Owen Duvido que eu tenha dormido por mais de uma hora. Ainda assim, parece que fui arrancado de um coma. Mateo me atualizou rapidamente por telefone — sua voz tensa, seca, como se estivesse tentando manter tudo sob controle. Mas sei que ele está à beira do colapso, mesmo que, à primeira vista, ninguém jamais percebesse. Ele é bom em esconder as emoções. Bom demais. Exceto pelos dedos. Eles o traem. Sempre. E agora, estão inquietos. Não param. Um tamborilar sutil e constante sobre a madeira da mesa. — Então, é por isso que acho que deveríamos ir agora — ele conclui, depois de me contar tudo. Propõe que nos escondamos em outro lugar. Um lugar que nem mesmo a polícia conhece. — Isso ainda é seguro? — pergunto, hesitante. — Não voltamos lá em... — Cinco anos — ele completa. — E só porque

