Mariana
Já tinha visto tudo o que eu precisava, estava tudo em ordem, e por isso, desci com as malas. Coloquei as na sala e voltei para a cozinha. Euge disse que tinha uma surpresa, foi até a bolsa e tirou um embrulho, o que me deixou bastante curiosa para saber o que era. Nele estava escrito ''Confeitaria Doce Vida''. Já estava até imaginando do que se tratava.
- O que é isso? - Meu filho perguntou todo animado.
- É um presente da madrinha pra você. - Sorriu docemente. - Espero que você goste, foi difícil de achar, viu?
- Sério? Pra mim? - Perguntou com os olhinhos brilhantes. Euge fez sinal positivo com a cabeça, e então, Dudu começou a rasgar o papel e dentro tinha uma embalagem com quatro pedaços do bolo que ele mais gostava, depois do meu, é claro.
- Bolo de chocolate? - Perguntou todo feliz.
- Gostou? - Minha amiga perguntou para o meu filho.
- Muito. - Ele disse praticamente devorando aquele bolo.
- Como se fala, filho?
- Muito obrigado. - Ele disse de boca cheia, fazendo eu e Euge rir.
Em seguida, minha amiga e eu tomamos um delicioso café, enquanto conversávamos, ah, como eu gostava de tê-la por perto.
(...)
Juan
Eu estava terminando minha canção quando minha mãe me chamou. O bolo estava pronto. Finalizei a canção e guardei minhas coisas em seus devidos lugares, pois eu gostava de tudo muito bem organizado, pelo menos ao que se diz respeito às minhas músicas.
Desci e a mesa já estava posta, e mamãe já estava tomando o café, nem havia me esperado.
- Cadê o bolo de chocolate? - Perguntei ao procurar na mesa.
- Está na cozinha, só um momento que eu vou pegar. -Disse mamãe se pondo a se levantar da cadeira em que estava.
- Não mãe, pode deixar. - Falei.
Levantei e fui até a cozinha, o bolo estava em cima do balcão, eu peguei e logo voltei pra mesa.
- Porque está tão feliz hoje? - Minha mãe,perguntou de repente.
- Não sei. - Respondi de boca cheia, fazendo minha mãe rir. - Sei lá, só acordei feliz hoje.
- Não vejo você assim faz anos, na verdade, desde que... - Olhei para ela parou de falar. - Há muito tempo.
- Não sei... Sinto que algo vai mudar. - Falei ao dar outra mordida no pedaço de bolo.
- Sabe... Eu acho que não vejo você assim desde que a Mariana se foi, faz quanto tempo mesmo?
- Sete anos. - Mordi outro pedaço. - Mãe, você não sabe pra onde ela foi?
Ah, como eu sentia falta daquela morena... Mari foi o grande amor da minha vida, eu nunca amei ninguém da forma que eu amei ela, e sei que com a Mari aconteceu o mesmo, mas... será que depois de tantos anos, ela ainda pensa em mim da mesma forma que eu penso nela? Ou será que já me esqueceu? Será que já está com outro?
- E como eu saberia? - Ela pegou um pedaço do meu bolo.
- Ah, você é amiga da mãe dela. - Respondi.
- Mas ela não me disse. - Olhou as horas no relógio. - Olha a hora! Tenho que ir.
- Fica calma, você é a dona. - Eu ri.
- Por isso mesmo, tenho que dar o exemplo para os demais. - Se levantou e pegou sua bolsa.
- Melhor, mais bolo pra mim. - Comemorei e peguei outro pedaço.
Mamãe me deu um beijo no rosto, pediu para eu não comer muito para eu não ficar com dor de barriga, e em seguida, pegou suas chaves e saiu de casa.
(...)
Dudu
Estava saboreando o meu bolo que a madrinha havia me dado, ah, como eu amo a Euge, ela é demais, sabe muto bem como agradar uma criança. A campainha tocou e mamãe foi atender, era o meu padrinho, o tio Gas. Ele entrou e logo se sentou com a gente.
- Onde você estava? - Euge perguntou parecendo brava.
- Fui resolver algumas coisas. - Disse o homem com um leve sorriso. - Tem bolo aí pra mim? - Sério mesmo que ele vai querer o meu bolo?
- Tem só mais um pedaço. - Respondi
- Posso? - Ele me olhou na maior cara de p*u.
- Não! - Eu respondi. - Oras, o bolo era meu!
- Eduardo! - Minha mãe me repreendeu.
- Desculpa.... Mas eu vendo ele, se você quiser...
- Eduardo! - Mamãe falou de novo.
- Oras mãe, só estou aprendendo a negociar. - Dei de ombros.
- Já que vai para o Brasil, te dou 15 reais.
- Isso é muito dinheiro? - Cochichei pra minha mãe.
- É sim. - Ela cochichou de volta.
- Tudo certo! - Ele fez menção em pegar o bolo e eu o puxei. - Nada disso! Primeiro a grana. - Todos riram.
O homem me deu o dinheiro e eu guardei no bolso da minha bermuda, ah, eu nem acredito que eu teria 15 reais para comprar o que eu quisesse, na verdade, eu nem sei o que eu compraria com esse valor, mas eu iria pensar com calma.
- Agora o bolo. - Eu dei o pedaço a ele.
- Olha a hora! Vamos chegar atrasados. - Disse Euge.
- Temos mesmo que ir?
Cara, eu não quero ir, queria ficar, por que minha mãe não consegue entender isso? Por que criança não tem voz? m*l vejo a hora de crescer e poder tomar minhas próprias decisões.
- Sim Dudu, sim! - Mamãe disse impaciente e eu não entendia o porquê.
- Tá, vamos. - Gas disse se pondo a levantar. - Pegaram tudo?
- Ai, não! Eu esqueci uma coisa. - disse mamãe, se pondo a sair correndo.
- Nós vamos descendo as malas. - Gritou Euge.
- Ok! - Mamãe gritou de lá de cima.
- Vem Dudu, - Euge me chamou, indo em direção para a sala.
Nós pegamos todas as coisas e ficamos lá em baixo no estacionamento esperando a mamãe.