Capítulo 4

1000 Words
Ele chegou, abriu a porta todo calmo e sentou no banco do passageiro. Começamos a beber e conversar bem de boa mesmo. Eu inventei uma história de vida mentirosa sobre mim né, falei que era recém-separada e meu ex me perseguia, que ele era louco possessivo uma pessoa difícil. Falei que eu sofria muito, era agredida. Eu estava bêbada e entediada, me pareceu legal na hora. Conversamos por horas, madrugada adentro. Ele me convenceu a entrar no hotel e bebi muito. Acho que tinha algo na minha bebida para me dopar. O cara me disse que gostava de gordinhas, me elogiou muito, me deixou à vontade. Eu estava me sentindo um pouco inconsciente, começamos a nos beijar e eu não lembro de mais nada. Acordei sozinha, nua, e me tocando, indo ao banheiro, percebi que tinha ido longe demais. Fiquei em pânico, fui embora correndo, era hora do almoço, meu marido havia ligado mais de 10 vezes. Eu não sabia o que falar, a minha amiga tinha sumido. Tive uma ideia para justificar a minha ausência: joguei o carro no matagal, lá tinha muito sítio, bati numa árvore e fiquei lá para esperar o carro esfriar. Uma hora depois, liguei para meu marido falando que tinha acordado lá sem lembrar nada... Forjei um acidente para meu marido não desconfiar por que dormi fora. Uma hora depois, liguei para ele e ele foi me socorrer. Meu carro novinho ficou amassado, chorei tanto, tanto, prometi para mim mesma nunca mais trair meu marido. Ele nem brigou comigo, ficou com pena. Fiquei tratando ele como um marajá por alguns dias, mas ele era irritante, muito mole, sem atitude. A ex-mulher dele estava m*l falada na cidade. A gente tinha contato com a menina, a primeira filha dele, mas não muito. Um dia a menina estava conversando com o Dom pelo celular, a mãe dela, ex-mulher dele, surtou, bateu na menina, espancou ela. A escola viu os hematomas e entrou em contato. Então fizemos a denúncia e pegamos a guarda da menina. Ele criava um filho que não era dele. Eu também aceitei por um bem maior. Minha enteada era tão carente de mãe que foi fácil a adaptação. Eu descobri grupos para buscar amizades virtuais e comecei a me relacionar com muitos homens virtualmente. O Dom nunca mexia no meu celular, nem eu no dele. Fiquei sossegada por meses, me via infeliz, gastando à toa para preencher o vazio da minha vida. Minha enteada no começo se comportou, mas depois começou a pôr as asas de fora. Foi entrando na adolescência, ficando malcriada, rebelde. Eu me segurando para não trair, nem me separar, e a menina colocando a gente um contra o outro sempre, com mentiras, fofocas. A gota d'água foi ela comer 3 pacotes de bolacha em um dia e falar que fui eu, que eu estava gorda por isso. Era uma para cada uma das crianças. Chamei atenção dela e deu em uma briga que ficamos 10 dias sem nos falar. Nisso, eu tive um amor virtual que se arrastou por meses. Ele era humilde e eu dava dinheiro para ajudar ele a pagar a internet, até um celular novo eu dei a ele, e tudo com o dinheiro do meu marido. Ele me dava a atenção que meu marido deixava faltar. A minha vida era cuidar de criança e de casa, um saco. Eu sentia que faltava algo, mas não sabia o que. Quando a minha enteada veio morar, eu fiquei sem trair, também nem tinha tempo. Um dia eu precisei usar o celular do Dom para falar com a ex dele e, por curiosidade, fui mexer no f*******:. Achei conversas com mulheres, ele se declarando para uma lá, falando que era linda. Poxa, aquilo me machucou muito. Por mais que eu não fosse santa, ele era um santo para mim, fiel, dedicado. Fiquei com tanta raiva, louca da vida, que resolvi fazer algo... Quebrei meu celular de raiva, eu devia ter quebrado ele. Para ficar tudo pior, a filha dele começou a inventar mentiras. Ela maltratava meus filhos, comia escondido, falava que eu deixava ela suja, sem comer, e era mentira. Me chamava de prostituta gorda fedorenta, ela era muito m*l-educada. Me cansei e pedi para ele dar um jeito nela. Isso fazia a gente brigar muito e eu me aproximei de um cara que tinha rolo há tempos passados. Ele disse que estava de boa por causa do meu tamanho, se referiu à minha gordura. Isso acabou comigo. Eu pesava 140 quilos, não achava roupa, sapato. Sofria tanto, fui ficando desleixada com os anos. Nada estava bom, meu marido era falho, eu era falha. Meus filhos eu amava, mas acabavam comigo às vezes. Um dia eu estava na padaria comprando café, era no centro, eu tinha consulta com o médico. Uma cigana entrou e pediu para eu pagar um salgado para ela. Respondi: - A senhora mora aqui? Na cidade? Ela riu irônica e disse que às vezes, dependia. Paguei um suco com salgado, ela comeu calada do meu lado. Quando terminou, falou: - Foi muito bom fazer negócios com você, moça bonita. Perguntei do que ela estava falando. Ela agarrou a minha mão e falou cochichando: "Você vai ter o que quer, nem que lhe custe sua vida. Está feito." Puxei a mão no susto. Ela era baixinha, cabelo preto longo, cega de um olho, cheia de jóias, dentes de ouro. Ela saiu gargalhando da padaria, esqueceu a sacola de guardanapos que estava vendendo. A mocinha da padaria saiu atrás, disse que não a viu mais. Acabei levando os guardanapos para casa, fiquei assustada, mulher estranha. Cheguei em casa, o meu marido disse que ia levar a filha dele para morar com os avós. Pensei comigo: "Graças a Deus." Arrumei tudo, as malas da pestinha, e falei para ela: - Quem mandou me ter como inimiga? Te cuidei como uma filha, sua ingrata. Ela me chamou de bruxa gorda, falei que o pai dela preferia a mim...
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