O aviso não veio em forma de ameaça direta. Veio como o morro costuma falar quando quer ser ouvido: silêncio estranho demais, passos medidos demais, olhos que desviam quando não deveriam. Percebi antes de Jonathan. As ruas estavam iguais, mas o ar não. As pessoas ainda cumprimentavam, ainda seguiam suas rotinas, mas havia um cuidado novo nos gestos. As conversas diminuíam quando eu passava. Não por desprezo. Por cálculo. Quem anda em território tenso aprende rápido: quando ninguém fala, é porque algo já está decidido. Tia Naná sentiu também. Ela não perguntou nada naquela manhã. Apenas me observou mais tempo do que o normal, como quem memoriza o rosto de alguém antes de uma mudança inevitável. — Não sai sozinha hoje — disse, simples. — Nunca saio — respondi. Mas era mentira. Eu tinh

