CAPITULO 7

3024 Words
Brian estava sentado à mesa tomando café.Respirei fundo e entrei na cozinha.Impossível não ficar nervosa com os olhares de Brian para mim todo o tempo.Eu não sabia como o encarar. Nosso momento na mina abandonada foi maravilhoso,Brian foi carinhoso,cuidadoso,amoroso... Repetiu várias vezes que me amava,que queria estar comigo para sempre...eu me entreguei a ele,de corpo,alma e coração.Eu pertencia a ele e ele me pertencia.Nos amávamos... Embora algo me incomodava por dentro,não fizemos certos,não era para ter acontecido.Não que me arrependi,mas aos olhos de Deus é pecado,a mulher deve se manter pura até o casamento,para que depois o ato seja consumado com seu marido. —Está tudo bem? A voz do Brian me trouxe de volta. —Está sim.Por que? Não consegui olhar nos eus olhos. —Está tão inquieta. —Só estou... preocupada,com tio Rick. —Só isso? Subi de relance meu olhar para encará-lo. —Só Brian.—voltei minha atenção a bandeja que eu estava preparando para tio Rick.—Vou levar o desjejum do tio Rick. Saí sem olhar para trás. Dei três toques na porta e tio Rick permitiu minha entrada.Ele estava com um semblante melhor,já não tossia tanto,aquelas ervas que colhi no campo ajudaram bastante.Abri um sorriso para ele o cumprimentando,ele retribuiu com um sorriso mirrado.Foi difícil convencê-lo a ficar em casa naquele dia.Ele ainda não estava cem por cento,e eu não queria que ele tivesse uma recaída,ainda mais com o tempo frio que estava naquela manhã. Mesmo doente estava preocupado em abrir o armazém.Precisava pagar as dívidas que estavam se apertando cada dia mais,e ficar um dia sem abrir o armazém,seriam algumas moedas a menos e tio Rick estava atolado até o pescoço. Eu não conseguia entender,como tio Rick se complicava tanto em pagar suas dívidas? Brian e eu nos responsabilizamos pelo armazém naquele dia. —Onde eu deixo esse saco de arroz? Não fazia idéia.Só tio Rick sabia onde colocar as coisas no seu devido lugar. Olhei para Brian segurando o saco de arroz. —Coloca lá no depósito Brian.Pega o corredor na segunda porta a direita. Ele passou por mim,mas antes parou e me deu um beijo demorado.Eu sorri e ele seguiu sorrindo também. Aquele dia estava sendo exaustivo,era o dia de entrega das mercadorias e a todo instante chegava uma carroça trazendo mais coisas.Brian achava graça enquanto eu me enrolava toda.Parecia ser tão fácil para tio Rick. Tudo se complicou ainda mais quando não tinha mais dinheiro para pagar as mercadorias,tive que devolver muitas coisas. Finalmente as horas passaram e o final da tarde chegou.Pedi ao Brian para verificar quantas mercadorias ainda sobraram no depósito enquanto eu finalizava o custo do dia.Havia saído mais do que entrou no caixa.Tio Rick tinha mesmo que vender o armazém,ele não estava dando conta. Ouvi passos de alguém entrando,eu havia esquecido de fechar a porta. —Desculpe senhor,já fechamos. O homem parrudo e muito bem vestido pareceu não entender.Se aproximou do balcão e tirou o chapéu me olhando cauteloso. —Senhorita,estou procurando uma pessoa.Me informaram que aqui eu conseguiria saber mais. Franzi o cenho,olhei ao redor,torcendo para que Brian surgisse,pois aquele homem me causava arrepios. —Não sei se...posso ajudar... —O senhor Dewit se encontra? —Não.Ele está...debilitado. —Senhorita,estou procurando meu filho.Achei que estivesse numa pousada,mas lá me disseram que há dias ele não está mais lá.Então me disseram que o Sr.Dewit saberia me dizer. Olhei bem seus olhos,mas eu não sabia o que responder. —Que indelicadeza.Nem me apresentei.Sou George Leonel,Conde da Grã-Bretanha. George Leonel. Só podia ser o pai do Brian. Estiquei minha mão para ele que logo a levou em seus lábios. —Alana Dewit,milorde. —Encantado. —Está tudo certo,Alana... Brian paralisou quando deparou com seu pai bem diante de nós. —Pai? —Aí está você! Seu tom de voz não foi muito gracioso.Algo dizia que o Sr.Leonel não estava ali só para uma visita. —O que faz aqui? —Com o que eu faço?Vim atrás de você,seu irresponsável.Você está as vésperas do seu casamento e sumiu. Arregalei os olhos já aflita. —Casamento? Brian m*l me encarava. —Pai...vamos conversar à sós... —Eu não vim conversar,Brian.Vim te buscar. —Espera aí.Você vai se casar?É isso? —Alana,eu posso explicar... —Explicar o que,Brian?o que você tem com essa senhorita? Brian não sabia o que responder. —Ele...me pediu em casamento,senhor. Soltei num sussurro. —Você o quê?Brian,você já está noivo!casamento marcado com a Lady Beckham. Era demais para mim.Saí dali as pressas já não segurando o choro.Brian gritava meu nome,mas eu nem olhei para trás.Só queria saí dali o mais rápido possível. Corri até a praça e me sentei no banco tentando recuperar o fôlego. Ele estava noivo.Ia se casar com outra.Como pôde me enganar?Dizia que me amava,queria ficar comigo para sempre,eu me entreguei a ele.. —Meu Deus! Eu estava perdida.Desesperada.Angustiada.O que eu ia fazer? —Alana! —Sai Brian!Me deixa em paz! Tentei correr novamente.Mas ele me segurou nos seus braços. —Solte-me!deixe-me ir! —NÃO!Não sem antes me explicar... —Explicar?Você me enganou,Brian.Mentiu para mim. Desabei em lágrimas. —Oh meu amor.Não faz isso por favor.Não chora assim. Ele limpou minhas lágrimas com o dedos segurou meu rosto entre as mãos. —Por favor,me deixa explicar tudo.E depois,se não quiser mais me ver...eu vou embora para sempre da sua vida.Eu prometo.Eu prometo. Respirei fundo tentando controlar minhas lágrimas que insistiam em cair. Fui sentando no banco devagar conduzida pelos braços de Brian que se sentou ao meu lado em seguida. Eu queria ouvir qual explicação ele teria.Por que havia me enganado de uma forma tão c***l. O que eu havia feito para que me punisse com tamanha maldade? Qual foi meu erro...? *** Brian m*l me olhava nos olhos... O silêncio entre nós pairou por alguns momentos... Eu esperava uma explicação, mas também queria sair correndo dali, eu não queria explicações...ou queria...? Existe uma explicação para essa situação? Finalmente começou a falar, eu m*l ouvia sua voz, pois sussurrava olhando para suas mãos... Levou alguns segundos dizendo que me amava, e que queria ficar comigo para sempre e blá blá blá... Juro que eu queria arrancar sua cabeça fora, não aguentava tantas mentiras. Como me enganou. Estava noivo, ia se casar com outra pessoa...Eu o amava intensamente, mas naquele momento, a mágoa é a dor da traição estava abafando todo o amor. Então, Brian explicou. Ou mentiu outra vez...eu me levantei e saí. E no dia seguinte...eu não o vi mais... Acordei aflita naquela manhã, sonhei com Brian, mais uma vez. Como todas as noites desde quando o vi pela última vez, ele foi embora e nem ao menos se despediu de mim. Ele havia deixado uma carta com tio Rick para entregar, carta que eu demorei meses para ler. Eu estava muito decepcionada com Brian, mas ao mesmo tempo eu queria entender o que estava se passando com ele. Brian estava sendo obrigado a se casar para pagar uma dívida alta que o pai estava devendo. O conde da Grã-Bretanha estava totalmente falido e endividado ,sua esperança era o casamento de Brian com a lady Beckham, a filha do duque de Edimburgo da Escócia. Era o duque mais poderoso da Grã-Bretanha, o Sr.Leonel não perdeu tempo em apresentar logo o filho. Claro que o lorde Beckham não fazia ideia que o poderoso conde estava falido... Enfim. Brian não tinha outra opção a não ser obedecer seu pai. Até começar a procurar pelo tesouro do rei Luís. Era o que fazia todos os dias, procurava pela última pedra para completar as pistas, sabia que a mesma estava no palácio Graham. Por isso voltou a Londres... Brian queria encontrar o tesouro para ser livre do pai, ser independente, para não ser obrigado a se casar forçado. Mas o tempo não foi o suficiente. —Você mentiu, Brian. Não ia para Espanha comigo. Queria encontrar o ouro para dominar a Irlanda! —Sim. Era essa minha intenção. Mas eu não sabia que encontraria você aqui.Então...eu só queria o ouro para poder ser livre e me casar com você, meu amor. Ir para Espanha, nos casarmos, ter nossa família e ser feliz ao seu lado para sempre... Tio Rick me tirou do transe falando algo que não prestei atenção. Fiquei olhando para ele sem saber o que disse. Foi então que um homem muito bonito se aproximava do balcão, era muito elegante, suas roupas eram luxuosas, cheirava a riqueza. Mas o que um nobre estava fazendo ali? —Bom dia. —Bom dia, milorde. Ele sorriu educadamente. Olhei para ele e sua face não era estranha. Eu já o havia visto. Mas onde? —Sou apenas um humilde servo, senhorita. Um humilde servo? Olhei de cima a baixo para ele. Reparando cada detalhe de sua roupa, não me parecia um humilde servo. —Venho em nome do rei Alaric... Franzi o cenho. E veio a memória a bofetada que eu lhe dei alguns dias atrás. Sim. O homem a minha frente era o mesmo que desembainhou sua espada para mim. Comecei a tremer as pernas, m*l conseguia ficar de pé, fui obrigada a me segurar no balcão. O rei decidiu me matar. Só podia ser. Ele não havia esquecido o que eu fiz. Eu não sabia de quem se tratava, pensei que fosse um psicopata quando me agarrou, eu só me defendi... —A mando do rei? Tio Rick perguntou se aproximando confuso. —Sim, senhor. Olhei para tio Rick, ele ia me matar e depois mataria meu tio, e colocaria fogo no armazém com nossos corpos para parecer que foi um acidente... —Trago aqui um convite para a senhorita. Olhei incrédula para o papel dourado brilhoso e selado estendido para mim. —Um...convite? Nem percebi quando o peguei da mão do "humilde servo". Eu não estava acreditando. Eu o esbofeteei e ao invés de matar-me envia um convite? —Sim. O rei fará um banquete e gostaria que comparecesse a corte. Tio Rick pegou o convite da minha mão sem entender nada. —Sim. Esta selado com o brasão do anel do rei. —Claro ,senhor. Porque foi o próprio rei que selou. Olhei para o homem a minha frente. Eu ainda não acreditava no que estava acontecendo. —Irei buscá-la amanhã às dez da manhã para que a preparem para o banquete. E não se preocupe com o que vestir, tudo será providenciado. O homem olhou para tio Rick e curvou de leve a cabeça em cumprimento e olhou para mim reverenciando-me num gesto de cavalheirismo e se virou. O rei...como? Lembrei de suas últimas palavras naquela vez na cachoeira... A gente se vê... Claro, pretendia algo e não era me matar. Já teria feito. A fama do rei era de um verdadeiro cafajeste, usava as mulheres como um objeto s****l, somente para o seu prazer, as deixando de lado depois. Já ouvi tantas mulheres suspirando de amor por ele, depois de ter passado em sua cama, sofrendo por estarem apaixonadas por alguém que só se importava em satisfazer seus caprichos. E ele estava querendo fazer o mesmo comigo...Não. Eu não podia ser mais uma para ele. Eu não podia me sujeitar aquilo...NÃO. Comigo ele não ia brincar... —Senhor...—o homem já estava saindo quando eu gritei. Ele se virou e deu uns passos para frente parando em seguida. —Pois não? —Avisa ao seu rei que eu não posso comparecer ao banquete. Estendi o convite para ele que me olhava não acreditando. —O que disse, senhorita? Perguntou rígido. —Eu não vou a esse banquete. Meu tio está doente e eu não posso deixá-lo sozinho. Ele levou seus olhos para tio Rick sem mover a cabeça. — Querida, não se preocupe comigo. Eu vou ficar bem. —Não tio. —Não pode cuidar de mim o tempo todo. Você precisa se distrair um pouco e... —Eu não vou, tio. Olhei para o homem que naquele momento olhava para fixo para mim. —Agradeço pelo convite. Mas não poderei comparecer a corte. O homem levou as mãos para trás e se aproximou um pouco mais. —Está recusando o convite do rei? Seu olhar me causou arrepios. —Peça perdão por mim. Mas não posso deixar meu tio sozinho. Houve um breve silêncio. Foram intensos aqueles segundos. O homem pegou o convite da minha mão sem tirar os olhos de mim. —Tudo bem, senhorita. Darei sua explicação e pedirei perdão em seu nome. Mas eu não garanto que o rei entenderá e, muito menos, aceitará seu perdão. Ele virou e saiu às pressas. Pude respirar fundo outra vez. —Filha, por que fez isso? —Porque eu sei muito bem o que o rei pretende tio...se distrair, e eu não quero ser a diversão da vez. —Só espero que ele não se sinta ofendido. —Claro que não, tio. Por que se ofenderia com minha recusa? Ele é o rei. E eu sou uma simples camponesa. Acha mesmo que se importará? Certamente escolherá outra para...atender seus caprichos. —Espero que tenha razão, filha. Ou então... poderá ter consequências. Pensei alguns segundos nas palavras do tio Rick.O que o rei poderia fazer? Talvez, aquele convite foi uma forma de eu pagar pelo tapa que eu lhe dei...eu deveria ter aceitado...tudo poderia ser diferente... *** —Eu te amo, Alana. Tenha um pouco de paciência. Eu vou consertar tudo e prometo que a gente vai ficar juntos...Me espera, meu amor...! Eu já não aguentava mais sonhar com aquele momento. Às últimas palavras que ouvi do Brian naquele dia, antes de me levantar e fugir sem dizer uma palavra. Eu deveria dizer alguma coisa, mas o que? Te perdoo, Brian... Mas eu estava magoada demais para dizer alguma coisa, muito menos para perdoar. Eu me senti enganada porque ele podia ser sincero. Talvez se me contasse desde o início...podia ter sido diferente. Eu entenderia...até esperaria o tempo que fosse por ele. Ele se casaria, pagava a dívida do pai e logo pedia o divórcio. Claro que não seria fácil, era a filha de um duque. Mas ele estava disposto a lutar para ficarmos juntos...Ou se encontrasse o ouro do rei Luís, nem precisaria se casar... Mas quis destino que fosse desse jeito... Mas logo tudo será esquecido. Faltava pouco para o armazém ser vendido e eu voltaria para a Espanha e levaria tio Rick comigo. Só de pensar que em breve veria meus anjinhos outra vez...eu já sentia uma pontada de felicidade no coração. Estava acabando de pentear meus cabelos quando tio Rick bateu na porta. Ele surgiu nítido com um sorriso descontente, mas tentava esconder. Caminhou até a poltrona que havia no meu quarto e me olhou mirrado. —O que houve, tio? Perguntei preocupada. —Fui ao armazém encontrar com a Sra.Pirce. Para acertar os últimos detalhes. —O senhor disse que só falta assinar a papelada. —Sim. Mas eu não sei o que aconteceu. A Sra.Pirce desistiu. —Como assim? Ela parecia estar certa, tio! —Pois é ,filha. Mas ela não vai mais comprar. —Tio Rick segurou em minhas mãos. —Eu sinto muito, filha. —Oh tio. O senhor não tem culpa de nada. —Eu sei que você está aflita para ir embora. Mas, eu preciso pagar o que devo. Vão descobrir os impostos atrasados. Tio Rick havia se complicado demais. Era viciado em jogos e vinhos, enquanto apostava apenas sacos de arroz, estava tudo bem. Mas quando passou a apostar moedas...tio Rick devia impostos, era uma quantia razoável, porém suficiente para ser preso. Por enquanto, estava passando despercebido, mas seu nome constado na lista de embarque, seria descoberto. —Não se preocupe, tio. Logo aparecerá outro comprador. Tentei animá-lo. Mas no fundo eu estava preocupada. —Confesso que eu não queria ir no começo. Mas depois do que você passou aqui...—ele respirou fundo. —Eu sei o quanto sofre, filha. Eu escuto seu choro todas as noites antes de deitar. Arregalei os olhos envergonhada. —Se passaram alguns dias, e vejo que você tenta esconder a esperança dele voltar. Olhei para nossas mãos entrelaçadas. —Você precisa ir embora daqui, Alana. Volta para a Espanha. Vai se sentir melhor. —Eu não vou deixar o senhor aqui, tio. Precisa de cuidados. —Não estou doente. Estou bem! —Mas está endividado. Eu tenho que ficar de pensar de uma forma de ajudá-lo. —Filha... —Está decidido, tio. Vamos dar um jeito, está bem? Ele desviou seu olhar do meu e eu acariciei seu rosto delicadamente com um sorriso. *** Não podia ser. Outra vez aquele homem... Estava ali, bem enfrente ao armazém fechado, diante da carruagem da realeza. Olhei para tio Rick que também me olhou, estava pensando o mesmo que eu. O que ele queria outra vez? Será que o rei decidiu não poupar mais a minha vida, depois de eu ter recusado seu convite a corte. Desci de donzela e entreguei as rédeas ao tio Rick que ainda permanecia montado em seu cavalo. O homem me olhou assim que notou minha presença. —Outra vez o senhor? Perguntei me aproximando. —Senhorita...senhor...—nos cumprimentou educadamente. —Senhorita, venho em nome do rei. —Se for algum outro convite... —Ele pediu para entregar esse presente.—estendeu as mãos me mostrando uma caixa enrolada numa fita elegante.—Mandou dizer que só aceitará seu perdão se aceitar o presente e comparecer a corte. Muito ousado. —Ele achou que me compraria com presente? Diga a ele que eu não estou a venda, senhor. —Mas não vai abrir o presente? —Não me interessa. Diga a ele que não perca seu tempo tentando me comprar. Eu não vou comparecer a corte, não vou me submeter seus caprichos, não vou ser o brinquedinho dele. Nem eu acreditei nas palavras que eu disse. —Filha, aceita o presente que o rei enviou. —Não tio. O rei precisa entender que nem todas estão a disposição dele. Agora, se permite... Caminhei até a porta do armazém e abri assim que rodei a chave, entrando em seguida sem olhar para trás.
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