CAPÍTULO 3: MELLYSSA BIANCHI DELACROIX

1115 Words
"Sobre um olhar inocente pode ser encontrado o único fogo que consome; Loucura Seria deixar de amar alguém tão especial?" " Loucura seria amar e repudiar, ódio e amor podem andar lado a lado, mas e a vingança? Ela Não." — SCPrincess. A MELLYSSA BIANCHI DELACROIX *** — Bonjour mère supérieure. — Minha voz sai rouca e baixa, limpo a garganta para poder pronunciar melhor. — Bonjour novice Delacroix. — A Madre superiora responde em seu francês impecável. Minha face ruborizada, apertou com firmeza meu crucifixo sobre o peito e respirei fundo. — Está pronta? — Sorri tímida, sentindo a vontade de me manter quieta no lugar. Mas, levantei-me confiante. Deixei os braços ao lado do corpo e puxei as preces agradecendo pela comida posta à mesa. — Obrigada irmã Mellyssa. — As outras noviças juntamente de algumas freiras dizem em uníssono. Lembro de um dia ter chegado aqui em uma noite de chuva onde a irmã Angeline me acolheu. A madre se sentou em seu lugar e fez o mesmo. Após isso, todas as irmãs começaram a comer. — Mel. — Abigail, uma colega de quarto chamou a minha atenção. Olhei para a Madre que comia o pão em silêncio juntamente das outras irmãs na ponta da enorme mesa. — Hum. — Resmunguei, por apenas estar de boca cheia. — Ontem estava indo à cozinha beber água. — Continuei a comer. — Depois do toque de recolher? — Lisbeth se junta à conversa. Nós duas a repreendemos por quase ter elevado a voz. Abigail confirmou. — Vi a madre... — Olhei disfarçando para a ponta da mesa e a Madre conversava com uma das noviças ao seu lado, na verdade estava dando uma bronca. — …Conversar com um homem alto. — Abigail continuou, Lisbeth arregalou os olhos e o pão desceu rasgando minha garganta. — Como é? — A regra é clara, freiras nunca podem falar abertamente com homens, mas ela é a Madre. Qualquer tipo de problema é ela que tem de resolver. Para mim, a Madre Teresa está além de uma mãe para todas nós, ela nunca poderia quebrar regras claras, mas há exceções quando se precisa ajudar alguém, certo? — Talvez ela esteja apenas ajudando o Homem. — Argumentei deixando a caneca de leite vazia sobre a mesa de madeira. — Ele tinha braços fortes, um físico desejável! — Abigail passou dos limites só pode. Lisbeth tossiu engasgada fazendo as garotas nos olharem curiosas, a Madre fechou a cara evidenciando suas rugas. — Abigail!!! — Puxei seu braço. — Quer nos deixar presas no quarto rezando até de noite? Olhei fundo nos olhos castanhos dela, Abigail não tinha limites e eu não sabia como lidar com a criatura. Ela negou balançando a cabeça. — Ai! — Silêncio! A Madre vai falar. — Lisbeth nos cortou e Abigail resmungou um "Grossa" quando a soltei. — Hoje as tarefas serão divididas entre vocês. A irmã Angeline estará encarregada em lhes dar os afazeres, mas... — Olhei para o canto perto da porta e a vi, ela sorriu para mim e depois tornou a olhar para a Madre que nos alertou sobre os regulamentos e regras como sempre faz. — As noviças deste ano serão encarregadas da limpeza dos quartos ao final do dia, e espero que todas, sem exceção, voltem aos seus dormitórios no soar do toque de recolher. — Ela olhou diretamente para Abigail que ficou branca. Mordi os lábios contendo o riso. Não era incomum nós fazermos esse tipo de trabalho por aqui, segundo ela os afazeres nos ajudam a manter os pensamentos longe do pecado e na disciplina. — Essa foi especialmente para você! — Lisbeth cutucou ela com o cotovelo e riu. — Queria que a terra me engolisse. — Aby reclamou ficando vermelha, quem sabe agora ela aprende algo sobre não ficar com fogo aceso nos momentos inoportunos. — Agora, vão para seus afazeres. — Madre se retirou ao modo em que todas as noviças começaram a se dispersarem. Ficamos ali para começar com a limpeza do salão de refeições, em seguida iríamos limpar a cozinha e para enfim começar os trabalhos no andar de cima. — Droga, iremos terminar só depois que o toque de recolher estiver tocando. — Lis resmungou pegando o balde de limpeza na porta bem no canto do salão. — Talvez eu consiga ver aquele homem de novo. — Parei de varrer deixando a vassoura cair, causando um barulho agudo. Olhamos para Aby que deu de ombros, crispei os olhos e juntei as mãos na cintura. — Já ficamos três vezes de castigo esta semana no quarto, quer ficar dois dias em jejum, Aby? — Não! — Ela tremeu. Sabe muito bem dos castigos por burlar regras. Tornei a pegar a vassoura do chão. As regras são claras, devemos cumprir com a castidade. Depois dos votos, nos tornaremos freiras. — As regras são claras. — Lis conciliou com meus pensamentos. Aby respirou fundo e revirou os olhos. — Mas é sério, nunca tiveram curiosidade de como as coisas funcionam? — Insistente e teimosa como uma mula, ousada por insistir no mesmo assunto. — Tipo entre sexos opostos? — Lis respondeu temerosa, suas mãos tremiam quando pegou a bucha com sabão para limpar a mesa. — Sim. — Senti os pelos dos meus braços arrepiarem. — Chega meninas. Precisamos terminar antes do café da manhã dos hóspedes. — As repreendi. — Ok. — Aby fala nervosa e seca. — Trabalhar mais e falar menos, entendi. — Lis responde, ela começou a retirar os copos das mesas enquanto eu fui para o fundo do salão para poder pegar o esfregão e começar a esfregar o chão. — Isto é seu. — Joguei a bucha de lavar louça para Aby, que acabou acertando seu braço. — Agora vá para a pia antes que a irmã Angelina apareça naquela porta. — Apontei para a porta e ela, convencida, apanhou o objeto no chão e seguiu para a cozinha. — Mel, desde quando se tornou supervisora? — Lis ri da situação enquanto retira o excesso de sabão da mesa. Continuei esfregando. — Desde aquela primavera que tive que limpar todos os banheiros por causa das duas! — Respondi seca fazendo ela rir. — Não iria rir se estivesse no meu lugar. — A olhei abismada. Lis debruçou-se sobre a mesa se pondo a chorar de tanto rir. — Fiquei com trauma, tá legal? — Desde o dia em que tive que limpar um banheiro totalmente defecado. — Desabafei enquanto ela desabar em lágrimas e risos. — O coco boiava no vaso e era enorme! — Ela limpou as lágrimas. — Aiai! Mel, você é única no mundo, sabia?
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