Capítulo 3

4332 Words
Depois de acreditar que Iza estava em um relacionamento, William ficou tão triste e irritado que não conseguiu voltar a olhar sua amada durante toda a semana. No dia anterior, embora tivesse sentido muita vontade de olhá-la, não fez. Ele não entendia bem o que estava acontecendo, nem o porquê daquela tristeza toda, ou por que havia aquela angústia em seu coração. Mas estava magoado e essa era a única certeza que podia afirmar. Hoje era sexta-feira e aquela maluquice de concurso para noiva havia começado. O e-mail tinha sido encaminhado para cada funcionária solteira da rede. Somente para as unidades Firenze da Ilha das Rosas. Embora houvesse deixado claro que o e-mail era algo confidencial e de ali conter todas as informações de que aquele noivado não passaria de um negócio, um contrato, não pôde deixar de notar os olhares cobiçosos e desejosos de suas funcionárias para si. À medida que passava de andar a andar, alguns cochichos eram notáveis. Algumas mulheres se perguntavam se aquilo seria real ou apenas uma brincadeira de mau gosto, visto que ele entrava e saía sério pelos corredores. Em outros momentos ele fitava alguma moça em uma troca de olhares, ou fazia uma menção com a cabeça e um sorriso bastante contido. E esse simples ato fazia com que a mulher que recebia o aceno se achasse uma forte candidata ao "cargo". William seguia pensando sobre o assunto elevador acima. Sobre a enrascada que ele estava se metendo. Que maldita ideia é essa? Contudo, já estava feito e era por uma boa causa, no fim. Parte da renda obtida na construção do resort que será construído na ilha das rosas será direcionada para um hospital que tratará pessoas com câncer gratuitamente. E ainda tem a questão dos empregos que ele irá gerar. Sendo assim, respirou outra vez tentando se conformar. O seu avô não havia sido nada a favor dessa ideia, mas desejou que talvez o feitiço virasse contra o feiticeiro e quem sabe o neto não se apaixonasse de verdade pela tal noiva, fazendo jus a esse casamento. Entendeu os pontos de William, por fim. Quando o seu elevador privativo se abre, Helena o aguarda com um sorriso diferente nos lábios. — Bom dia senhor Firenze! — Ela disse e seus olhos fumegaram de desejo. — Bom dia Helena! — William saudou de maneira seca, como sempre, porém percebeu a insinuação da secretária e sabia exatamente o motivo de estar sendo olhado daquela forma. Além de Helena ter recebido o tal e-mail, ela deve ter lido a cláusula que cita que ele poderia beijá-la caso se tornasse a futura esposa dele. Acontece que por mais que Helena fosse uma mulher bonita, ele não sentia desejo por ela. E, definitivamente, se ela fosse à escolhida, ele jamais a tocaria. Seria realmente um casamento por contrato, mais nada. — O senhor deseja algo? — A mulher pergunta com uma voz que acha provocativa. Ele levanta os olhos para ela enquanto ajeita o paletó na cadeira. — Quero falar com Antônio e Luciano, com urgência. — Avisa. Ela se vira e vai saindo. — William, aquele e-mail é real? — Questiona antes de sair da sala. Ele responde que sim abrindo suas correspondências. — Se tivesse conversado comigo não seria necessária uma competição. Eu teria aceitado esse acordo para que fechasse o negócio. Era tão simples! — Helena, eu acho que cometi um erro ao permitir que você concorresse a essa vaga. — Ele respondeu. Ela o pegou em um mau dia. William estava irritado e impaciente o suficiente para não tolerar os comentários desnecessários de Helena. — Até porque, somos quase parentes. E, isso de alguma forma poderia magoá-la, visto que nada será real. Não poderia chegar diretamente para você e pedir para fazer isso. Fora que quando acabarem as negociações e o acordo for fechado, essa pessoa sairá da empresa. Eu não sei se você leu essa parte e eu não quero que você se vá. — Ele tenta remediar o irremediável. — No entanto, se você for à escolhida está ciente disso e terá que gerir o dinheiro fora da empresa. Precisarei manter a postura que o casamento terminou por falta de amor. William havia dito anteriormente para seus amigos que depois das inscrições iria selecionar 20 mulheres como semifinalistas, mas como o acontecimento de Iza havia mexido demais com a cabeça dele, ele se viu impaciente para passar um fim de semana inteiro ouvindo conversa fiada, frases repetidas e fotos editadas. Portanto, automaticamente, cada inscrita ganhará um número que será sorteado no dia. Algo bem aleatório. Já que é um contrato, não importava para ele quem fosse, ou seu estereótipo. Muito embora Luciano, Carolina, Antônio e Rômulo já tivessem revirado as fotos de todas as solteiras e enviou o e-mail apenas para as mais bonitas. Sendo assim, apenas 25 foram selecionadas. William estipulou também um tempo para a inscrição, que reduziria ainda mais o número de candidatas, no entanto, tinha exatamente 25 vagas preenchidas. Aquele para ele já era um caso resolvido. Então conforme ele havia pedido, Luciano e Antônio adentram a sua sala. — Chegamos patron! — Diz Luciano, todo animado como sempre. — O que quer falar com a gente assim tão cedo? — Pergunta Antônio e William com seu péssimo humor levanta uma sobrancelha e não responde à pergunta. — A garota da vila já está no nosso quadro de funcionários? Preciso entrar em contato com um representante de Ching e convidar esse agente para a tal festa de noivado. Quero fazer isso eu mesmo. — William dispara e com o silêncio, ele se joga para trás na cadeira e sacode a cabeça em negativa. — Eu não estou acreditando nisso. Por que a garota ainda não foi contratada? — Os dois amigos se olham e depois encaram William. — Você conta Antônio! — Lu empurra a bola para Tony. — Crocodilo! — Antônio diz para Luciano antes de contar. — Então, Will... — William faz um olhar mortal para ele. — Digo William. Ela ficou de nos dar a resposta na segunda-feira! — William desce os cantos dos lábios e abre as mãos, levantando os ombros. — Não entendi. A garota da Vila vai nos dar uma resposta na segunda-feira? — Ele ri. — Contratem outra. Hoje mesmo! — Luciano tenta falar alguma coisa e William interrompe. — Eu quero que encontrem uma intérprete agora mesmo, eu mando buscar de helicóptero, de avião, qualquer coisa, mas eu quero uma intérprete hoje. E essa garota não é mais necessária. Assunto encerrado. Podem ir. — Que bicho te mordeu William? Olha, primo, tudo bem você não querer mais. Entendo-te. Mas na verdade o erro foi meu. Disse coisas demais e de algum modo eu humilhei a garota, não deixei o Luciano falar e acabei a assustando. Contudo, devo dizer que Lu estava certo. Ela é brilhante! Uma menina inteligente e com uma personalidade agradável e firme. E embora tenha deixado para dar uma resposta segunda, ela garantiu que nos ajudaria se fosse necessário. Ela não fez isso por capricho, apenas explicou que estava empregada e por isso precisava conversar com a patroa antes de vir, pois quando ninguém havia dado oportunidade a ela, essa senhora a acolheu. — Vejo que você também foi seduzido pela tal moça da Vila. Olha! — Ele bate palmas. — Ela está de parabéns! Tem uma lábia e tanto! — O CEO respira fundo. — É a última chance! Se essa Vilense chegar a segunda e não der uma resposta procurem outra. E quando ela chegar para conversar quero que ela fale diretamente comigo. — Tudo bem. Ah! — Antônio completa. — As inscrições para o concurso foram encerradas. De 25 e-mails que enviamos 24 foram ativados. — William se surpreende. — Quem foi à mulher que me rejeitou? — Por um súbito ele pensa se a doce Iza estaria na sua empresa sem que ele soubesse. — Samanta. Ela é lésbica, nós não sabíamos. — Em seguida os dois diretores se levantam e saem. William fica sorrindo. Ele passa o longo dia com a cara no computador preparando todos os gráficos, planilhas e slides para sua apresentação. Mas embora os textos estejam ótimos, não fica satisfeito com a aparência da apresentação digital. O fim de semana passa sem nenhuma novidade. William levou para casa toda a papelada, ensaiou o seu discurso diversas vezes e no domingo à noite decidiu deixar a tristeza e o rancor de lado, um que ele não sabia o motivo e decidiu olhar Iza, mas para sua surpresa, — como se também estivesse chateada com ele — Ela não apareceu. A verdade é que Iza passou o domingo inteiro fazendo arranjos para floricultura, ensinando Flávia e Nina a fazer o que ela fazia tão bem. E quando a noite chegou pela primeira vez ela não foi para o banco à meia-noite — um ritual que cumpria desde os 12 anos, quando foi expulsa de casa. — Decidiu dormir cedo, pois não podia chegar atrasada na reunião que seria a chance de sua vida. Eliza havia separado um vestido floral, com um tom puxado para o bege, de flores na estampa. Feito de um tecido bem leve, cujas mangas iam até os pulsos e o comprimento até os pés. Ela deixou seus cabelos soltos e passou o seu batom rosa claro, seu perfume artesanal e nos pés, colocou as botas de couro que Lara a havia dado. Montou sua bicicleta rosa com cestinha e pedalou até a sede da empresa que fica no lado norte, assim que acordou. Estava um frio inacreditável para quem estava pedalando. Ela teve que sair às 6h da manhã para conseguir chegar até a Firenze no horário combinado, às 9h. Pedalou 20 km agradecendo ter ladeiras para ela descer, mas já imaginando o retorno que seria exatamente o inverso. Quando já estava perto do grande prédio, viu passar o helicóptero no céu, tão baixo que seu cabelo voou com o vento e depois o viu pousar no terraço do prédio. Ela sorriu ante a possibilidade de ir e vir do trabalho para casa naquele objeto voador. E cerca de 20 minutos depois, Eliza adentrou o imponente território. No estacionamento havia um local de colocar bicicletas e agradeceu o Sr. Firenze internamente, por isso. Ajeitou sua roupa e pegou a mochila de couro dentro da cestinha de sua bicicleta, colocando-a nas costas. Quando adentrou o térreo do edifício, o corpo suado se arrepiou com a lufada de ar frio dos potentes ares-condicionados. Ela chegou até a recepcionista que lhe analisou de cima a baixo com olhar de puro desdém. — Bom dia! Por favor, eu tenho uma reunião marcada com o senhor Luciano. Meu nome é Eliza. A mulher que sequer respondeu seu bom dia digitou algo no computador e disse: — Último andar. — Antes que Eliza perguntasse qual era o número do andar, Luciano chega e avista-a. Ele olha de cima a baixo também, observando aquele vestido horrível e sabendo que teria muito trabalho a fazer com aquela jovem. — Bonjour mon'amour, C'est bon de te voir. — Luciano diz animado ao ver Eliza e a funcionária encara os dois. — Bonjour, ravi de vous voir aussi. — É bom te ver também. — Ela diz, fazendo a recepcionista ficar um pouco envergonhada e ao mesmo tempo com despeito. — É tão bom ter uma colega que fale francês. — Eliza sorri, o rosto ainda vermelho pelo tremendo esforço da distância percorrida. Luciano a leva pelo corredor, abraçados, em direção ao elevador. Eliza segue pelo caminho admirando tudo. O piso daquele lugar é tão brilhante que ela consegue ver sua imagem refletida. As paredes cinza-claro, as esculturas modernas e em tons clássicos, muitos espelhos e vidros. A iluminação embutida. O elevador todo transparente, exceto o piso, que a certa altura faz Eliza sentir medo. — Querida Eliza, preciso adiantar uma coisa a você. Muito importante! Nosso chefe, o CEO, quer falar contigo pessoalmente. Ele ficou bastante irritado por você não ter aceitado a proposta antes e por isso ele quer fazer sua entrevista, em pessoa. O homem queria até desistir de contratá-la, mas por muita lábia de Antônio aceitou que viesse dar a resposta somente hoje. Eu sei que você veio aceitar a proposta, então, por favor, não seja tão exigente minha linda. O nosso belo chefe consegue ser insuportável quando quer. — Ele pede a Liz, carinhosamente. — Lu, eu adoro você, e sei o quanto fez para eu estar aqui. Eu realmente preciso do emprego, mas eu não estou mendigando. Foi a Firenze quem foi atrás de mim, portanto, eu sinto muito, mas vou manter minha posição. Ainda não sou funcionária dele, então não vou abaixar a cabeça. — Luciano se preocupa, mas ao mesmo tempo ele fica feliz. É devido a essa postura que acredita nela. Sabe que Liz tem muito potencial e que com essa personalidade saberá lidar muito bem com William. Na verdade, ele vê muito mais do que isso. Com essa personalidade e essa beleza toda que ela tem, e mais ainda, como ela vai ficar depois que ele der um trato no seu visual, William corre um sério risco de se apaixonar pela assistente. Ele imagina. A porta do elevador se abre já no andar de William, os dois adentram a sala e são recepcionados por Helena, que olha para Eliza com nojo. A mulher, que agora usa um batom forte nos lábios e um vestido vermelho com saltos preto nos pés, modelo agulha e que usa os cabelos em um r**o de cavalo, diz: — Senhor Luciano, o Sr. Firenze pediu que a senhorita entre sozinha. — Luciano se espanta pela determinação dada, mas assim permite. Eliza olha para ele e respira fundo antes de entrar na sala do CEO. Assim que abre a porta, o chefe está de costas falando ao celular. Ela segura sua bolsa pelas alças à sua frente e fica olhando a sala luxuosa daquele homem, com sofás chiquérrimos, mesa de centro com um designer moderno, um uísque e copos chiques em um pequeno carrinho-bar em um canto, luminárias no teto com luzes amarelas e a mesa de trabalho de William, que embora bastante bagunçada, tinha um designer muito lindo. Era toda preta. Finalmente William desliga a ligação de Carolina e quando se vira de frente, ele paralisa ao ver Iza bem a sua frente. Ele pisca os olhos diversas vezes para ter certeza de que era realmente ela quem estava ali e não era coisa de sua imaginação saudosa. A moça estava encarando os quadros famosos na parede dele e quando volta seu rosto para frente ela quase salta para trás tamanha era a beleza do senhor Firenze, que por sinal, tinha uma boca muito linda, que lembrava a do homem que a beijou. Talvez se ela não fosse tão lenta, teria percebido que era realmente ele apenas pela expressão de seu rosto. O espanto, o nervosismo e a surpresa estavam estampados na face de William. Eles ficaram um tempo em silêncio, encarando-se, até ela quebrar aquele clima cheio de atração, desejo — um desejo que fez seu corpo acender. — E malícia. — Olá, bom dia Sr. Firenze! — ela estende a mão para o homem, que pigarreia para disfarçar seu nervosismo e segura na mão dela. As mãos dele estão frias e seu coração parece sair pela boca ao sentir o toque de Liz. — Eu sou Eliza, a intérprete. William tenta ser o mais profissional que pode, mas ele foi desarmado. Ver aquela mulher que ele admira em segredo, todas as noites, tão perto e passível de ser sua assistente pessoal, mexe com o psicológico dele. Ele a ama e não sabe como vai fazer para se manter imune a esse sentimento com ela tão perto. Ele a odeia também, pelo fora que ela lhe deu, pelo tapa e pela falta de explicação, mas isso era quase perdoável estando diante dela. Ele agora compreendia Luciano e Antônio. Era impossível não se render àquela menina. Ele tenta voltar a si e a olha de cima a baixo analisando sua vestimenta, como sempre precária e ridícula. E tenta se apegar nisso para fazer o que ele sabe fazer melhor — ser intragável. Ela percebe o olhar desaprovador em relação a sua aparência e chega a ficar corada. — Sente-se! — William aponta para a cadeira. Liz se senta e apoia a mochila em seu colo. — Eliza! — Ele sorri lembrando que ela deu apenas parte de seu nome para ele, exatamente como ele fez. — Fizemos uma proposta de emprego para a senhora e eu soube que a senhora ficou de pensar na minha proposta. Eu tenho urgência nesse caso Eliza, preciso fechar uma negociação importante com esses j*******s e não posso esperar o seu tempo. Caso à senhora não queira a vaga, preciso arranjar alguém urgente. Qual é a sua posição? — Ele usa seu tom imponente e ameaçador. No entanto, seu corpo está trêmulo. — Senhorita! Eu não sou casada. — Ele quase sorri da correção dela. Logicamente ele sabia que ela não era casada. A atração entre eles é inegável. William mexe a caneta em cima da mesa com os olhos desejosos sobre Liz. Ela m*l consegue o encarar tamanho é o efeito luxurioso que aquele homem causa em si. — Para que eu lhe dê uma resposta Sr. Firenze, primeiro preciso saber se estão dispostos a aceitar alguns pontos dos quais eu necessito! — Ele debruça na mesa. Parece interessado em ouvir o que ela tem a dizer. — William, esse é meu nome. Continue! — Ele nota o desconforto dela ao ouvir seu nome. — Bem, Sr. William... — Ele gosta de ouvir seu nome sair de sua boca. — Pensei bastante a respeito da proposta que me foi feita, porém antes de aceitar eu preciso oferecer ao senhor as minhas condições para aceitar o seu cargo. — Condições? — Ele ri em deboche. — Senhorita, se não quiser a vaga basta apenas dizer não e eu providencio outra pessoa. As condições do trabalho já lhe foram passadas e acredito que já saiba as nossas necessidades. — Acontece Sr. William que foi a sua empresa quem foi atrás de mim e não o contrário. Não foi me dito como seriam o meu turno de trabalho, ou quantos dias na semana eu iria trabalhar. Muito menos a que horas eu deveria assumir o serviço, se eu teria ou não horário de almoço, qual o valor que estão dispostos a me oferecer e acho que essas informações deveriam ser passadas antes da contratação. Eu não estava desempregada, antes de tudo. — William fica admirado pela coragem da menina simples da Vila em lhe enfrentar. — De fato houve uma falha da parte dos meus subordinados ao lhe ocultar esses detalhes. No mínimo devia ter sido passado um e-mail para que a senhorita pudesse ter ciência da vaga a qual estava se prontificando a assumir. OK, tudo bem. Diga quais são as suas condições? — ele está doido para ouvir aquela voz mais uma vez e ela não cansava de achar seu rosto tão familiar. — Senhor William, eu acho que não se faz mais necessário. Da maneira como agiu, não parece que tenha qualquer interesse no que tenho ou não a exigir. O senhor me trouxe até aqui, porém fez questão de ressaltar o quanto posso ser facilmente substituída, como um copo descartável. Sendo assim, como não fui eu quem me candidatei à vaga alguma na sua empresa, eu estou dizendo não. — William fica extremamente frustrado diante da posição dela. — Agora se me der licença! — Eliza se levanta e ajeita a mochila nas costas, extremamente irritada pela arrogância de William. Ele até podia ser lindo, lindo de tirar o fôlego, mas era um homem rico o suficiente para tratar as pessoas como objetos. — Senhorita, sente-se, por favor! Não terminamos a nossa conversa. Eu disse aquelas coisas porque achei que a senhorita havia sido orientada com todas as informações necessárias... — Eu sinto muito senhor Firenze. Mas pode procurar outra pessoa para o cargo. Acredito que não será muito interessante para o senhor me empregar, tenho noção que a sua necessidade exige uma demanda de tempo maior do que a que eu posso oferecer. Eu também notei a forma como reparou as minhas vestimentas, e vi a maneira como suas funcionárias desfilam por esse edifício. Eu não faço parte desse mundo workaholic. Agradeço sua atenção em me receber pessoalmente, obrigada! — Ela se vira e sai andando sem deixar que William possa dizer mais nada, outra vez. William se levanta e caminha atrás dela, irritado com tamanha audácia daquela garota. Aquela linda garota. A sua garota! Lá fora já estava Luciano com cara de espanto e Antônio, segurando o braço de Eliza com olhos libidinosos. William fica envermelhado de raiva. Ninguém podia tocá-la. Ele chega por suas costas, retira as mãos de Antônio dos braços dela sem qualquer gentileza e a gira de frente para si, de vez, segurando-a pelo braço firmemente. — Eliza, eu aceito suas condições. Qualquer uma! — Proferiu ofegante. — Preciso resolver uma questão com os j*******s ainda hoje e necessito dos seus serviços de intérprete. — Ele diz a olhando nos olhos, querendo beijá-la. — Fica mais fácil sendo a senhorita porque já teve contato com esse mesmo pessoal antes, e eles são pessoas bastante sentimentais, tem uma ideologia de energia, empatia e coisas afins. — Ele respira fundo. Não disse nenhuma mentira, contudo, pega os demais de surpresa. — Me desculpe por ter agido de forma grosseira com a senhorita e por em algum momento ter lhe desmerecido por suas vestimentas. — Ele pede na frente de Helena, Antônio e Luciano, fazendo os três se surpreenderem mais ainda com a cena. Principalmente pela proximidade que William impôs entre eles, quase grudados. Uma proximidade que Eliza ansiou romper. Ela empina a cabeça e desvencilha o braço de sua mão. — Posso fazer a videoconferência, mas mantenho minha decisão. — Diz de maneira firme. — Preciso de uma assistente também. Próximo fim de semana terei uma reunião de negócios onde farei uma revelação muito importante. Eu não estou conseguindo dar conta de tudo. Por favor, aceite! Prometo que agirei diferente! — Insiste, fazendo a boca dos diretores, da secretária e até de Eliza, se abrirem. Ela pensa por um instante, mas vendo ele assim tão calmo e tão perto, ela não consegue mais negar. Fora que ela realmente precisava dessa chance única na sua vida. — Tudo bem! Vou passar ao senhor as minhas condições. — Vamos até minha sala. — Antônio pede. — Não, Antônio. Eu mesmo resolvo. Venha, Eliza, vamos conversar. — Ele coloca uma mão nas costas de Liz e a empurra de volta a sua sala. Lá, puxa a cadeira para ela se sentar. Enquanto isso do lado de fora Luciano entende tudo que aconteceu ali, a atração de William por Eliza. Antônio fica apenas incrédulo. — Me diga suas condições, por favor! — William pede. — Eu não trabalho aos fins de semana. Nem em turnos noturnos. E não posso viajar. Assumirei o meu serviço às 7h e saio assim que o senhor sair, ou até às 19h quando o senhor tiver que ficar até mais tarde. Eu preciso também ter, no mínimo, 1h30 de almoço, pois mastigo devagar. Tenho problema de refluxo e... Bem... Eu não sei andar de saltos. — A última informação faz William sorrir. Ele se lembra do baile em que Eliza m*l se aguentava num salto do tamanho da unha dele. — Do que está rindo? — Dos saltos! — Ela sorri também e leva as mãos ao rosto. Ver aquele sorriso faz uma comichão dentro dele. — Olha Eliza, temos alguns pontos a ajustar. Eu realmente preciso de você aos fins de semana. Não todos, é claro, mas vez ou outra tenho reuniões, jantares ou eventos que preciso comparecer. E você não é exatamente uma funcionária da empresa, e sim minha. — Ele diz isso com certo sabor. — Você será minha assistente pessoal. Será como minha sombra e inclusive os dias em que não estiver comigo terá que estar com um celular em que eu possa falar com você sempre que julgar necessário. Mas fique tranquila que será muito bem remunerada e não terá nenhum ônus quando necessitar estar ao meu lado nesses eventos. Incluindo fora da ilha. Eu preciso que me acompanhe também nas viagens, mas será tudo por minha conta e você terá uma excelente hospedagem. Pago suas horas extras caso ultrapasse seu horário de trabalho e um adicional para ficar disponível no celular 24h. E caso necessite uma dispensa ou caso aconteça algo que lhe impeça de ficar disponível via celular, basta me avisar antes. Você terá acesso a minha casa e vai receber um tablet para organizar minha vida pessoal, essa agenda é compartilhada com o meu aparelho e eu terei esses dados sempre à mão. — Explica e Liz abre bem os olhos. Era muita coisa. — Sua vestimenta precisará passar por melhorias, mas isso só será regra para quando estiver na empresa, na minha residência ou em momentos que não seja formal poderá se vestir com suas próprias roupas. E os saltos, bem... Em algum momento terá que usá-los, mas hoje em dia existem opções de sapatos baixos elegantes, e você pode optar por eles. Luciano será responsável por lhe acompanhar a alguma loja e lhe vestir de maneira ideal para me acompanhar diariamente, sem que se sinta desconfortável com os olhares dos outros. — Ele conclui. — Eu terei horário de almoço? — Ela pergunta como se isso fosse essencialmente importante. — Sim. — Tudo bem, senhor. Então eu aceito a proposta de emprego. — Ótimo! — Ele sorri e eles selam as mãos novamente, sentindo outra vez um calafrio. Depois disso William chama a secretária de Antônio, Paolla, até sua sala.
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