Assim que Paolla adentra a sala do CEO, se espanta ao ver uma mulher trajando um vestido comprido e de mangas longas, florido e em um tom puxado para o bege. Ainda com longos cabelos em corte reto parecendo até uma velha beata, esperando para ser contratada diretamente pelo poderoso-chefão. E o que era pior é que ele não parava de olhá-la com uma cara de encantamento. Logo ele, que a partir do próximo sábado poderia ser o seu noivo, ainda que de mentirinha.
Ela se aproxima com o semblante enfezado e analisa Eliza mais de perto, que parece não se importar com os olhares dela. Ainda que naquelas roupas horríveis, agora ela não podia dizer que Eliza era feia. Os olhos azuis, a pele alva, o nariz bem afilado e arrebitado e uma boca que fazia inveja a qualquer Botox, davam àquela moça uma beleza de capa de revista. Além de seu cabelo castanho, extremamente brilhoso e liso não ter nenhum frizz.
— Em que posso servi-lo senhor? — Paolla pergunta jogando seus cabelos loiros para trás.
— Paolla, quero que anote todos os pontos que irei citar para você e lance-os no contrato de trabalho em nome de Eliza Gomes Hulf. Ok? — ela assente com a cabeça e se senta ao lado de William, pega o notebook e digita o que precisa, enquanto Eliza somente analisa aquela cena tão íntima.
Aproveitando que William está ocupado olhando a tela do computador, ela para de forma a poder analisar com mais riqueza de detalhes o rosto tão bonito do seu chefe. Se ela tivesse uma foto daquele rosto, colocaria na parede e ficaria admirando-a de dia e de noite.
Depois que toda aquela formalidade acaba e que finalmente assinam a papelada burocrática tornando-a a mais nova funcionária da Firenze, Eliza sai daquela sala aliviada. Não só por ter conseguido — depois de tudo — a vaga de emprego, mas também por ficar livre da presença daquele homem autoritário e absurdamente bonito.
Tudo nele chamava a atenção, desde seus olhos verdes, o formato de sua boca, até sua voz grave e sexy. William possui um olhar, uma expressão de homem cafajeste, mulherengo, caçador e nesse momento ela se sentia a presa. Uma muito fácil!
Definitivamente, ela precisava sair dali. — Pensou.
Luciano a aguardava do lado de fora da sala para irem juntos até a sala de videoconferência, entrar em contato com os j*******s. Não demorou muito e William apareceu por lá também. Mesmo naquele país já sendo noite conseguem conversar com eles e William aproveita para convidá-los a comparecerem na convenção que será promovida em sua empresa em homenagem a seu já falecido bisavô. Como é Eliza quem está fazendo a transdução da mensagem, William não comenta nada a respeito do noivado.
Estar tão perto de Iza faz o coração de William disparar, mas existe uma mágoa nele que não o permite relaxar. — Ela não o quis, não gostou de seu beijo e pelo que lhe parece, ela continua indiferente a ele, mantendo sua postura profissional o tempo todo. — É o que ele acredita. Todas as suas funcionárias no primeiro contato com ele cobiçaram-no com os olhos. Era nítido como sua imagem mexia com elas, ele sabia que era bonito e que seu poder aquisitivo aumentava seu poder de sedução, mas assim como naquele dia, para Liz o fato de ele ter um rosto bonito e ser o presidente da Firenze, simplesmente não parecia valer nada.
Antes da conversa acabar, os representantes de Ching sorriam e falavam com Liz animadamente. Ela sorria de volta, mas achando uma graça que William não imaginava o motivo, mas parecia um bom sinal. Essa amizade de Liz com os asiáticos sendo agora sua funcionária podia ser benéfica para ele.
Em dado momento um japonês conversou determinada coisa que fez Liz ficar vermelha, negando algo para aqueles homens. Em seguida ela parece agradecer com um gesto de mãos e cabeça, gesto que os homens repetem e depois disso desliga a chamada.
— Eliza, o que eles estavam dizendo para a senhorita? — Ele resolve questioná-la, mas sua pergunta sai mais arrogante do que deveria.
— Eles são muito simpáticos Sr. Firenze. Elogiaram-me e parabenizaram por estar trabalhando para o senhor. — Ela mente.
Eles disseram que estavam felizes por ela agora fazer parte da Firenze, sim, mas por fim disseram que ela e William faziam um belo casal e que ele estava olhando-a como se quisesse beijá-la, momento em que Liz ficou vermelha. Na cabeça dela, era exatamente o inverso. Ela era quem desejava beijar o patrão.
— E por que ficou tão vermelha com isso? Senhorita, eu não quero que me deixe escapar nada do que foi dito aqui. — O olhar poderoso de William, assim tão bravo, intimida-a. Fazendo-a respirar antes de soltar apenas uma pequena parte.
— Com todo respeito senhor, eles... É... Bom... — William levanta as sobrancelhas e Eliza cora outra vez. — Eles disseram que formamos um belo casal. Desculpe senhor! — William franze o cenho e continua cético, se questionando se os j*******s falariam realmente algo assim ou se não seria um jeito de ela dizer para ele suas reais intenções.
— Eles disseram isso? — William se finge de irritado. — Que tipo de pessoas são essas que falam coisas assim em uma conversa profissional? Isso chegará aos ouvidos do Ching. Ridículo! Eu é que peço desculpas a senhorita por tal afirmação, totalmente infundada. — Ele se levanta com ar irritado e antes de abrir a porta, diz: — Só o que me faltava! Alguém insinuar tal coisa! — Ele abre e fecha a porta atrás de si, com força, fazendo os olhos de Liz fecharem com o barulho. Ao abri-los vira-se para Luciano que pega o celular e mostra a tela para Liz.
Ele colocou na tradução do Google para saber o que os homens falavam com ela e lá estava a frase correta bem escrita. Liz olha e levanta os olhos para ele.
— Imagine se eu tivesse dito o restante? — Luciano ri da cara dela.
— Acho que ele não quer admitir a verdade que ele mesmo pensa. Conheço William como a palma da minha mão, Liz. Somos amigos de infância, meus pais e os dele eram compadres. Fomos criados juntos e acredito que sou o melhor amigo dele. Vai por mim, ele se sentiu atraído por você.
— O que é isso senhor Luciano? Isso seria além de impossível, completamente incorreto. Eu jamais me envolveria com o meu chefe e tenho certeza de que ele também não seria capaz de tal coisa. Além da relação de trabalho, um homem com seu poder se envolve com pessoas de seu nível social.
Luciano sorri, pensando em como ela reagiria se soubesse que William já se relacionou com várias funcionárias da empresa. Bastava ser bonita, solteira, discreta e demonstrar interesse.
— Você pode ter razão Liz. Mas você é uma mulher muito bonita e muito especial. Sua voz, sua bondade e sua firmeza, além de sua inteligência, são coisas difíceis de ignorar. William é um homem, e solteiro, é natural se sentir atraído por alguém como você. Mas enfim, vamos voltar ao trabalho. — Antes que eles saiam da sala, o telefone de Luciano toca. É William.
— Venha com Eliza até minha sala. Agora! — Rosna e desliga antes de sequer Luciano dizer alguma coisa.
— Liz, o chefe nos chama até sua sala. A voz dele não é nada amistosa. Se prepare!
William está em sua sala completamente irritado pelo fato de os j*******s terem dito aquilo. Era algo que ele também achava e que ele sonhava sempre que assistia Eliza de sua casa, olhando as estrelas a meia-noite. Contudo também o fazia sentir sua rejeição amarga. Além de que ela sequer o reconheceu, sequer se lembra de sua voz ou da cor de seus olhos. Liz não deve nem mesmo lembrar-se mais daquele dia. Talvez para ela deva ter sido insignificante. Quem sabe quantos beijos ela já não tenha dado, já que ela faz serviços de guia-turístico. Quantos turistas ela já não beijou? ou com quantos já não transou? Pensar nisso tudo o faz se sentir ainda pior. Ela era o seu centro e ele não era nada para ela, a não ser, agora, seu chefe.
A porta se abre e Luciano entra juntamente com Liz em seu encalço.
— Sentem-se! — Os dois se sentam nas cadeiras de frente para William. — Senhorita, eu estou lhe entregando alguns papéis e pastas, um tablet, e um aparelho de celular. Nesses papéis você vai encontrar informações sobre a empresa, números, nomes e funções de cada funcionário da sede da Firenze e dos gerentes de cada hotel. Quero que pegue todos esses números e alimente a agenda do seu celular. Nesse aparelho já está adicionado o número do meu chip comercial, que é o número para o qual meus funcionários e representantes comerciais, ou clientes mais íntimos ligam quando querem falar qualquer coisa comigo. De agora em diante tudo passará por você, portanto tenha toda atenção com esse aparelho. Nunca o deixe desligado. Como a senhorita disse que não possui um celular, também está recebendo um. Coloque um chip de sua escolha e me passe seu número assim que o fizer. Eu falarei com a senhorita diretamente do seu número pessoal, então o mantenha ligado sempre e caso esteja perto de descarregar e não tenha como carregá-lo, avise-me antes. Você também está recebendo um tablet, onde já consta meus compromissos agendados dentro da empresa, como reuniões ou visitas a algum hotel, ou algumas palestras, eventos, enfim... E nele você irá administrar meus compromissos pessoais também, como encontros com algum empresário, aniversários, inauguração, peça teatral, ou qualquer outro evento que eu for convidado a comparecer. Incluindo encontro amoroso. É você quem vai determinar a hora e o dia em que posso me encontrar com qualquer pessoa, mas claro, você vai me mostrar e eu aprovo ou não. Você vai levar tudo para casa e só preciso que volte ao trabalho e inicie na dupla função no sábado, que é o dia do Evento. Luciano irá com a senhorita na sexta-feira providenciar suas vestimentas novas e uma roupa apropriada para o cerimonial com os j*******s. Esteja preparada para fazer as duas funções, intérprete e assistente. Entendeu?
Liz sibila a cabeça e depois diz: — Sim senhor. — Ele entrega tudo para ela. — Senhor, como são muitas coisas eu preciso lhe dizer que eu não tenho como levar para casa tudo isso hoje. Estou de bicicleta e as coisas não cabem na cestinha.
— Você está de bicicleta? — Luciano pergunta espantado. Depois olha para William que está encarado para Eliza.
— Senhorita, a senhora veio da Vila até aqui em uma bicicleta? — William pergunta a ela irritado. Mas não é irritação com ela e sim com ele mesmo. Coitada da pobre menina.
— Sim senhor. É o meu meio de transporte. — Luciano sorri. E William acaba rindo também.
— Tudo bem senhorita, eu mando levar e entregar tudo em sua casa. A senhorita já pode ir.
— Obrigada senhor. A propósito, eu moro ao lado do portão de sua mansão, aquele em forma de castelo. Bem ali, coladinho. — William finge não saber e se sentir surpreso com a informação. Olhar no rosto dele faz-lhe sentir novamente algo estranho. Aqueles olhos, aquele olhar e aquela boca, lhe parecem tão familiares. Parecem a do homem que a beijou.
Mas é claro que não seria ele, impossível ser ele. Aquele homem importante nunca iria a um baile na vila e beijaria uma menina pobre como ela. — Ela pensa. Mas de todo modo, era bom olhá-lo, lhe trazia de volta para aquele momento.
William tem uma barba por fazer que é extremamente sexy e provocante. E aquele ar autoritário era como a azeitona do Dry Martini.
— Agradeço a informação desnecessária senhorita. Nós temos seu endereço e ele será passado para o motorista que irá levar à senhorita, juntamente com as coisas, para sua casa. A senhora não planejava voltar para casa em sua bicicleta, não é?
— Não posso deixá-la aqui senhor. É com ela que me desloco dentro da Vila para atender aos turistas que me solicitam no porto. — William se irrita ainda mais agora.
— Sua bicicleta irá junto com a senhorita, mas eu não permito que atenda a nenhum turista mais. Não trabalhando para mim. — Luciano estranha o pedido de William e Eliza acha seu tom exagerado. — A senhorita terá muito trabalho a fazer e eu lhe pagarei muito bem, esse serviço extra não será mais necessário. — Quando ele nota os olhares estranhos sobre ele, tenta se corrigir. — É uma questão de segurança, já que trabalhará diretamente para mim. Alguém pode tentar algo contra a senhorita em troca de dinheiro ou poderá ameaçá-la para conseguir informações ou adentrar a minha casa. — Justifica-se.
— Tudo bem senhor. Eu não farei mais. — Ela que estava feliz com seu sonho de achar que ele estivesse com ciúmes dela, volta a si. Ele estava absolutamente certo.
E por que afinal de contas ele sentiria ciúmes dela? — Eliza se sente uma i****a. Ela precisava tomar consciência que aquele homem não era o seu Will.
Se bem que agora o nome Will, que poderia ser uma abreviação de William, era mais uma coincidência da qual ela não esperava.
— Eliza não pira! — diz a si mesma. E se retira da sala.
Quando fecha a porta e dá de cara com a tal Helena, ela se sente ainda mais i****a. A mulher do vestido vermelho e longos cabelos pretos é linda, elegante e parece ser de classe alta, a julgar por suas pulseiras e anéis de ouro, os longos brincos e a maquiagem perfeita. Se ele fosse se envolver com alguém, seria alguém como essa mulher e não uma como ela.
Ajeita a mochila nas costas e se despede de Helena, que nem ao menos se move ou diz qualquer coisa. Liz respira fundo, lembrando-se de sua insignificância que ela insiste em esquecer, mas que sua educação não permite que não faça.
Liz sai daquele enorme edifício e um homem a aborda do lado de fora. — Senhora Eliza? — É um senhor muito simpático. — Me chamo Juvenal e sou o motorista do Sr. William. Ele me pediu que a levasse até sua casa. Onde está sua bicicleta?
— Olá Sr. Juvenal. Muito prazer conhecê-lo! Venha comigo e vou lhe mostrar. Depois peço que me aguarde trazer o material que deixei na sala do Sr. Firenze. — Ela chega até a bicicleta e a retira do gradil, empurrando-a em direção ao carro.
— Eu mesmo faço isso senhora, e pode ficar tranquila que as coisas estão sendo trazidas até aqui por um funcionário, a mando do Senhor William.
— Senhor Juvenal, me chame de Eliza, por favor! E pode deixar que eu levo a rosinha, não vou deixar que o senhor nessa idade carregue um peso do qual eu mesma posso carregar. — Juvenal sorri encantado pela maneira simples e gentil de Eliza falar e agir com ele.
— A senhora é muito diferente das outras namoradas do chefinho. Geralmente são mulheres esnobes que m*l olham para mim. — O motorista comenta.
— Oh não, Seu Juvenal. Eu não sou uma namorada do Sr. Firenze. — Ela fica vermelha. — Sou a nova assistente dele e irei trabalhar aqui exatamente como o senhor. — Ela sorri — Eu entendo bem sobre ser invisível. Sempre sou tratada assim, principalmente aqui. Agora a pouco aconteceu isso comigo, lá na sala da secretária do Sr. Firenze.
— Ah, me perdoe senhora, ou melhor, Eliza. — Eles riem — me chame de Juvenal, minha querida. E não ligue para ela, por ser quase parente do Sr. William, Helena age assim. É intragável. Ninguém na empresa a suporta. O sonho daquela mulher é se casar com o chefinho e ao que parece ela vai conseguir. Estão dizendo que eles estão juntos. — Eliza sente uma tristeza inesperada ao ouvir aquilo. — E me desculpe por achar que estava com ele, mas é que, bem, não costumo dizer isso a ninguém, mas o William tem o costume de se envolver com algumas funcionárias. — Eliza arregala os olhos, espantada com a informação. Ao mesmo tempo decepcionada por saber que ele esteve com tantas mulheres e que, quando insinuaram serem um casal, tenha ficado tão irritado.
— Eu não sabia de uma coisa dessas. Mas lhe digo com toda certeza e pureza de que isso não existe entre nós. Eu jamais me envolveria com ele. Ainda mais sabendo de algo assim, Deus me livre! — Juvenal sorri e fica convencido de que é uma pena o que ela diz.
Ele pensa que Eliza seria perfeita para o patrão. Linda, direita e ainda tão amável. Alguém merecedora do coração bondoso daquele rapaz, que tanto faz por todo mundo. Um jovem que teve que crescer antes do tempo e que sempre foi um bom filho. Poucos conhecem William como ele.
Então Juvenal ajeita a bicicleta na carroceria do carro tipo Hillux, põe a enorme caixa que chega das mãos do rapaz que veio trazer e coloca-a sobre o banco traseiro do veículo. Depois continua com a porta aberta esperando que Liz adentre, mas ela pede para ir à frente para eles conversarem. Assim acontece. Liz agradece ao rapaz jovem que trouxe a caixa e adentra o carro saltitando de alegria, pois nunca entrou em um automóvel desses.
Juvenal adentra o veículo e sai dirigindo, se divertindo com o encantamento de Eliza. Ela comenta sobre as árvores e as flores lindas que existem na estrada que dá acesso ao prédio da Firenze. Que imagina como deve ser linda a mansão, que só vê um pequeno pedaço. E diz como ela imagina que é.
Depois ela revela como está contente por poder trabalhar na Firenze e de como ela nunca imaginou que um dia pudesse trabalhar ali sem ter um nível superior. O homem ri.
Após um tempo, finalmente Eliza chega à casa e sai do carro. Enquanto Juvenal retira a bicicleta da carroceria e coloca dentro da casa de Liz, ela vem de lá com a caixa nos braços fazendo Juvenal reprimi-la por tal ato, mas Liz nem liga.
Ela se despede do Seu Ju, como passou a chamá-lo, e ele vai embora, enquanto Liz entra em seu quartinho, jogando a caixa pesada no chão. Suspira por todo trabalho que vai ter para fazer tudo àquilo que lhe fora ordenado.
Eliza toma um banho e corre para comer alguma coisa, pois já são 13h e não havia comido nada. Senta-se para comer na casa de Dudu, que como sempre esquenta a comida e põe a mesa para sua filha do coração.
Liz saboreia aquele prato de abóbora com quiabo, feijão de caldo, carne cozida, farinha de mandioca e couve cozida. Enquanto come conta para Dudu sobre seu primeiro dia. Diz como foi difícil no início e que ela chegou a dizer não para o Sr. Firenze e que ele a pediu desculpas. Conta que depois teve o problema com a citação dos j*******s e da reação do seu chefe.
Dudu, com todas as informações dadas, passou a odiar o patrão de Liz.
De volta ao seu quarto, põe o celular para carregar para começar a salvar os números na agenda.
Acessa os arquivos no tablet para entender como funciona aquele sistema. E de sistemas Liz entendia bem.
Desde que conseguiu seu computador, Liz passou a estudar tudo a respeito de programação e manutenção de redes, além de ter que aprender a consertar sozinha aquela lata-velha que ela tinha. Não demorou muito para que percebesse o código de construção do sistema da rede Firenze. Sendo assim, foi muito fácil achar tudo que ela queria e ainda conseguiu criar uma planilha que fazia a fusão da agenda empresarial e pessoal do Sr. William.
Tentou manter o foco no trabalho, dispersando qualquer outro pensamento libidinoso sobre seu chefe, mas vez ou outra se lembrava de como ele falou para ela administrar os dias e horários até de seus encontros amorosos.
Liz se sentiu um pouco irritada e enciumada com aquilo. Era uma falta de respeito com ela. Ainda mais porque sabia que ele estava em um relacionamento sério com sua secretária Helena.
Quando o celular carregou, Liz o pegou e encontrou todos os dados que estavam no papel, no sistema da empresa. Transferiu esses dados do tablet para o celular, e não levou meia hora para isso. Depois foi até o porto e comprou um chip de celular na mão de Maurício, que nada bobo o anotou e salvou posteriormente em sua própria agenda.
Liz pegou o chip e colocou no outro aparelho que William lhe dera. Ao ligar o aparelho viu que existia o número dele salvo ali, conforme ele havia avisado. Porém não tinha somente o comercial, havia também o seu número pessoal. Talvez um número que só ela tivesse, pois nenhum dado que ela havia lido continha aquele número como sendo de William.
Assim como solicitado, ela enviou a mensagem.
Prezado Senhor Firenze,
Conforme solicitado, segue o meu número pessoal.
Atenciosamente, Eliza Hulf.
Ela o coloca para carregar também e resolve salvar ali o número do celular de suas amigas, mandando mensagem para elas. Em pouco tempo, as duas estão em sua casa.
— E aí Liz, me conta como foi lá? — Nina pede já se jogando na cama. E Lara já pega o celular nas mãos para olhar.
Liz desembesta a falar sobre tudo, desde o início e as amigas ao mesmo tempo em que amam, odeiam o William, à medida que a conversa se desenrola.
— Liz esse homem é bipolar, Credo! — Lara fala e faz o sinal da cruz.
— Mas tem uma coisa que ainda não contei. Eu sei que vocês vão me achar doida e tudo, mas... Ele... Ele me lembra... O homem que eu beijei, pronto, falei. — E finalmente parece que o papo se tornou interessante. As meninas se consertam na cama, interessadas demais no assunto.
— Como. Assim? — Nina pergunta pausadamente.
— Liz, nos explique isso... Você não pode estar apaixonada pelo poderoso assim tão rápido. — Lara diz.
— É sério, assim que bati os olhos nele eu o achei familiar. A boca dele é tão linda quanto à do rapaz que me beijou só que o Sr. Firenze tem uma barba por fazer. Os olhos também são verdes e pequenos. Os cabelos são loiro escuro exatamente como aquele rapaz e o nome do Senhor todo poderoso, é William. Vejam William, Will.
— Aí meu Deus... Será Liz? Será que você, naquela noite, beijou o Sr. Firenze? Caraca... — Nina diz segurando o queixo.
— Liz, você precisa fazer um teste. Tem que falar seu nome como sendo Iza, na frente dele, para ver se ele reage, ou coisa do tipo.
— Fala sério meninas. O homem parece que passa cada noite com uma mulher diferente, ele pega várias funcionárias bonitonas dele e tudo mais. Nem mesmo deve se lembrar de um beijo, um simples e inacabado beijo de cinco anos atrás. Se ele lembrasse, ele teria vindo me procurar ou sei lá, me dizer um desaforo, mas não.
— E como você explica esse emprego bater a sua porta? — Nina levanta a sobrancelha.
— Não me ponham coisas na cabeça. Foi o Luciano quem me indicou. O homem quase me demitiu sem dó nem piedade. Precisava ver como ficou quando os j*******s nos elogiaram. Virou uma fera...
As meninas fazem uma careta e concordam com Liz.
— Mas ainda acho que devia fazer um teste. — Liz pondera.
— Vou tentar.
Quando as amigas saem dali ela fica pensando em tudo que conversaram. A noite chega e Liz ainda estava envolta nas agendas e compromissos dele. Ela vasculhou tudo e não encontrou nada de encontros amorosos ali. Saiu para tomar seu café da noite na casa de Dudu e voltou ao seu quarto.
A meia-noite foi para o banco costumeiro. Começou pedindo ao pai, deitada no banco gelado, desculpas por não ter ido ali à noite anterior, depois contou sobre a sorte estar lhe sorrindo. E de lá de sua mansão, William a assistia de sua casa. Ele ficou sorrindo ao ver que ela estava feliz e que de forma indireta, desta vez, ela sorria por ele.
Quando Liz saiu daquela sala mais cedo, e ele ficou sozinho com Luciano, o seu amigo lhe questionou sobre aquele acesso de ciúmes.
— O que foi isso William? Nem venha me dizer que era por segurança. Conheço-te demais para ouvir isso.
— É ela Lu. — O amigo arregala os olhos.
— Ela quem?
— A Eliza é a Iza. A garota que me deu o fora épico. — Ele passa a mão no rosto.
— Oh mon dieu! A graciosa e amável Liz é a Iza? William, o que você vai fazer? Como vai conseguir trabalhar com ela ignorando o fato de ela ser quem é?
— Ela não se lembra de mim, não me reconhece, não sabe quem eu sou. Isso ajuda. De todo modo, é bom que ela esteja trabalhando comigo, assim vou usar todo meu desprezo e a fazer pagar por tudo que me causou.
— Você a ama William. E essa menina é muito especial. Esse encontro de vocês depois de tanto tempo e bem às bocas de seu 'noivado'...
— Ela foi inscrita? Por Deus Luciano, por Deus...
— Não. Ela foi contratada na segunda-feira. Ainda bem. — No fundo Luciano lamentava e William também. Se ele pudesse pediria a ela para fazer esse sacrifício e tentaria conquistá-la. E desistiria dessa loucura de casar-se por contrato. Afinal, ele a ama de verdade.
Mas que merda, ela nunca me amará, ela só me fez sofrer! — é o que ele pensa. Ele a odeia, e ponto final.
E agora em casa ele assistia aquele sorriso tão lindo e já não sabia mais se a odiava como antes.