CAPÍTULO 2: MACK PETROV

973 Words
"O tempo pode curar as feridas As lembranças apenas tornam cicatrizes dolorosas o bastante Como se elas estivessem abertas novamente. " — SC Princess.A *** MACK PETROV *** 22 years before ... Chuva. Frio. Fome. Palavras significativas para dois garotos com apenas 8 a 9 anos, vivendo do pouco que as ruas poderiam nos oferecer. Esperando a incerteza de se conseguir um abrigo antes da chuva ou a sorte por ganhar agasalhos para se proteger do frio. — Estou com fome. — Reclamei pela segunda vez. Atravessavam as ruas da Inglaterra, tomando todo o cuidado com os carros. — Vamos, depressa! — Não importava o quanto minhas pernas doíam, ou quando puxar o ar estava sendo até doloroso, precisávamos correr. Logo atrás de nós, um grande homem barbudo que cheirava a cebolas azedas. Ele corria e se apoiava nas pernas, puxando o cara com força e gritando a todos os pulmões. Ora corria, ora segurava os joelhos e se molhava pisando em poças feitas pela recente chuva. — Peguem esses moleques ladrões! — Passamos no meio de algumas freiras que nos olharam torto, enquanto atrás o homem havia ficado perdido. Um dia de tempo fechado, onde conseguimos nos esconder dentro de um latão de lixo. — Comida azeda. — Sussurrei enquanto olhava para o menino à minha frente, seus olhos estavam fundos, os lábios rachados e pálidos. Mostrava estar exausto pela corrida. Por sorte, havíamos despistado o homem bem a tempo de outra pancada de chuva começar. — É o que teremos para o menu. — Respondeu debochando da situação em que encontrávamos. Ri sentindo o m*l cheiro arder no nariz. Algumas pessoas e carros passavam ao lado do beco onde estávamos. — Queria batata frita. — Meu estômago roncou, abracei a cintura aconchegando o corpo no meio do lixo. — Vem, precisamos sair daqui. Ele pode nos encontrar. — Prefiro ficar nas ruas a ser pego por ele. — Resmunguei negando a mão que me foi oferecida. — Sua aparência estava mais debilitada do que parecia, me assustei quando o vejo pular e cair ao lado de fora do lixo. — Ei! A onde você está indo? — Minha voz sai rouca e baixa. Senti o corpo trêmulo com o esforço de apoiar o mesmo sobre a borda de ferro, para também pular. O pouso desastroso quase me custou um nariz quebrado sobre o asfalto. — Zaderzhivayetsya 1. — Tomei um pouco de fôlego e antes que pudéssemos nos dar conta, estávamos sendo puxados pela gola da camisa. Mãos agarraram meu corpo e em seguida senti algo perfurar a pele do meu pescoço e a visão escurecer. *** Current time ... — Mazinho? Acorda bem. — Mãos delicadas e frias tocam a pele quente e suada de meu pescoço. — p***a! Gelado. — Grito distanciando tal toque enquanto levantei da cama. Estreitei os olhos para apenas ver um borrão de cabelos castanhos de maquiagem extravagante. Não me lembrava de nada a não ser ter enchido a cara de Whisky barato na noite anterior. — Selina? — Um estalo foi ouvido e meu pescoço tensionado com a força da mão. — Sou Odete, coquin! — Acordo com mãos geladas e sou esculachado por algo que nem me lembro o quê. Isso só pode ser um motim! Passos de elefante, com saltos agulha ecoam pelo madeiramento do quarto, a porta se fecha num baque alto me fazendo enterrar a cabeça latejante no travesseiro. Minutos depois, um bando de barbados, peludos, entram no quarto. — Vejo que não perdeu o seu tempo ontem. — Cutucaram o meu pé. Cutucaram a p***a do meu pé. — Se teu p*u não serve para comer, a culpa não é minha. — Esbanjar todo o m*l humor acabou sendo meu maior talento no momento, ressaca é uma merda. Estresse matinal. — É aí que está o ponto meu amigo. Precisa parar de bancar o colecionador barato. — Tornei a virar de barriga para cima, sentei desejando que o teto caísse sobre as cabeças dos infelizes. Esmagando feito baratas. — Nem interessa conversar. — cocei os olhos que estavam doloridos ao toque. Garganta seca e uma imensa vontade de desaguar o dilúvio no vaso sanitário. A cama afundou com o traseiro do Casson. Em seguida, o resto da cambada se juntou a ele para me importunar. — Ivan ligou. — Roman comunica sério. — Acabou o descanso. Sabem o que deve ser feito. — Com tudo combinado, olhei no relógio de pulso. — Der'mo! — Praguejei levantando da cama, um grande custo ter que sair nesse estado. — Desumano. — escuto um dos bundões lamentar. Peguei meu coturno preto, sentei-me na cama colocando o sobre os pés. Casson fuçava minhas coisas no guarda roupas, tirando de lá alguns pacotes de doces que costumo comer de madrugada. — Ei! — Tomo-os de suas mãos. — Você tem a coragem de esconder doces de nós? — Pescot aumenta o tom da voz irritado. — Não lhe devo satisfação. — Vou ao armário para guardar os doces na minha mala de roupas. O pouco de dias que passei nas ruas com o meu irmão foi o suficiente para desencadear uma diabetes tipo B. Ter passado fome e ficando desnutrido de vitaminas, acabou de destruir a minha saúde, agora dependo de algo com açúcar para não sair tombando por aí. — E estamos atrasados. — Coloco a jaqueta de couro desejando um bom banho. Porém, seria quase impossível de se usar o daqui. Banheiros compartilhados, você não sabe se a pessoa que vive junto usou sua toalha de rosto para limpar a b***a. — Perdão Boss, foi o único lugar seguro que consegui quartos. — Sabendo, quase que adivinhando o que se passava em meus pensamentos Roman desculpou-se. Ajeito a Glock no coldre da cintura, suspirei antes de dizer: — Chegou a hora.
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