capitulo Um
Vozes gritavam com ele. Aiden apertou os olhos e tentou enxergar alguma coisa, mas o sol, alto no céu, tornava tudo quase impossível.
"50 Talente, essa é realmente a sua última decisão?", gritou o leiloeiro. Ele recuou, ficando ao lado de Aiden e agarrou seus pulsos, puxando os braços de Aiden sobre a cabeça. A corrente em seus pulsos chacoalhou e Aiden sentiu um rubor intenso tomar conta de suas bochechas, já que não conseguia mais cobrir nem mesmo suas partes mais íntimas.
Ele ainda estava atordoado pelos eventos do mês passado.
"Olhem só para ele", gritou o leiloeiro. "Jovem, saudável e com a coloração distinta de um nortista. Não está despertando sua imaginação?"
"60 Talentos", alguém gritou.
"Sim!" respondeu o leiloeiro. E então ouviram-se mais gritos que Aiden não conseguiu acompanhar. O leiloeiro soltou o pulso e Aiden deixou as mãos caírem novamente, cobrindo a virilha. Ele não gostava de estar tão exposto. Mas as marcas de um escravo ainda estavam frescas e eram um lembrete persistente de sua nova situação.
"175 Talente. Essa é realmente sua última decisão?"
Mas dessa vez ninguém recomeçou a gritaria.
"Tudo bem", disse o leiloeiro. "Vendido por 175 Talentos."
Ele voltou até Aiden e o arrastou para fora do palco, passando-o para um dos tratadores, que levou o próximo homem em direção ao palco.
Aiden tropeçou escada abaixo e quase caiu, pois a corrente entre suas pernas atrapalhava seus movimentos. Havia uma longa fila de outros escravos prontos para serem vendidos. Mas o tratador o conduziu a uma mesa onde um escriba estava sentado e um homem em pé, com as vestes de um dos habitantes do meio. Um dos mais ricos e importantes. Ele já sabia disso. Parecia ter por volta dos trinta anos. O que o colocava com o dobro da idade de Aiden.
O homem pegou uma folha de papel, o escriba lhe entregou e então se virou para Aiden. Aiden o encarou.
"Qual é o seu nome, escravo?", perguntou o homem.
"Aiden", ele disse.
Sou seu novo dono", disse o homem. "Levante os braços."
Aiden corou, mas ergueu os braços acima da cabeça, exatamente como o leiloeiro fizera antes. O homem segurou o queixo, virou a cabeça para a esquerda e para a direita e, em seguida, passou a mão sobre o peito.
"Inversão de marcha."
Aiden obedeceu, com as mãos ainda acima da cabeça. Uma mão tocou seu ombro e depois desceu pelas costas para apertar sua b***a. Isso fez Aiden pular e soltar um grito de surpresa, abaixando as mãos.
"Ótimo", disse o homem. "Vire-se.
Aiden se virou novamente, suas bochechas queimando de vergonha.
"Mãos."
Confuso, Aiden ergueu as mãos novamente. O homem agarrou um de seus pulsos e destrancou a corrente, depois fez o mesmo com os outros pulsos. Ele pegou um embrulho de tecido e entregou a Aiden.
"Vista isso."
Aiden desdobrou o pano e encontrou uma túnica simples. Vestiu-a com prazer e descobriu que ela lhe caía até o meio da coxa.
"Mãos", disse o homem novamente.
Aiden estendeu as mãos novamente e, com uma sensação de desânimo, observou o homem colocar as correntes em seus pulsos novamente.
"Venha", disse ele depois e foi embora. Aiden lançou um olhar por cima do ombro para seu antigo encarregado. Mas ninguém pareceu notar o que estava acontecendo ali. Ele seguiu o homem, tão rápido quanto suas correntes permitiram. Eles simplesmente atravessaram a praça em direção a uma carruagem. O homem abriu a porta e fez sinal para Aiden entrar, depois o seguiu.
"Não", disse ele, quando viu Aiden sentar-se em um dos bancos. "Aqui embaixo, de joelhos."
Aiden engoliu em seco e se levantou do assento para se ajoelhar no chão da carruagem. Não havia muito espaço ali, e as pernas do homem ficavam perfeitamente entre ele e a porta. Para ser sincero, ele nem estava mais surpreso. Àquela altura, já havia trocado de mãos mais vezes do que conseguia se lembrar. Cada vez sendo levado para mais longe de casa.
A carruagem começou a se mover e Aiden teve que apoiar a mão no assento para não cair. O silêncio se instalou. O homem ignorou Aiden e, em vez disso, folheou um maço de papéis, lendo.
"Para onde estamos indo?", perguntou Aiden depois de um tempo.
O homem suspirou e abaixou os papéis para olhar para Aiden.
"Eu tinha planejado esperar até chegarmos, mas acho que você precisa aprender algumas regras agora."
Aiden abriu a boca e depois fechou-a novamente.
Primeiro", disse o homem. "Se falar comigo, faça-o com respeito. E me chame de 'mestre'. Entendido?"
Aiden assentiu.
"Segundo", disse o homem. "Só fale comigo se lhe fizerem alguma pergunta ou se houver algo importante. Entendido?"
Aiden assentiu novamente.
Um sorriso irônico surgiu no rosto do homem. "No entanto, se lhe fizerem uma pergunta, você responderá verbalmente. Entendido?"
Aiden abriu a boca, engoliu em seco e disse:
"Sim, mestre?"
"Bom", disse o homem. "Por enquanto é só." Ele pegou seus papéis e continuou a ler. Aiden suspirou. Se não quisesse dizer para onde estavam indo, poderia ter feito isso mais facilmente.
Ele se mexeu, ajoelhar-se estava se tornando bem desconfortável agora.
"Fique quieto!", o homem gritou e Aiden se encolheu.
"Desculpe. Mas é desconfortável ajoelhar."
"Acostume-se", retrucou o homem. "E lembre-se de como falar comigo. Não vou te lembrar de novo."
"Sinto muito, mestre", disse Aiden e suspirou, parando para se movimentar. Ele só esperava que eles chegassem logo.
Suas pernas estavam dormentes quando a carruagem parou. O mestre abriu a porta, saiu e chamou por ele. Aiden se levantou e suas pernas começaram a formigar intensamente enquanto o sangue voltava a correr para elas. Ele tentou descer os degraus, mas caiu desajeitadamente de joelhos. Doeu, pois o chão estava coberto de pedrinhas. E ainda sentia um formigamento intenso nas pernas.
"Levante-se", disse o mestre, puxando-o bruscamente para que se levantasse. "Acho que vou ter muito trabalho treinando você."
Aiden ficou em silêncio, já que não havia nenhuma dúvida em suas palavras. Embora ele gostaria de saber o que ele queria dizer com "treinamento".
O mestre recomeçou a andar e Aiden o seguiu. Pelo menos o movimento ajudou a amenizar o formigamento. Havia uma enorme mansão à sua frente, lindamente situada em um jardim. Em casa, o homem teria que ser um lorde para morar em uma casa tão grandiosa.
Eles caminharam em direção a ela e, quando entraram, um homem mais velho, também com uma túnica branca curta, os cumprimentou.
"É o Aiden", disse o mestre, entregando uma chave. "Cuide bem dele."
"Sim, mestre", disse o escravo respeitosamente e pegou Aiden pelo ombro para levá-lo embora. Passaram por alguns corredores e então entraram em uma parte da mansão que parecia um pouco menos grandiosa do que a área de entrada. Pararam em uma pequena sala e o escravo se virou para ele, com a chave na mão.
"Vamos remover isso", ele disse e destravou as correntes em volta dos pulsos, depois se ajoelhou para destravar as correntes em volta dos tornozelos também.
"Obrigado", disse Aiden, esfregando os pulsos.
"De nada", disse o escravo, guardando as correntes e fazendo sinal para que Aiden o seguisse, entrando em outra sala. Aiden o seguiu e se viu em uma sala toda feita de pedra, exceto por um balde de madeira e uma concha. Havia uma bacia cheia de água e um buraco no meio do chão de pedra. Um banco de pedra circundava a sala.
Venha", disse o escravo, e Aiden correu até ele, que estava parado junto à bacia. "Tire a roupa."
Aiden corou, mas vestiu a túnica sobre a cabeça e a colocou no banco de pedra.
Enquanto isso, o escravo encheu o balde com água e entregou um pano a Aiden.
"Limpe-se. Volto já."
Aiden assentiu e pegou o pano, depois observou o escravo desaparecer por outra porta. Ele alegremente começou a se limpar com a água e o tapete. Nenhum de seus tratadores anteriores se interessara muito em lhes dar a oportunidade de se lavar. A água era fria e uma sensação reconfortante depois de um longo dia sob o sol, esperando para ser vendida ao maior lance. A água espirrava no chão enquanto ele se lavava, mas ele percebeu que estava escorrendo em direção ao buraco no chão. Ele se perguntou brevemente para onde o buraco poderia levar e o que aconteceria com a água que entrasse nele, mas isso não o impediu de se lavar e também enxaguar o cabelo no balde. Ao terminar, ele despejou o restante da água no buraco e vestiu a túnica novamente, mesmo que isso significasse molhá-la um pouco.
Logo depois, o escravo retornou, carregando um embrulho de tecido.
"Vista isso", disse ele, entregando as roupas. Era outra túnica curta, mas desta vez tingida de um azul-claro. Havia também uma cueca e um cinto que ele amarrou na cintura.
"Ótimo", disse o escravo. "Venha. Você provavelmente está com fome."
"Posso te fazer uma pergunta?", disse Aiden, enquanto caminhavam por outro corredor.
"Claro", disse o escravo.
"O que o mestre quer de mim? Ele disse algo sobre 'me treinar'."
"Ele quer treiná-la como escrava de cama", disse a escrava.
Aiden olhou fixamente para o escravo por um momento.
"O que é uma escrava de cama?"
O escravo lançou-lhe um olhar rápido. "Você é novo nisso tudo?"
"Bem", disse Aiden. "Há um mês, seu exército invadiu minha aldeia e fez a mim e a alguns outros prisioneiros. Desde então, fui arrastado para o sul e hoje vendido a este mestre."
"Tudo bem", disse o escravo e suspirou. "Eu não esperava que você fosse tão novato."
"Então, o que é uma escrava de cama?"
"É uma escrava que serve ao mestre na cama. Ou bem, também fora da cama, mas a essência é a mesma. Dando-lhe prazer sexual."
Aiden abriu a boca, mas percebeu que não tinha nada para dizer em palavras e fechou-a novamente.
"Mas nós dois somos homens", disse ele finalmente. Como isso poderia funcionar?
A escrava riu daquilo. "É bem comum homens terem relações sexuais aqui. Principalmente um mestre com uma escrava de cama. Sem risco de gravidez."
Ele não tinha muita certeza se gostava do que seu futuro aparentemente reservava.
"É possível comprar escravas de cama ou de prazer já treinadas, mas o mestre já vem falando há algum tempo sobre treinar uma ele mesmo."
"Então há outros escravos de cama aqui?", perguntou Aiden.
"Não", disse o escravo. "Até agora, ele se disponibilizou para as que estão em um bordel ou que pertencem a algum amigo dele."
"Hm", disse Aiden. Teria sido bom conversar com alguém que já tivesse alguma experiência.
"Não se preocupe com isso por enquanto", disse o escravo. "Apenas se acomode aqui. O resto é problema para amanhã."
Ele provavelmente estava certo. Mas não conseguia parar de pensar nisso. Durante o último mês, decidira tirar o melhor proveito da situação. Mas, naquela época, esperava ser colocado para trabalhar em alguma tarefa mais ou menos tediosa, não... esta...