus braços. —Seu coração está batendo tão forte. Ele respirou fundo. —É você!Eu não consigo me manter quando estou com você.Em meus braços. Subi meu olhar para o dele.Brian me olhava com ternura,com amor,com desejo...alisou meu rosto,seu toque despertou meu íntimo,atiçando uma chama incontrolável. Fechei os olhos sentindo a suavidade que me transmitia. —Brian...—foi mais um sussurro. —Eu te amo,Alana Dewit.Eu quero ficar para sempre com você. Abri os olhos me derretendo. —Sempre? —Para todo o sempre...! Ele me beijou e eu não resisti.Eu o amava.Eu o queria.Eu o desejava tanto naquele momento. Senti a mão do Brian desabotoando meu vestido,eu não podia deixar aquilo acontecer,mas Brian me desarmou quando foi descendo seus lábios passando pelo meu pescoço,parando em meu ombro nu. Ele parou de me beijar e se afastou,foi tirando seu colete e em seguida sua blusa, sem tirar os seus olhos de mim. Eu não podia deixar acontecer.Mas Brian estava exercendo um poder sobre mim que eu não conseguia evitar. Erámos só nós dois...Brian voltou a me beijar delicadamente,fui perdendo as forças, até me entregar por inteiro. Foi mágico,foi intenso,foi verdadeiro... **** Autora narrando... Palácio Graham Londres Era a milésima vez que Alaric se pegou pensando nela.Mulher era sua especialidade, mas Alana tinha um total poder sobre ele que não conseguia entender. Nunca havia se sentido daquele jeito por ninguém, seduzia as mulheres,deixava loucas por ele,dormia com elas e só.E não fazia esforço algum para tê-las em sua cama.Alaric tinha seu charme,uma beleza exuberante,todas de Londres caíam aos seus pés, até brigavam entre si para disputar a preferência do rei. Alaric estava sentado à mesa olhando para frente,completamente fora de si.Maggie apenas observava seu marido,ela sabia que pelo semblante,estava pensando em mulher.Sua próxima presa. Para Maggie era humilhante. Não suportava mais tanto desprezo,tanta humilhação. Todas do palácio riam dela,a maioria já havia aquecido a cama do rei. —Meu senhor? Maggie tocou em seu braço suavemente, despertando-o para o mundo real.Ele olhou para ela meio de canto.—A condessa Madeline me convidou para um chá amanhã à tarde.Peço permissão ao rei,meu marido para ir até lá. —Claro. Voltou sua atenção para o nada. Maggie achava certo.Alaric pensava em sua próxima presa. —Aconteceu alguma coisa,meu senhor? —Nada. Respondeu à seco.Maggie sabia que não era nada.Deu um gole no suco sem tirar os olhos de Alaric. —Posso sentir seus olhos sobre mim. —Só estou preocupada com meu marido.—deu uma pequena pausa. —O que posso fazer para agradar meu senhor? Alaric olhou para ela,seus olhos estavam suplicando por atenção,ardia de desejo. —Mas o que é isso?És a rainha,se comporte como uma! —Antes de rainha sou sua esposa.E nunca se deita comigo. —Esqueceu que nosso casamento foi consumado? —Mas só naquela vez.De lá para cá...a cada dia é uma mulher diferente.Não imagina o que sinto ouvindo seus gemidos de prazer com outras mulheres enquanto a mim,me despreza como um cão sarnento.Como posso lhe dar um herdeiro? Alaric ficou inquieto com tanto atrevimento.Ele era o rei,ela não podia falar com ele daquele jeito. Maggie percebeu a loucura que fez,questionar o rei daquela forma.Levou a mão na boca arrependendo do que falou. —Perdão,meu senhor!Eu não queria falar isso... —Como se atreve? Alaric perguntou se levantando.Ficou uns instantes encarando Maggie,seus olhos fumegavam de raiva.Os da Maggie mostraram apavoro,provocou uma ira desnecessária. —Majestade! James entrou na sala de jantar reverenciando as realezas. —James.Espero que tenha uma boa notícia para me dar. James olhou para a rainha que naquele momento estava cabisbaixa pensando no que acabara de fazer. —Sim,majestade. —Ótimo.—deu um passo para frente, antes de se retirar,olhou para Maggie irônico. Alaric entrou no gabinete seguido por James que fechara a porta atrás de si.A chuva ainda caía forte no começo da noite.Alaric deu uma olhada pela janela e em seguida voltou sua atenção ao primo. —E então,James. —Alana Dewit.Perdeu os pais para peste em 1800,foi para a Espanha e viveu por dez anos lá.Está de passagem para cuidar do tio que aparentemente não está bem. —Alana Dewit.Belo nome quanta a dona.Você disse que está de passagem? —Sim. —Significa que ela vai voltar para Espanha. —Está só aguardando o tio vender o armazém e resolver algumas coisas. —Isso não pode acontecer,James. —Alaric.O que pretende fazer? —Ela tem que ser minha,James. —Você está falando da senhorita que te deu uma bofetada. Devia mandar enforcá-la por atrevimento. Alaric deu um sorriso diabólico. —Eu tenho planos,irmão. Os dois riram.Alguém bateu na porta desesperadamente.O comandante da guarda real entrou assim que Alaric autorizou a entrada.Ele reverenciou o rei e olhou para ele assustado. —O que houve,comandante? —A pedra,majestade.Foi roubada. —O quê? Como assim foi roubada? —Um grupo de mascarados, majestade.Renderam os soldados que estavam em guarda. —Como um grupo de mascarados conseguiram render os soldados mais preparados de Londres?Os soldados que deveriam defender a unhas e dentes tudo referente ao rei? —Foram...pegos desprevenidos,majestade. —Desprevenidos?Desprevenidos.Ouviu isso,James?É inaceitável uma falha dessa.Quero todos mortos,comandante.Todos que estavam em guarda. TODOS. —Alaric,acalme-se. —Como posso me acalmar,James?Você sabe o quanto foi demorado encontrar aquela pedra. Estou anos procurando essas malditas pistas, e quando finalmente encontrei uma,um bando de homens mascarados me roubam dentro do meu próprio palácio.Os soldados que foram muito bem treinados para proteger, se deixaram render. —Como eles conseguiram chegar até o palácio? James perguntou. —Não..sei. Talvez alguém que conheça muito bem o palácio. —Saia daqui,comandante.SAIA! Sem pensar duas vezes,o homem saiu num galope. —Inacreditavel.Bando de incompetentes. —Calma,Alaric.Eu não entendo.Você tem a maior riqueza da redondeza.Reina toda a Inglaterra.Por que quer aquele tesouro? Alaric estalou os dentes. —Eu não queria o tesouro.Na falta de um governante,Londres domina Irlanda.Ou seja,eu. —E se alguém encontrar,você deixa de reinar sobre Irlanda! Alaric olhou para a chuva caindo lá fora. —Agora não importa mais,James. Houve um breve silêncio na sala. —Que tal uma cerveja? *** Já era tarde da noite quando Alaric finalmente se destrancou do gabinete.James já havia se recolhido algumas horas. Enquanto caminhava pelo corredor do palácio, Alaric pensava no dia difícil que tivera.E em Alana é claro. Ela o enfeitiçou de uma maneira inexplicável. Enquanto a não tivesse não sossegaria.Alaric decretou a si mesmo. Entrou em seu quarto e se deparou com uma moça completamente exposta diante de ti.Ele a olhou de cima a baixo,era bem linda,certamente dormiria com ela se não fosse uma das damas de companhia da sua rainha. —O que faz aqui? —A rainha me mandou como um pedido de desculpas,majestade. A pobre moça falou num sussurro sem encarar o rei. Alaric se aproximou da menina que certamente não tinha experiência alguma na cama.Não era bem o tipo de Alaric. E ele sabia que as damas de companhia da rainha eram inexperientes. —Vista-se. —Não gostou de mim,majestade? —Você é linda.Mas hoje não. Nunca. A jovem obedeceu, se enrolou em sua capa e saiu. Alaric ficou pensando nas palavras de Maggie durante o jantar.Foi um atrevimento de sua parte,mas sentiu o desespero dela.No fundo,admitiu que estava certa,como podia lhe dar um herdeiro? Maggie estava sentada diante do espelho enquanto suas damas acabavam de pentear seus cabelos.Estava pensando no que o rei estava fazendo com a jovem que lhe enviou.Escolheu a mais bela para ele.Esperava que lhe perdoasse pelo atrevimento. A porta do quarto abriu,Maggie olhou pelo reflexo do espelho e não acreditava no que estava vendo. —Meu senhor? Alaric entrou e ficou olhando para Maggie que acabara de levantar e se virar para ele. —Saiam. Alaric ordenou para as três jovens que estavam ali. —Está perdoada, minha rainha.Mas não precisava fazer o que fez.Eu nunca me deitaria com suas damas. —Achei que seria do seu agrado,meu senhor. Alaric se aproximou,e pôde observar a beleza de sua rainha. —Quer me dar um herdeiro? Maggie estava ficando ofegante.Ele alisou seu rosto, Alaric nunca havia lhe tocado daquele jeito e pela primeira vez a beijou. Naquela noite,depois de meses,Maggie foi a mulher que despertou o desejo do rei...
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