Capítulo 11

1037 Words
Chegando, eu conheci a casa, ou melhor, mansão. Era grande e linda, melhor do que eu sempre sonhei. Ele disse que iriam acontecer reuniões ali, que iria contratar empregada para poder deixar tudo sempre arrumado e no lugar e eu deveria supervisionar tudo. Eu quase esqueci o passado, eu estava vivendo meu sonho, morando fora do Brasil, em uma casa linda e com um marido rico. Nessa altura, o amor não parecia ser tão importante. Meus filhos no futuro iriam entender, já que eu estava dando uma vida boa para eles. Eu ligava para ver se estava tudo bem, eles me tratavam com frieza, chegaram a falar que na minha vida só tinha espaço para homens. O Dom me chamou de interesseira, isso doeu, porque eu fui também por ele. Não vou mentir, eu até gostava do dinheiro e do poder, mas eu fiz isso por amor. Eu comecei a me envolver com meu marido, mas sempre me lembrava do Dom. Quando olhava tudo o que eu estava vivendo, eu esquecia. Teve reuniões lá em casa, não participava, era algo bem estranho, no escritório trancado. Tinha dias que meu marido era agressivo, principalmente quando bebia, outros que me tratava como princesa. Duas semanas após chegarmos aos Estados Unidos, fomos passear. Estava tudo indo bem, ele tinha bebido um pouco, a filha estava gastando como sempre, ela tinha raiva de mim, porque queria tudo para ela. Eu fui ao banheiro, um homem me parou para perguntar algo, eu não entendi, não falava bem inglês. Alexandre veio para cima de nós dois, falando que eu não tinha ido ao banheiro e que eu fui dar em cima do homem, que uma vez p**a, eu nunca iria mudar. A filha colocou pilha, eu tentei explicar, mas não me ouviram. Ele pagou a conta e não disse nada. Chegando em casa, eu fui para o quarto explicar, falei que era loucura dele e quando fui falar da filha dele, me deu um tapa muito forte no rosto, me jogou na cama e me bateu. Eu não tive reação, ele pegou meu celular e disse que eu não iria sair do quarto por uns dias, já que eu não sabia me comportar. Trancou a porta com chave, eu desesperada bati na porta, chamei, mas a casa era grande, ninguém ouvia ou melhor, a filha dele não ligava. Eu estava machucada, com medo, não achei justo ser tratada assim. O quarto era grande, tinha banheiro, mas eu não queria ficar ali. No dia seguinte, ele foi me ver e me deu café da manhã, pediu desculpas e disse estar arrependido. Eu falei que não iria aceitar, ele riu e perguntou para onde eu iria, como iria voltar para o Brasil, já que quem pagava tudo era ele, que pagava o tratamento do Dom e dava dinheiro para meus filhos, que se ele me deixasse eu ficaria sem nada. Me calei, no fundo eu sabia que era verdade, teria que me sujeitar a isso, me arrependi das escolhas erradas que eu fiz, mas agora já era tarde. Ele me deixou sair do quarto, mas trancava a casa, só ele, a filha e a empregada tinham a chave. Eu não podia tentar fugir ou ir na rua, tudo o que eu fazia era errado, nunca nada estava bom. Ele começou a me obrigar a me vestir diferente, às vezes até falar. Eu não tinha mais opção de nada. Quando ele queria ter relação, eu não tinha voz, meu não, não era ouvido, ele fazia mesmo assim, já que eu fui cara para ele, é o que ele me dizia. Não deixava eu falar com meus filhos, já que eles já tinham tudo o que precisavam, o dinheiro dele. Mas quando eu falava que dinheiro não era tudo, ele perguntava porque estava com ele e disse que era a vida que eu escolhi, que ele me amava, mas que para ficar comigo ia ser do jeito dele. No fundo achava que não era amor, ele queria me humilhar. Tinha noites que ele não dormia em casa, voltava de manhã cedo só para se arrumar e ir trabalhar, não escondia que me traía, disse que quando eu me tornasse a mulher ideal, ficaria só comigo, mas enquanto isso, iria sim procurar outras. Eu até achava melhor, eu me livrava dele algumas noites. Eu tinha medo de tudo, as surras começaram a acontecer com mais frequência, ele não se importava comigo, acho que até gostava. A empregada era a única que ainda me ajudava, quando ele me trancava no quarto, ela ia e me dava comida. Já tinha 20 dias que eu não falava com meus filhos, a saudade era grande. A Domenica, empregada da casa, me emprestava o seu celular escondido, eu via as fotos deles e matava a saudade. Resolvi ligar para o Dom, ele atendeu. Ele me tratou m*l, meus filhos não quiseram falar comigo, eu já não tinha mais força para viver aquela situação. A única coisa que me mantinha viva lá eram eles e nem isso eu tinha. Eu fui ambiciosa, errei, mas estava pagando por cada erro. Primeiro eu perdi minha mãe, passei fome, sofri humilhação de todos, perdi meu filho, meu marido, agora levava surras e era obrigada a ter relações. Eu já não via mais saídas, às vezes quando ele me batia, eu achava que ia morrer, mas eu no fundo queria, porque só assim ficaria em paz. Eu estava cansada de tanta humilhação, não tinha ninguém que conseguia me entender. A empregada Domenica virou minha amiga, ela era a única coisa boa no meio daquilo tudo. Ela é brasileira e foi para lá trabalhar, morou sempre na cidade grande. Conversávamos todos os dias, ela praticamente morava lá em casa. Ela sempre me dava forças para fugir ou denunciar ele, disse até que me ajudaria. As coisas estavam cada vez mais difíceis lá em casa, meu marido vivia bebendo e muito irritado. Domenica ouviu ele conversar e estava brigando com um homem que trabalhava com ele. Ele estava envolvido com polícia, corrupção e tudo de errado. Ela me contou que ele teria que ir ao Brasil para resolver algumas questões. Fiquei super ansiosa, era minha chance de ver meus filhos.
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