Capítulo 2

1009 Words
Então o Dom e eu começamos a namorar. Ele pediu para meus pais e decorou o quarto dele para me dar a aliança. Tudo parecia surreal com ele; éramos tão apaixonados, tão um do outro. Como eu morava longe, nós vivíamos dormindo na casa dele várias vezes na semana. Lá se foram meses e anos de muito amor e felicidades. A gente até pensava em casar, mas estava cômodo da forma que era. Quatro anos depois, como "namoridos", eu parei de me cuidar, larguei mão do anticoncepcional. Ele queria muito um filho meu, vivia pedindo. Ele tinha uma menina grandinha já, mas queria um meu. Acabei engravidando e decidimos nos casar. Não contei para ninguém da gravidez, só para a Natasha, minha amiga. Em menos de dois meses, organizamos tudo, fizemos um festão, ganhamos muitos presentes e fomos morar nos fundos dos meus sogros. Ficamos muito felizes a princípio. Até a ex do meu marido, a mãe da filha dele, foi no casamento. Quando revelamos a gravidez a todos, parecia carma. Comecei a passar muito m*l, eu não conseguia sair de casa. Ia trabalhar duas ou três vezes na semana. Fiquei depressiva, com síndrome do pânico, e todos só me criticavam, falando que era frescura minha, que eu tinha tudo: uma casa, um marido bom. Foi a pior fase da minha vida. Como eu passava muito m*l, fomos morar com os meus pais em outra cidade. O meu marido saiu do trabalho e foi trabalhar na roça com meu pai. A gravidez toda foi muito sofrida. Eu passei com um psicólogo para tentar ficar melhor, mas foi difícil ainda assim. Quando meu filho nasceu, achei que fosse morrer. Meu casamento ficou mexido, balançado; engordei muito, não saía para nada. No final da gravidez, voltei a trabalhar. Fiquei um mês até nascer, ganhei licença maternidade e o maior medo de todos era eu ter depressão pós-parto. Eu morava perto da minha mãe, ela me ajudava muito. O meu marido não ajudava nada, à noite ele só dormia, nem ligava para mim. Era muito folgado. O médico rasgou meu útero no parto, eu sofri muito. Fiquei uns dois meses dormindo na minha mãe porque precisava de ajuda. Quando voltei para a minha casinha nos fundos, meu filho estranhou muito, só chorava. Acabei deixando ele dormir sempre com a minha mãe. De dia eu cuidava e de noite deixava com ela. Voltei a trabalhar quando ele tinha quatro meses. Eu trabalhava em uma loja, uma multinacional muito boa. Só que engordei muito, uns 30 kg, e quando voltei não tinha uniforme que servisse em mim. Eu sofri muito com isso, a rejeição, o preconceito. Também sofri racismo. O próprio dono chegou e falou: "Que mulamba, o que essa mulher está fazendo trabalhando aqui?". Começaram a me humilhar, me colocar para limpar tudo sozinha quase todos os dias. Pedi para me mandarem embora, não queriam mandar. Saí e processei eles por racismo, consegui ganhar. Demorou muito, mas ganhei. Na época, 10 mil era bastante, antigamente, né? Saí dessa loja e vida que segue. Meus pais me ajudavam financeiramente, mas logo consegui um trabalho. Sempre fui boa vendedora. Superei a síndrome do pânico usando meu filho. Eu e meu marido trabalhávamos muito, fomos nos distanciando. Quando eu trabalhava na loja, fiz uma grande amiga, a Karen. Ela até foi testemunha para mim no processo. Perdemos um pouco o contato, mas recuperamos tempos depois. O Dom vivia na casa dos pais dele. Eu resolvi me aproximar dessa amiga. Ela me chamou para ir na casa dela, aceitei. Era perto do meu trabalho, comecei a ir ficar lá depois do trabalho. Deixava meu filho com a minha mãe, eu e essa amiga saíamos juntas para comer, bater papo. Ela conheceu um cara na internet. Todo mundo gostou dele logo de cara. Eu tentava aproximar o meu marido das minhas amizades, mas ele não dava importância nenhuma. A gente ficava semanas sem nos ver até. Esse cara, namorado da Karen, me apresentou um amigo dele. Trocamos contato e começamos a conversar muito. Ele começou a me dar atenção, até me levava ao trabalho às vezes porque ele passava o fim de semana na casa da minha amiga e eu também. Ele tinha namorada até. Como ele supria a minha carência, fui curtindo. Mas ele não me pagava nada, não gastava um real comigo, eu pagava até motel. Às vezes o meu marido chegava a dar dinheiro para mim ir ao motel com meu amante. Esse meu amante foi cansando, falou que eu era casada e tal, que não era legal. Fiquei iludida porque ele era um gostosinho, carinhoso. Ele também disse que era operado, tinha feito vasectomia. Começamos a pensar em largar nossos companheiros para ficar juntos. Eu já estava há cinco meses sem ter relação com o meu marido. Resolvi pedir a separação. O meu marido sofreu muito, emagreceu, ficou muito m*l. Pedi um tempo, na verdade. Aí o Dom começou a correr atrás de mim, falando que ia mudar, que ia fazer tudo diferente. Eu pisava, falava que não queria, mas no fundo sentia algo por ele ainda. Recebi uma proposta boa de trabalho para ficar 15 dias fora em outra cidade e uma semana em casa. Como o meu amante não me dava nada, aceitei a proposta de trabalho. Fiquei um mês lá. Eu estava um pouco chateada, tinha labirintite, vivia passando m*l. Fui na farmácia comprar o remédio da labirintite e tinha que ter certeza que não estava grávida para tomar. Comprei um teste de gravidez e deu positivo. Meu mundo caiu. Eu estava longe, sozinha, não tinha chance de ser do meu marido, só podia ser do amante. Eu nunca quis tirar, mas pensava em morrer, não sabia para onde correr. Chorei a semana toda. Chegou minha folga, eu estava voltando para casa e, nesse tempo, o Dom ficava conversando comigo por mensagem e ligação. Falei que precisava conversar com ele para pôr os pingos nos "i"s, ele aceitou. Eu não queria fazer ele de bobo também, sempre tive carinho por ele.
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