"Sobre um olhar inocente pode ser encontrado o único fogo que consome;
Loucura Seria deixar de amar alguém tão especial?"
" Loucura seria amar e repudiar, ódio e amor podem andar lado a lado, mas e a vingança? Ela Não."
— SCPrincess. A
MELLYSSA BIANCHI DELACROIX
***
— Bonjour mère supérieure. — Minha voz sai rouca e baixa, limpo a garganta para poder pronunciar melhor.
— Bonjour novice Delacroix. — A Madre superiora responde em seu francês impecável.
Minha face ruborizada, apertou com firmeza meu crucifixo sobre o peito e respirei fundo.
— Está pronta? — Sorri tímida, sentindo a vontade de me manter quieta no lugar.
Mas, levantei-me confiante. Deixei os braços ao lado do corpo e puxei as preces agradecendo pela comida posta à mesa.
— Obrigada irmã Mellyssa. — As outras noviças juntamente de algumas freiras dizem em uníssono. Lembro de um dia ter chegado aqui em uma noite de chuva onde a irmã Angeline me acolheu. A madre se sentou em seu lugar e fez o mesmo. Após isso, todas as irmãs começaram a comer.
— Mel. — Abigail, uma colega de quarto chamou a minha atenção. Olhei para a Madre que comia o pão em silêncio juntamente das outras irmãs na ponta da enorme mesa.
— Hum. — Resmunguei, por apenas estar de boca cheia.
— Ontem estava indo à cozinha beber água. — Continuei a comer.
— Depois do toque de recolher? — Lisbeth se junta à conversa. Nós duas a repreendemos por quase ter elevado a voz. Abigail confirmou.
— Vi a madre... — Olhei disfarçando para a ponta da mesa e a Madre conversava com uma das noviças ao seu lado, na verdade estava dando uma bronca.
— …Conversar com um homem alto. — Abigail continuou, Lisbeth arregalou os olhos e o pão desceu rasgando minha garganta.
— Como é? — A regra é clara, freiras nunca podem falar abertamente com homens, mas ela é a Madre. Qualquer tipo de problema é ela que tem de resolver. Para mim, a Madre Teresa está além de uma mãe para todas nós, ela nunca poderia quebrar regras claras, mas há exceções quando se precisa ajudar alguém, certo?
— Talvez ela esteja apenas ajudando o Homem. — Argumentei deixando a caneca de leite vazia sobre a mesa de madeira.
— Ele tinha braços fortes, um físico desejável! — Abigail passou dos limites só pode. Lisbeth tossiu engasgada fazendo as garotas nos olharem curiosas, a Madre fechou a cara evidenciando suas rugas.
— Abigail!!! — Puxei seu braço. — Quer nos deixar presas no quarto rezando até de noite?
Olhei fundo nos olhos castanhos dela, Abigail não tinha limites e eu não sabia como lidar com a criatura. Ela negou balançando a cabeça.
— Ai!
— Silêncio! A Madre vai falar. — Lisbeth nos cortou e Abigail resmungou um "Grossa" quando a soltei.
— Hoje as tarefas serão divididas entre vocês. A irmã Angeline estará encarregada em lhes dar os afazeres, mas... — Olhei para o canto perto da porta e a vi, ela sorriu para mim e depois tornou a olhar para a Madre que nos alertou sobre os regulamentos e regras como sempre faz.
— As noviças deste ano serão encarregadas da limpeza dos quartos ao final do dia, e espero que todas, sem exceção, voltem aos seus dormitórios no soar do toque de recolher. — Ela olhou diretamente para Abigail que ficou branca.
Mordi os lábios contendo o riso. Não era incomum nós fazermos esse tipo de trabalho por aqui, segundo ela os afazeres nos ajudam a manter os pensamentos longe do pecado e na disciplina.
— Essa foi especialmente para você! — Lisbeth cutucou ela com o cotovelo e riu.
— Queria que a terra me engolisse. — Aby reclamou ficando vermelha, quem sabe agora ela aprende algo sobre não ficar com fogo aceso nos momentos inoportunos.
— Agora, vão para seus afazeres. — Madre se retirou ao modo em que todas as noviças começaram a se dispersarem. Ficamos ali para começar com a limpeza do salão de refeições, em seguida iríamos limpar a cozinha e para enfim começar os trabalhos no andar de cima.
— Droga, iremos terminar só depois que o toque de recolher estiver tocando. — Lis resmungou pegando o balde de limpeza na porta bem no canto do salão.
— Talvez eu consiga ver aquele homem de novo. — Parei de varrer deixando a vassoura cair, causando um barulho agudo. Olhamos para Aby que deu de ombros, crispei os olhos e juntei as mãos na cintura.
— Já ficamos três vezes de castigo esta semana no quarto, quer ficar dois dias em jejum, Aby?
— Não! — Ela tremeu. Sabe muito bem dos castigos por burlar regras. Tornei a pegar a vassoura do chão. As regras são claras, devemos cumprir com a castidade. Depois dos votos, nos tornaremos freiras.
— As regras são claras. — Lis conciliou com meus pensamentos. Aby respirou fundo e revirou os olhos.
— Mas é sério, nunca tiveram curiosidade de como as coisas funcionam? — Insistente e teimosa como uma mula, ousada por insistir no mesmo assunto.
— Tipo entre sexos opostos? — Lis respondeu temerosa, suas mãos tremiam quando pegou a bucha com sabão para limpar a mesa.
— Sim. — Senti os pelos dos meus braços arrepiarem.
— Chega meninas. Precisamos terminar antes do café da manhã dos hóspedes. — As repreendi.
— Ok. — Aby fala nervosa e seca.
— Trabalhar mais e falar menos, entendi. — Lis responde, ela começou a retirar os copos das mesas enquanto eu fui para o fundo do salão para poder pegar o esfregão e começar a esfregar o chão.
— Isto é seu. — Joguei a bucha de lavar louça para Aby, que acabou acertando seu braço.
— Agora vá para a pia antes que a irmã Angelina apareça naquela porta. — Apontei para a porta e ela, convencida, apanhou o objeto no chão e seguiu para a cozinha.
— Mel, desde quando se tornou supervisora? — Lis ri da situação enquanto retira o excesso de sabão da mesa. Continuei esfregando.
— Desde aquela primavera que tive que limpar todos os banheiros por causa das duas! — Respondi seca fazendo ela rir.
— Não iria rir se estivesse no meu lugar. — A olhei abismada. Lis debruçou-se sobre a mesa se pondo a chorar de tanto rir.
— Fiquei com trauma, tá legal? — Desde o dia em que tive que limpar um banheiro totalmente defecado. — Desabafei enquanto ela desabar em lágrimas e risos.
— O coco boiava no vaso e era enorme! — Ela limpou as lágrimas.
— Aiai! Mel, você é única no mundo, sabia?