"Passou um homem de terno branco, chapéu de lado, meu namorado."
"Mandei entrar, mandei sentar, cuspiu no chão? Limpa aí seu porcalhão"
— Cantiga de Roda.
MACK PETROV
***
— Coloque essa bosta para funcionar! — Casson reclama no comunicador de rádio.
— Todos em posições? — Roman pergunta no Ocktock. Ele estaria a dois quarteirões, vigiaria toda a operação no alto de um grande prédio comercial de cosméticos.
— E-a B-r-o-k us... — Pescot tentou dizer-nos algo, mas parecia ter problemas de interferência.
— Torcicolo, se afasta da antena. Sente-se no grande salsichão do Luigi. A sua interferência provém da antena parabólica. — Dei as instruções fazendo os marmanjos gargalharem.
— Eu... A-Da, p***a! — Pescot parecia nervoso, e os outros tiravam sarro aproveitando da situação.
— Roman, estou vendo sua b***a daqui da Rosquinha. E não me é uma visão agradável! — Casson reclamou pela segunda vez na noite e a minha paciência se esgotaria como torneira m*l fechada.
— Cala a boca Carniça! — Pescot range nervoso do outro lado da linha.
— Fiquem atentos. — Falei notando certo movimento entre a pequena multidão de pessoas pela rua principal. Um carro de luxo segue até a entrada de um enorme prédio, pessoas acenavam sendo contidas por uma estrutura de ferro dos dois lados da rua. Segundos depois, um segurança abre a porta para o alvo sair, Endrew Anderblack, o homem cujo nome era mais sujo do que o próprio tapete em que pisa.
— Acredito que Black saiba de tudo. — Ele cumprimenta as pessoas ao redor, carregando a arma de grande porte e depois, encaixando o silenciador na ponta do cano.
— Talvez sim, não podemos nos arriscar. — Respondo a Roman.
— Os homens de Black estão fechando o cerco! — Ajustei a arma sobre o apoio, mirando diretamente sobre a cabeça de Andrew.
Um tiro.
Há oitocentos metros de distância, precisava de apenas um acerto. Os seguranças a todo momento se movimentavam ao redor de Endrew que cumprimentava um de seus assessores.
Era o evento mais importante de toda a Roma, falhas poderiam causar grandes problemas.
— Me deem cobertura. — Posicionei o fuzil em um ângulo de trinta graus referente ao vento, isso me dava vantagens quanto aos acertos.
— Gosta de Pistache Boss? — Debochado, Cassen desejava ter as bolas penduradas no poste. Suspirei tentando encontrar a calma que estava fugindo de mim.
— Gosto de arrancar línguas. — Respondo esperando pelo momento certo, respirei fundo tentando manter o controle.
Puxei o gatilho.
A bala cortou o ar em segundos, passando rente a orelha do segurança moreno e acertando a fonte do alvo com precisão.
— p***a! Nunca mais russo. — Pescot exclamou surpreso ao ver o corpo cair no chão.
— Catinga de cu, catinga de cu! — Casson comemora cantarolando alguma besteira. Olho para os homens apavorados lá embaixo através da mira da arma, não sabiam se socorreram o homem ou se barravam a passagem das pessoas curiosas.
— Que droga foi essa? — Roman reclamou.
— Minha avó cantava, é um instrumento de baqueta... Ah! Esquece. — Casson tentou se justificar.
— Calem a p***a da boca e mexam suas bundas dai. — Disse desmontando e guardando os equipamentos na mochila. Cinco minutos depois, estávamos abrindo caminho por entre alguns turistas na rua de trás do prédio, avistei as motos no estacionamento ao lado de uma venda de Artigos Domésticos Artesanais. Ajustei o boné sobre a cabeça vendo os carros da política local irem para o prédio onde o evento terminou em uma tragédia. Subi na moto que estava no estacionamento ao lado de uma loja de bugigangas, dei a partida e sai na rua principal.
Os outros logo estavam me seguindo, como planejado, teríamos pouco tempo para mudarmos de local. A Hospedaria Roménia não seria mais um local seguro. Então, pegamos os nossos pertences e seguimos para um ponto específico de Trastevere.
Então seguimos para as ruas mais calmas, evitando ter o máximo de suspeitas. Virando algumas ruas e pegando uma estrada específica que nos levaria a um destino discreto, já poderia ser vista a Basílica que passamos algumas noites. Do chão asfaltado, dá lugar a pedras. Paramos de frente a um grande portão, a propriedade era cercada por um muro alto de tijolos em pedras, parecia ter sido reformado há pouco tempo.
Através do portão, um belo jardim com árvores de copas arredondadas, uma fonte no meio do jardim e algumas cercas vivas. Por conta da noite, não se podia ver muitos detalhes. Mas, ao fixar bem os olhos, havia alguém no jardim. De estatura mediana, uma roupa clara e um pano branco lhe cobria a cabeça. O corpo completamente coberto, sem curvas, apenas um tecido reto que lhe dava uma aparência idosa e broxante.
— É sério, difícil imaginar elas como uma figura feminina sensual. — Pescot comentou dando o ar das graças.
— Ei, moça! — Roman gritou tentando chamar a atenção dela, a garota ergueu seu olhar e segurou firme um livro, apertando-o sobre os s***s. Assustada, ela corre para dentro.
— Mandou bem seu palerma! — Casson desfere um tapa na nuca de Roman que dá um empurrão nele como troco pela agressão.
— Façam o favor de sossegar o r**o! — Peguei meu canivete e forcei a tranca abrir, o sucesso foi garantido ao ouvir a sonoridade do Click.
— Peguem as motos e empurrem para dentro. — Andei pelo jardim podendo ver melhor os detalhes. Haviam alguns bancos embaixo das árvores pequenas. Algumas roseiras espalhadas pelo local e a fonte era simples, com uma estátua de um anjo no topo. As águas caíram das mãos do anjo que estavam unidas. Na fonte também havia alguns peixes que consegui ver a luz da lua.
— O que desejam aqui? — Uma mulher baixa e franzina se aproxima, suas vestes eram escuras e ela carregava um crucifixo de madeira no pescoço.
— Precisamos de hospedagem. — Ser direto em um assunto dá a sensação de que é um homem de respeito e confiança.
— Podem vir comigo. — Diz séria. — Irei lhe mostrar o que precisa saber.
— Sou a Madres Superiora deste lugar. Como o senhor se chama? — Ela começou a caminhar diretamente para as escadas. Segui seus passos para fora do jardim indo em direção à construção grande.
— Jayson. — Menti.
— Senhor Jayson, temos ótimos quartos na Basílica Santa Cecília. Mas devo lhe pedir para que tenha compreensão. — Paramos de frente para a grande porta de madeira ao qual ela abre com certo esforço. Olhei para trás vendo meus homens saírem de um certo galpão carregando as mochilas.
— É extremamente importante saber que, para se hospedar aqui, precisa aceitar as nossas condições. — Ela continuou seu diálogo, de vez em quando suas rugas ficavam em evidência. Revirei os olhos por causa das baboseiras que ela estava falando, havia regras às quais deveríamos respeitar.
— Certo, quais são elas? — Cruzei os braços, o grande salão estava repleto de bancos, janelas compridas com vitrais coloridos. Atrás dela havia um altar de madeira e alguns objetos de prata.
— Deve ter respeito com a irmandade e retirar-se ao seu aposento no toque de recolher. Essas regras são necessárias para manter a ordem e principalmente o respeito entre nós.
— Aceito as condições. — Falei rapidamente, queria apenas um lugar para passar algumas noites, isto não seria um passeio onde eu poderia comer freiras. Ela sorriu gentilmente.
— Então, resta-me levá-los aos seus quartos. — Ela seguiu para seu lado direito em uma porta, passamos por uma grande cozinha com uma enorme mesa.
Depois seguimos para uma grande sala com quadros de santos em cada parede, ao fundo havia a famosa capela de confissões e ao lado esquerdo um corredor com portas dos dois lados, no final uma escadaria para o segundo andar. Ela explicou que só havia um banheiro para todos e dos horários respectivos das refeições e dos horários em que poderia sair se desejasse. Suspirei por ter que dividir a privacidade com outras pessoas, não seriam dias agradáveis.
— Gracias. — Agradeci estando de frente para o meu quarto, ela sorriu e gentilmente retirou-se.
Abri a porta deparando-me com um quarto pequeno com apenas uma cama de casal e um guarda-roupas ao lado, havia uma janela grande que me proporcionava a vista de uma parte de Trastevere. Deixei a mochila sobre a cama e me sentei nela. Decidi relaxar me deitando e fechando os olhos, aproveitaria a noite de brisa suave.