Eu pedi para ele se acalmar, ele estava irritado, disse que primeiro a sua filha o traiu e agora era eu. Tentei negar, eu realmente não estava fazendo nada. Ele continuou gritando, olhou para mim e disse alto:
- Você veio até mim e fizemos um acordo. Eu pago tratamento para esse aí se curar e banco teu luxo e dos teus filhos. Você me pertence.
Me puxou com força e me jogou no chão.
Dom veio me ajudar, minha filha ficou nervosa.
Eu pedi para ele se acalmar e o Dom perguntou como eu conseguia ficar com um homem assim.
Alexandre respondeu:
- Você deveria agradecer a mim, graças ao meu dinheiro você se trata do câncer.
Dom ficou nervoso, disse que ele era louco, que o tratamento era do hospital, um amigo conseguiu. Foi aí que Alexandre contou toda a verdade, que eu tinha o procurado para que ele me ajudasse com o tratamento do Dom e cuidar das meninas.
Minha filha chorou e disse que não esperava isso de mim, que ela achou que eu tivesse abandonado, mas eu fiz por eles.
Dom ficou com raiva e falou que não me pediu nada e que não precisava, chegou até falar que iria dar um jeito de devolver, que nunca iria aceitar algo de mim.
Eu estava cansada, principalmente agora que eu sabia que ele iria voltar a beber. Pedi desculpa a ele e às crianças e disse que iria embora com meu marido e que não queria problema para eles. Me desculpei com o Dom e falei que me doía ver ele doente, que ele não me pediu, mas que fiz porque não aguentava perder outra pessoa que eu amava, principalmente o único homem que amei. Que faria qualquer coisa para ver eles felizes, mesmo que por isso eu ficasse infeliz e longe deles, que me doía que eles pensassem que não os amava, mas que eu preferia ver eles felizes.
No caminho para casa, com o Alexandre gritando, me ameaçando, eu pensava em tudo, por que eu estava ali. Não só pelo Dom ter câncer, mas porque eu larguei minha família, porque eu traía e colocava a culpa no Dom trabalhar demais para dar uma boa vida para mim. Meus pais não tinham muito dinheiro, mas se amavam, eu os amava também, mas achava que quando fosse casar queria alguém rico. Ali, naquele carro, eu vi que o dinheiro não era tudo. Alexandre estava nervoso, falava coisas horríveis, que faria um bem para o mundo acabando com minha vida. Eu não tinha mais forças para reagir, no impulso abri a porta do carro e pulei na estrada, não aguentava mais me humilhar e apanhar. Caí e rolei, sentia meu corpo arder com a queda. Quando olhei, ele estava dando ré, queria passar em cima de mim com o carro. Tentei levantar e caí, tinha machucado a cabeça.
Ele saiu do carro com um ferro e veio para cima de mim. Tentei fugir, vinha um carro e eu me joguei na frente do carro.
Alexandre me puxou e me jogou no chão, foi tão rápido. Ouvi o barulho da porta do carro abrir e uma voz familiar. Por um momento minha vida passou pelos meus olhos, como se fosse em uma tela de cinema. Eu pensei em tudo que fiz de errado e que queria ter a chance de ver meus filhos crescerem.
Eu tentei levantar para fugir e quando olhei era o Dom. Estava com a arma do pai dele que faleceu e ele guardou. Seguiu a gente, mandava meu marido se afastar, mas ele não obedecia. Eu estava tonta com medo, mas me sentia segura. Dom me levantou, meu marido se afastou, ele me deu água e disse que nunca mais era para ele chegar perto da gente, que iria denunciar, que eu tinha tudo o que ele fez salvo e que se ele chegasse perto, iria na polícia e na mídia. Dom me pegou e colocou no carro, Alexandre bateu nas costas do Dom com a barra de ferro, os dois começaram a brigar e ouvi um barulho alto, era um tiro e os dois caíram no chão.
O Alexandre caiu por cima do Dom, já imaginei o pior. Quando fui tentar ajudar, o Dom tirou Alexandre de cima dele. Foi tão rápido, parecia que tinha perdido o fôlego, o ar. Quando o Dom levantou, eu finalmente consegui respirar aliviada, até o Dom tentar empurrar com o pé Alexandre, que estava molhado de sangue. Ele abaixou e confirmou o meu maior medo, ele não estava respirando.
Dom olhou nervoso e perguntou "e agora", disse que iria chamar a polícia e explicar a situação.
Mas como eu iria deixar? Ninguém iria acreditar em mim, ainda mais agora, iriam achar que foi planejado, principalmente porque o Dom não tinha posse de arma. Brigamos para decidirmos o que fazer.
Eu sabia que o Alexandre estava envolvido com coisas erradas, a filha tinha ameaçado na frente de todo mundo, ele estava envolvido com pessoas que ameaçavam ele, ninguém sabia que tínhamos brigado.
Então decidimos esconder o corpo, sei que parecia loucura, mas não tínhamos opção.
Deixamos seu corpo próximo ao carro, meio escondido, fui para casa e esperei, pedi para Dom conversar com as crianças e pedi para ninguém falar sobre a briga.
Naquela noite eu não consegui dormir, de manhã meu marido tinha reunião e não apareceu, também não teria como, ligaram para minha casa e eu fingi espanto.
Fui até a polícia e denunciei o desaparecimento do meu marido, fiquei triste e chorei, no fundo o choro era de verdade, misturou o medo, a dor, até o alívio, agora ele não iria mais me agredir.
Fui para casa e avisei as pessoas próximas sobre o desaparecimento do Alexandre, ele tinha muitos inimigos e muitos suspeitos.
Fui para casa ver meus filhos e conversar com o Dom, ele disse que não conseguiria, que iria se entregar. Eu pedi para ele ter calma, se prendessem ele e a mim, como ficariam as crianças, ele concordou.