O risco deixou de ser uma ideia quando alguém falou meu nome do jeito errado. Não foi grito. Não foi ameaça explícita. Foi um sussurro jogado no ar, desses que parecem inofensivos, mas chegam com intenção. Eu estava na escadaria, voltando da venda, quando ouvi atrás de mim. — É ela. Continuei andando. Aprendi cedo que virar o rosto pode ser convite. O coração acelerou, mas meus passos não. O morro inteiro pareceu prender a respiração junto comigo. — A do Jonathan — completou a voz. Não havia erro. Não havia dúvida. Eu não era mais um detalhe na vida dele. Eu era um ponto marcado. Cheguei em casa com as mãos frias. Tia Naná percebeu na hora. — O que foi? — perguntou. — Falaram de mim — respondi. — Não como curiosidade. Ela fechou a porta e trancou. — Então chegou — disse apenas.

