Mariana
Eu não acredito que quase me esqueci disso, ah, como eu sou distraída. É a única coisa que tenho do Juan e quase me esqueço.
Abri a cômoda e tinha somente a minha foto com Juan. Ah, como eu sinto falta dele...
Olhei a foto mais uma vez e me lembrei da primeira vez que nos vimos, parece que foi ontem, pois lembro nitidamente de cada detalhe, e se eu fecho meus olhos, é como se eu visse tudo novamente como em um filme.
Flashback On
Eu estava com minha irmã, Cande, passeando pela cidade quando ela esbarrou em um garoto. Pediu desculpa e o menino já foi logo se apresentando.
- Olá, meu nome é Juan Pedro, mas pode me chamar só de Juan mesmo. – O garoto sorriu.
Ah, como ele era lindo! Eu fiquei fascinada com ele, tinha um olhar que parecia me hipnotizar, era encantador... E aquele sorriso... O que era aquele sorriso? Acho que eu nunca havia visto um garoto tão bonito assim em toda a minha vida.
- Prazer, eu sou a Cande. – Minha irmã disse dando um beijo na bochecha dele.– E essa aqui é a minha irmã Mariana.
- Prazer! – O garoto disse ao nos cumprimentar também com um beijo no rosto.
- Prazer!- Respondi um pouco tímida, digamos que eu era meio inocente naquela época.
- E essa aqui é a minha irmã. – Juan disse mais ficou procurando em seguida. - Desculpem, ela sempre some do nada. – Rimos
- Quem sempre some? – Era uma garota loira, com um sorriso bonito igual ao dele, e estava segurando uma câmera, ela parecia simpática.
- Você! Onde você estava? – Perguntou soando preocupado.
- Ué, eu estava tirando umas fotos. -Logo se pôs a olhar para mim e para minha irmã. - Não vai me apresentar as suas amigas? – Perguntou com um sorriso de canto de boca.
- Não, não, não. Nós não somos amigos. – Respondi um tanto nervosa.
- Mas podemos ser. – Minha irmã disse, me deixando meio envergonhada.
- Ah, perdão, eu nem me apresentei, sou Valentina, a irmã desse lesado aqui. – Ela riu se pondo a nos comprimentar.
- Eu sou a Mariana e essa é a minha irmã Cande. – Falei enquanto notava que Juan não parava de sorrir.
- Que tal tomarmos um sorvete? – Valentina sugeriu animada.
- Ai, adoro! Vamos lá! – Cande disse se pondo a sair puxando a menina e deixando nós pra atrás.
- Acho que sua irmã gostou da gente. – Juan disse sem conter um enorme sorriso.
- É, parece. – Ri também.
- E você gostou de mim? Digo... da gente? – Ele perguntou parecendo nervoso.
- Sim, gostei de você. - Falei sem pensar. – Digo... De vocês. – Ele sorriu e caminhamos junto com as meninas.
Flashback Off
E quem diria que dali surgiria um amor como o nosso? Digo como o meu, porque acho que Juan nunca sentiu o mesmo por mim....
Olhei mais uma vez a foto quando de repente alguém abriu a porta.
- Mãe, temos que ir. – Escondi a foto atrás de mim para ele não ver. – O que você está escondendo? – Perguntou com ar de curiosidade.
- Nada, filho, vamos. – Peguei na mão dele e fomos para o estacionamento.
(...)
Juan
Terminei de tomar café e fui guardar meu bolo, porque logicamente eu iria comer mais tarde, não dava para desperdiçar.
Logo a empregada chegou e foi direto tirar a mesa do café. Cumprimentei ela e subi para tocar minha música que compus, e logo peguei meu violão.
A veces siento cosas
Que no son verdad
El miedo de olvidarte
Me hace despertar
Y quiero recordarte
Tal como te ví
Sonriéndome a lo lejos
Cuando me despedí
Dónde estás
Dónde fue
Dónde el beso
Se hizo sal
Dónde el sueño
Hace mal
Y no tenerte
Es mortal
Dónde estás
Amor, amor
Dónde no estás
Amor, amor
Donde estés
Te buscaré
Ai, ai, eu não sei o porquê, mas alguma coisa me dizia que minha vida iria mudar, espero que para melhor.
- Mariana, eu vou te encontrar, sei que vou... – Falei pra mim mesmo.
(...)
Dudu
Fomos o caminho inteiro calados, tio Gas que estava dirigindo, tia Euge estava no telefone, mamãe olhava pela janela e eu ja estava cansado de escutar música no meu celular.
- Já chegamos? – Perguntei impaciente.
- Ainda não, bebê. – Mamãe respondeu e eu bufei.
- Mãe, eu não sou mais um bebê. – Meus padrinhos riram.
- Pois para mim, você sempre vai ser.– Minha mãe disse se pondo a dar um beijo na minha cabeça.
- Eu não gosto disso! – Fiquei emburrado, claro, eu já sou um adulto, e não um bebê!
- Chegamos! – Falou tia Euge.
Descemos do carro e os meu padrinhos e a mamãe pegaram as malas, e então entramos no aeroporto. Nossa, era enorme! E tinha tanta gente... Cara, isso dava medo, e em um impulso, peguei na mão da minha mãe.
- Pensei que não era mais um bebê. – Mamãe disse.
- E que tipo de mãe deixa o filho à deriva? Tá bom talvez eu não seja tão adulto assim. - Revirei os olhos. - Mamãe riu. Sinceramente não vi graça.
Ah, será que a gente precisava mesmo ir?