Mariana
Eu estava terminando de arrumar a mesa quando o telefone tocou. Fui rapidamente atender na sala, era Euge, minha melhor amiga, eu a conheci aqui em Buenos Aires, mas ela também é brasileira. Rapidamente ficamos muito amigas, e aproveitamos para passearmos juntas na cidade.
-Alô! - Falei ao atender a ligação.
- Bom dia, flor do dia. - Brincou ao dar uma leve gargalhada.
- Bom dia. - Eu ri com a fala da loura.
- Daqui a pouco estou chegando por aí, viu?
- Está bem, o Gas está com você? - Perguntei ao me referir ao irmão da minha amiga.
- Ele ainda não chegou aí? - Perguntou soando preocupada. - Que estranho, pois ele saiu antes de mim!
Eles dividiam um duplex em um bairro um pouco distante, mas mesmo apesar da distância, a gente se via sempre que dava, éramos muito amigas, e eu gostava dela como se fosse uma irmã.
- Deve ter ido resolver alguma cois antes. -Falei.
- É deve ser isso mesmo... Tenho que desligar, o farol abriu. - Falou ao se referir ao trânsito.
- Está bem, estou te esperando. Beijo.
- Beijo. -Falou se pondo a desligar a ligação.
Coloquei o telefone no gancho, e fui pra cozinha, Dudu já estava no local, procurando alguma coisa na mesa.
- O que você está procurando? - Perguntei.
- Mãe, cadê o bolo de chocolate com cobertura de chocolate e recheio de chocolate? - Ele perguntou parecendo meio bravo.
- Ai filho, eu esqueci, perdão.
Ah, Dudu amava o bolo de chocolate que eu fazia, eu havia aprendido a receita com a avó dele, quando eu ainda estava com o pai do meu filho, nunca mais esqueci aquela receita, era simplesmente o bolo mais delicioso que eu já havia provado na vida.
- Você tinha prometido, mamãe. - Ele se sentou com o olhar triste.
- Desculpa, meu amor, é que a mamãe teve que resolver algumas coisas, mas assim que a gente chegar no Brasil eu faço pra você
- Temos mesmo que ir, mamãe? - Ai meu Deus, quantas vezes ele vai pergunta isso?
Fazia meses que a gente conversava sobre isso, fiz questão de avisá-lo com bastante antecedência pra dar tempo dele se acostumar com a ideia, mas acho que não funcionou muito, pois ele ainda não havia se acostumado com a ideia.
- Sim Dudu, temos que ir. - Respondi pela milésima vez.
- Está bem, - Falou cabisbaixo.
Nisso a campainha tocou, e meu filho saiu em disparada para ver de quem se tratava. Ele foi em direção da sala e depois voltou abraçado na Euge, pois ele também adorava a minha amiga, e era algo recíproco, pois ela tinha loucura por ele, e eu ficava muito feliz de ver os dois juntos.
- Euge já chegou? - A quetionei ao vê-la.
- Claro né mãe, não está vendo ela aqui? - Ele me perguntou.
- Eu estou vendo, sim, querido. - Falei ao arrancar risos de Euge.
- Como vai, amiga? - Ela perguntou ao me abraçar.
- Bem, graças a Deus. - Desfiz o abraço. - Vou pegar as malas e trazer aqui pra baixo.
- Temos mesmo que ir? - Dudu perguntou pela milionésima vez.
- Eduardo! Sim temos que ir. - Falei, já me cansando da mesma pergunta.
- Mesmo? - Euge perguntou.
Ai meu Deus, agora é dois, é? Era só o que me faltava, como se já não bastasse um...
- Euge, até você? Sim, já disse que sim.
- Podemos dividir o meu duplex, não é grande como o seu, mas cabe muito bem mais uma pessoa, e ai você pode colocar esse para alugar e ajudar nas despesas e...
- Euge, já conversamos sobre isso, agora deixa eu pegar as malas. - Falei ao interrompê-la.
Eu me retirei do local antes que eles falassem mais alguma coisa, até porque eu já estava decidida, eu sabia que havia tomado a melhor decisão.
(...)
Juan
Terminei de tomar banho e já senti o cheirinho do bolo que minha mãe havia feito. Fui até meu closet e me troquei, depois peguei a pasta, onde eu coloco minhas músicas e de lá caiu uma foto, onde estava eu e Mari deitados na grama e sorrindo, lembro daquele dia como se fosse ontem.
Logo me lembrei dela, que nunca saiu da minha cabeça, com seu sorriso encantador, o sorriso que só ela tinha.
Flashback On
Corríamos pelo parque, ela fugia de mim, e eu corria atrás dela, de repente a alcancei e a puxei pela cintura, caímos na grama e comecei a fazer cosquinhas nela, que ria sem parar....
- Para, Juan. - Ela pediu, sem conseguir para de rir. - Por favor.
- Só se você me der um beijinho. - Falei sorrindo e parando de fazer cosquinhas nela.
- Está bem, seu bobo. - Sorriu e se inclinou para me beijar.
Ah, que falta eu sentia dos beijos dela, do toque dela, do cheiro dela...
- Te amo; - Falei passando todo meu amor, queria que ela soubesse tudo o que sentia.
- Eu te amo mais. - Ela sorriu e pude ver a verdade em seu olhos.
Sem resistir, a beijei de novo, quando estávamos juntos, eu não conseguia parar de beijá-la, era o meu vício.
Flashback Off
Será que eu a perdi para sempre? Não, eu não posso nem pensar nisso, eu tenho que descobrir onde ela está e porque se foi, eu preciso dela aqui comigo para me fazer feliz como sempre fez, para eu conseguir voltar a ser feliz.
Coloquei a foto no lugar e fui escrever mais uma canção.