A Beira-Mar tinha um jeito próprio de observar quem chegava. Não era curiosidade aberta, nem hostilidade explícita. Era um olhar silencioso, atento, quase avaliador. As ruas viam tudo. Quem passava, quem ficava, quem fingia ser o que não era. E eu sentia isso na pele desde que acordei naquela manhã. Saí de casa cedo, a pedido da tia Naná, para comprar algumas coisas no mercadinho da esquina. Era uma tarefa simples, mas meu corpo reagia como se fosse um teste maior. Não por medo de violência, e sim por um hábito antigo: o de esperar julgamento. Desci a rua devagar. As casas se amontoavam umas sobre as outras, como se tivessem crescido sem pedir permissão. Roupas penduradas, crianças sentadas nos degraus, gente conversando alto mesmo antes das oito da manhã. Havia vida demais ali para qu

