Nos outros dias, comecei a tratá-lo bem, a conversar mais. Quando ele queria ter relação, eu me esforçava para agradá-lo, até mesmo quando era agressivo, comecei a pedir desculpas. Isso não fazia com que ele não me humilhasse ou às vezes até me batesse, mas ele me tratava melhor. Eu ligava para meus filhos, mesmo só para eles saberem que eu os amava, mas na maioria das vezes eles não falavam comigo. Minha amiga do Brasil sabia da história toda, ficou animada com a minha volta ao Brasil, falou que eu não merecia passar por isso, pediu para eu voltar de vez, falou que o Dom estava bem melhor, meus filhos também, que me arrumava um emprego na empresa dela e que tudo ficaria bem. Fiquei animada, era uma chance de recomeçar.
A minha vida tinha mudado por completo, tinha dias que ele deixava eu ir na casa, outros só no quarto. Tinha dias que era carinho e outros que bebia e descontava o ódio em mim. Ele continuava me dando um dinheiro ou outro para mandar para meu filho e me levava na rua para comprar roupas. Como ele já pagava o tratamento do Dom, eu mandava o suficiente para meus filhos e o resto eu juntava tudo em uma conta que eu tinha no Brasil. Não era muito, mas eu achava que isso iria me ajudar. Eu sonhava em ter um salão de beleza, esse dinheiro seria para recomeçar a minha vida. Quando eu saía, que era difícil, ele ia comigo e não me deixava longe dele ou sair com ninguém. A filha dele sabia de tudo e sempre incentivava ele fazer mais, eu sofria horrores por causa dela.
Um dia eu estava na sala e ouvi meu marido brigando com a filha, disse que ela era maior, mas que ainda deveria o respeitar, gritava com ela, eu não consegui ouvir. Quando ela notou que eu estava lá, mandou eu subir, preferi ir para não dar motivos. Nos dias seguintes eles não se olhavam e eu percebi que o Alexandre ficava mais no quarto comigo, me tratava até melhor. Ele resolveu dar uma reunião de negócios, pediu para eu preparar tudo. Ele estava animado, eu sabia que ele estava indo para o Brasil nas próximas semanas, então eu preparei tudo de uma forma perfeita. A reunião era para 30 pessoas, contratei pessoas para servir, um buffet, decorei bem chique, tudo do jeito que ele gosta. Quando ele chegou, me elogiou, disse que eu estava finalmente virando uma boa esposa. m*l sabia ele que só queria me livrar dele e da sua filha, não aguentava mais apanhar e ser humilhada. Agora que o Dom estava melhorando, eu iria finalmente me livrar daquele velho babão. Sorri e pedi um beijo, os convidados iam chegando, ele disse para irmos todos jantar, fez um discurso como começo de um grande negócio, por isso iria para o Brasil, ficaria algumas semanas, voltaria para os EUA com um novo contrato e ainda mais rico, aproveitaria para ver a mãe. Falou sobre investimento e que em breve iria achar um novo braço direito, após os acontecimentos, seu braço direito era sua filha. Foi aí que tive certeza que algo estava errado.
Quando ele fez o anúncio que o jantar estaria servido, pediu para todos irem para a sala de jantar, eu perguntei baixo no seu ouvido:
- Amor, sei que você não gosta muito que eu me meta, mas você não vai esperar sua filha? Só queria saber para mandar servir.
Ele me olhou e passou a mão no meu rosto.
- Não diga mais o nome dela nessa casa, para mim ela morreu. Ela me traiu, ela acha que eu matei a mãe dela, passou todos esses anos querendo se vingar, destruir meus negócios e me levar à falência. Ela se envolveu com um homem perigoso, eu tirei tudo o que ela tinha. Agora ela vai voltar para o Brasil, sei que fui rude com você por causa dela muitas vezes e sei que nas últimas semanas estou distante e te tratando m*l. Eu não estou bem com a traição da minha própria filha, mas você muitas vezes faz por merecer, então continua sendo uma boa mulher que eu prometo que você não vai se arrepender.
Ele disse isso e saiu em direção à sala de jantar e me puxou. Senti um alívio e uma sensação boa, agora ela iria sofrer tudo o que eu sofri.
Estávamos jantando, meu marido sendo um cara simpático e tratando todos bem, tentando demonstrar ser alguém confiável. Olhei pela janela e vi a sua filha chegando, tentei avisar. Ele se levantou, ela entrou na sala de jantar e perguntou porque não tinha convidado ela, estava alterada, falando que ele estava culpando ela por seu fracasso.
Ele mandou ela se retirar, os convidados já sabiam da sua traição, ela tentou pegar um contrato que o pai iria fazer, chegou a ir no lugar dele, falando seu nome e iria assinar. Ele disse que ela estava com o namorado pretendendo matar ele, que isso era o desgosto da sua vida. Ela negou e começou a contar como ele era um cara r**m, disse algumas coisas referente a algumas vezes que o Alexandre foi desonesto com alguns dos convidados, disse também que ele era um cara agressivo e que tinha matado sua mãe, mandou perguntarem para mim, já que ele vivia me espancando. Eu levantei na mesma hora e respondi sem pensar muito.
Levantei da mesa, bati forte e falei:
- Ele nunca me bateu, cuida muito bem de mim e dos meus filhos, é o melhor homem que já conheci.
Ela me olhou com um olhar de ódio, eu queria que todos ficassem contra ela, estava falando do próprio pai, fez minha vida um inferno e agora eu iria me vingar, mesmo que perdesse a oportunidade de me livrar dela. Perguntei para a empregada, ela confirmou, no início ela não entendeu, mas fez porque gostava de mim.
Meu marido olhou e segurou minha mão, sorriu com um olhar de gratidão, os seguranças tiraram ela.
Eu não sabia o que estava fazendo, meu marido era um homem rico e poderoso, tinha amizades importantes, dinheiro para tudo, eu precisava me sair bem, precisava afastar aquela filha dele.
Eu ainda tinha raiva dele, de tudo o que fez, todas as humilhações e surras, mas eu não sei explicar, não queria ele m*l, eu gostava dele também, pode até ser que gostava de tudo o que ele me dava quando era bom.
Ela saiu, eu sentei e chorei, me fiz de abalada, disse que sempre tratei ela como uma filha, que não entendia tudo aquilo.
Os convidados ficaram chocados, mas apoiaram meu marido, ele estava todo político, mas no fundo devia tudo aquilo a mim.
A reunião acabou, fui me deitar, ele chegou no quarto e pediu para conversar comigo.