Capítulo 13

1016 Words
Ele chegou no quarto e perguntou por que eu tinha o defendido depois de tudo. Eu sorri e disse que sabia que ele era um homem bom e que merecia uma segunda chance. Ele me abraçou, disse que me amava, conversamos a noite toda, mas não consegui esquecer toda dor que ele me causou. Já iria fazer um ano que estava nos Estados Unidos, que não falava com meus filhos. Eu juntava todo tempo provas, tirava foto do meu rosto machucado, dos hematomas do corpo e até gravava as suas ameaças, mas sabia que ele era uma pessoa influente, não tinha muito o que fazer. Dormimos juntos, eu perguntei sobre a ida dele para o Brasil, ele disse que já estava marcado há meses e que poderia me levar. Eu perguntei se a Domenica poderia ir também, tinha tempo que ela não via a família, ele aceitou. Eu estava animada, ansiosa por esse dia, queria chegar ao Brasil e mudar por completo a minha história. Soubemos que a filha do Alexandre tinha partido para o Brasil, então ele decidiu antecipar a viagem. Eu senti uma paz, por mais que eu soubesse que agora seria mais fácil de manipular ele, eu não conseguia dormir ao lado dele, sendo a mulher perfeita. Estava arrumando minha mala para ir para o Brasil. Domenica estava animada, iríamos ficar em um hotel mais chique da cidade. Comprei roupas novas e um celular novo também, agora ele confiava em mim e me dava mais liberdade, mas eu não confiava nele. Sei que ele só fazia isso porque queria minha ajuda e eu iria ajudar enquanto eu precisasse, depois seria minha vingança. Cheguei ao Brasil, fomos para o hotel. Eu avisei para o Alexandre que queria ver meus filhos e ele deixou. Compramos vários presentes, como eram crianças, iriam gostar. Chegamos lá cheios de presentes, eles até pegaram, mas não deram muita atenção para mim. Também, após viver um ano longe, eu falei com o Dom e pela primeira vez ele me tratou com indiferença, como se não me amasse mais. Ele realmente achava que eu tinha abandonado meus filhos. Fiquei algumas horas ali com eles, me senti uma estranha dentro da casa que era minha. Eles não me olhavam direito, não me davam atenção, só falavam comigo quando o pai mandava. A namorada do Dom o tempo todo perto e ele indiferente. Estava bem melhor de saúde, no começo da doença, ele ficou magro e abatido, sentia muitas tonturas e enjoo por causa das medicações e das quimioterapias. Eu não pude estar ao seu lado e nem amparando meus filhos. Fomos embora e eu senti uma dor tão grande, senti que o Alexandre não tinha só roubado um ano da minha vida e sim o amor deles também. Nos outros dias saímos, Alexandre tinha muito trabalho. Ele ganhou uma proposta que iria render muito dinheiro e ele já ia assinar. Soubemos que a filha dele estava no Brasil, próxima à cidade, ela postava algumas coisas de indireta e também falava m*l dele nas redes sociais. O Alexandre é o tipo político, que precisa estar sempre com a ficha limpa. Ele estava envolvido com várias outras coisas, tinha empresas, sociedades e estava entrando em um novo ramo que iria render muito dinheiro, porém sempre deveria ser bem visto, ter uma boa apresentação. Sabe aquele homem que te envolve? Que te trata bem? Tipo coroa que vale mais do que muitos novos, muito bem cuidado, boa aparência, mas por dentro ele é podre. A filha disse que ele tratava a mãe dela m*l, que tinha obsessão pela mãe, que ele a matou por ciúmes. Ele diz que não, que nunca fez isso, que ela fugiu com seu dinheiro, não aguentou a cobrança de ser mãe. Como tinha essa história envolvendo a sua ex-mulher, eu dei a ideia dele procurar um investigador, inicialmente ele aceitou. Eu tinha do meu lado um homem bonito, bem de vida, que aparentava ser o marido perfeito, tinha a vida que muitas mulheres sonhavam. Sabe aquela vida de revista? Que publicam uma coisa, mas a realidade é outra. Ele estava tentando melhorar, acho que só por medo da denúncia agora que ele estava fechando o contrato, mas continuava sendo machista, abusado, controlador, tenho que realizar todos os seus desejos porque ele fazia à força. Eu já vivi a vida que algumas mulheres desejam, ser amadas incondicionalmente. Dom não era um galanteador, às vezes ele era sem sal, não me dava t***o, sempre na mesma rotina. Ele era um homem normal, não chamava atenção, mas me dava vida boa, me amava, cuidava de mim e assumiu um filho que não era seu. Eu tive muitos homens, tive o amor, com uma condição boa e tive o dinheiro, sem muito amor, eu não sabia o que eu iria fazer. Eu sentia falta da minha mãe, dos meus filhos, sentia que não estava fazendo nada de útil e resolvi fazer trabalhos comunitários. Ajudava crianças nos hospitais, dava ajuda financeira e emocional, assim eu sentia que estava ajudando alguém que realmente precisava. Eu não contei para ninguém, pois não queria que pensassem que estava falando para me amostrar. Um dia eu estava no hospital, brincando com as crianças, eu costumava colocar nariz de palhaço e contar histórias. Meus filhos chegaram, ficaram me olhando de longe e eu não vi. Minha filha mais velha veio falar comigo, sorriu e disse que esse lado meu ela não conhecia, sendo mãe. Eu chorei, pedi desculpas e disse que sentia vergonha de quem eu me tornei, mas que tentaria recuperar seu amor se ela deixasse. Ela me abraçou e disse que sentia minha falta. Esse foi o melhor dia da minha vida nesse último ano. Almoçamos juntos, conversamos e eu não parava de sorrir. Meu marido foi me buscar na porta da casa do pai dos meus filhos. Quando me viu conversando com o Dom, saiu alterado do carro, me puxando pelo braço e dizendo que eu era dele, nitidamente bêbado, fedendo a bebida, cigarro e perfume de mulher. Tinha dias que ele não bebia, provavelmente algo aconteceu.
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