Alecsandro Ferrari
Depois de uma noite m*l dormida, eu acordei muito cedo e com dor de cabeça pela bebedeira, ainda me mantenho firme e determinado a não atender nenhuma ligação.
Eu preciso fazer algo muito importante hoje, preciso encontrar Melanie e fazer ela me contar tudo sobre a irmã dela, se as duas serão mães dos meus filhos, eu tenho o direito de saber quem são as gêmeas Rangel.
Aperto a campainha por diversas vezes seguidas, mas nenhuma das duas saem para me atender, eu já estou quase desistindo quando eu vejo uma luz acesa no interior da casa, olho ao redor e percebo que há pouca movimentação na rua.
Rapidamente pulei o muro, que é baixo demais, praticamente um convite para a minha entrada, estranho a porta da frente estar entre aberta.
Antes de entrar bato na porta mais algumas vezes, ninguém responde, um pensamento perturbador passa pela minha cabeça, e se algo aconteceu com as meninas? Foi o suficiente para que eu entrasse na casa, passo pela sala que está perfeitamente organizada e sigo em direção aos quartos, entro no primeiro quarto e vejo uma das gêmeas caída no chão ao lado de várias embalagens de remédio.
— Ei! Acorde, Srta. Rangel? — dou algumas batidinhas no rosto dela que permanece imóvel, Quando penso em ir atrás de álcool para tentar desperta-la, ela finalmente reage.
— Alec — a sua voz miúda e o tom adocicado deixam claro que eu estou falando com Melanie.
— Melanie, mas que diabos você fez?
— Sinto muito, Alec. A Michelle tentou me matar!
Pego ela nos braços e a coloco na cama.
— Eu vou ter que levar você para um hospital! — pego o celular para ligar para o Dr Hanz, mas Melanie me impede.
— Eu não quero ir para o hospital, isso te trará mais problemas... a Michelle vai me matar se você não casar com ela! Eu não tentei me matar, eu jamais faria isso com um bebê dentro da barriga, a Michelle me dopou. Eu tentei te ligar antes de apagar de vez...
Pego o meu celular e vejo as diversas ligações da Melanie.
— Me desculpe! Eu sou um tremendo i*****l!
— A culpa não é sua, Alec — ela fala e me dá um sorriso fraco.
— Nós precisamos fazer alguma coisa, a sua irmã está fora de controle, numa dessas ela vai acabar matando alguém, ela precisa de tratamento, porque não é normal uma pessoa ser assim, você me entende?
— Ela é uma garota boa, só que ela viveu muitas coisas na vida que a fizeram ser do jeito que é.
— Melanie, você sabe o quanto a sua irmã é perigosa, ela poderia ter te matado!
— Ela disse que vai contar que você... hãm... — Melanie não consegue completar a frase, envergonhada.
— Eu sei, ela vai contar que eu transei com você e engravidei as duas irmãs gêmeas ao mesmo tempo.
— Eu preciso te perguntar uma coisa... Na minha casa ontem, a Michelle me disse que você teve um filho, onde ele ou ela está?
— Victor, tem cinco anos!
— E onde ele está, Melanie?
— Tiraram ele de mim, quando era recém-nascido — eu posso sentir a dor em cada uma de suas palavras, e me arrependo profundamente por ter perguntado.
Melanie chora desesperadamente, agarrada ao próprio corpo, e é a coisa mais triste que eu já vi e senti na minha vida, eu gostaria de poder ajudar, de fazer alguma coisa.
Abraço Melanie e deixo ela chorar em meu ombro, a minha camiseta fica encharcada quando ela me solta. Passo o meu polegar pelo seu rosto bonito, o enxugando delicadamente.
— Eu sinto tanto por isso, querida.
— Você tem que se casar com ela, Alec! Eu temo pelo bebê que ela está esperando...
— Eu não posso me casar com uma mulher completamente louca, que quase matou os meus seguranças, quase matou a própria irmã grávida, a Michelle precisa de uma intervenção urgente. Nós dois podemos fazer isso Melanie, me ajuda com isso por favor...
— Ela é muito esperta, não vamos conseguir enganá-la.
— Você quer que a sua irmã fique bem ou não? Com o tratamento adequado talvez ela reencontre o equilíbrio necessário para viver na sociedade.
— Ela também está grávida Alec, assustada e com medo. Não podemos simplesmente colocar ela em uma clínica psiquiátrica...
— Eu vou procurar a melhor clínica de psiquiatria que tiver, ela vai ser assistida, ela vai ser bem tratada e também poderemos garantir que a criança ficará segura.
— Eu não sei o que vai acontecer comigo, caso o seu plano dê errado.
— Não é seguro para você ficar aqui Melanie. Principalmente agora que está carregando um filho meu, se mude para o meu apartamento e me ajude a salvar a sua irmã dela mesma.
Com muita relutância eu consigo convencer Melanie a me ajudar com o plano de internar a irmã.
Pedi para que ela marcasse um jantar, para conversarmos os três e decidirmos os próximos passos que daremos em relação ao nosso futuro e ao futuro das crianças.
Depois que a Michelle for internada, então Melanie irá se mudar para o meu apartamento.
Eu não tenho certeza se posso confiar em Melanie, então bolei um plano b, para o caso do primeiro plano não funcionar.
Eu pedi ajuda a alguém que é ótimo em esconder pessoas, apesar da lembrança triste que toda essa história me traz, nesse momento eu entendo que é necessário.
Eu chamei o meu pai para me ajudar a esconder a Michelle em uma clínica psiquiátrica, é claro que eu precisei contar com detalhes a história das gêmeas.
Já era tarde da noite e nem sinal delas, eu sabia que não podia confiar 100% em Melanie, quando já estou com o telefone na mão pronto para cancelar todo o plano, posso ouvir as batida na porta, e pela agressividade provavelmente deve ser Michelle.
— Sr. Rockstar — ela me cumprimenta com um sorriso sarcástico nos lábios.
— Onde está a sua irmã? — questiono.
— A minha doce irmã está longe agora, e se você pensar em fazer alguma coisa comigo, ela nunca mais vai voltar Alec!
— O que você fez sua maluca?
— Ah, não se preocupe ela está viva, mas você sabe o quanto ela é sensível...
— Michelle, você tentou matar a sua irmã, porraa! Isso precisa parar, você tem que parar...
— Parar com o que exatamente, Alecsandro? Você confundiu a minha irmã comigo e transou com ela, e sou eu que preciso parar! Eu não tentei matar ela, eu só queria que você entendesse que eu estava falando sério sobre não ser mãe solteira, você não sabe o que nós passamos, por isso você não entende.
— Ameaçar não é o caminho, Michelle! Matar, envenenar, agredir, enganar não é a solução...
— Sempre foi a solução para a sua família, por que não pode ser pra mim?
— De que merda você está falando?
Não dá tempo de ouvir a resposta, porque a minha casa é invadida por homens fortes da clínica que vieram buscar a Michelle, eles aplicam um sedativo forte nela, para que possamos retirá-la do prédio sem chamar atenção.
Um dos enfermeiros me pergunta sobre a outra garota.
— É só uma! — eu informo.
— Achei que levaríamos as duas moças hoje mesmo...
Olho para o meu pai, que estava no quarto de hóspedes acompanhando tudo pelas câmeras e vejo quando ele faz um sinal sutil para o enfermeiro ficar quieto.
Antes de apagar de vez, posso ver o olhar debochado da Michelle para o meu pai e pra mim, ela acabou de provar um ponto, que a minha família também mente e engana.
Meu pai pretendia internar as duas, e eu era o único ali que não sabia, provavelmente tem muitas coisas que eu não sei sobre as gêmeas, mas sem dúvida eu também não sei muitas coisas sobre o meu pai.
Se tem uma coisa que ficou clara pra mim hoje, é que a vingança da Michelle não tem a ver comigo, mas sim com o meu pai, o que eu preciso descobrir é o que ele fez pra despertar tanta raiva assim em uma garota.
E também preciso achar Melanie, se bem que eu acredito que ela estará muito mais segura longe da irmã e longe de mim, porque eu conheço o meu pai, e quando ele começa algo ele nunca para.