Perfeito, Akisha. Agora entramos numa fase muito importante da história:
👉 tensão emocional crescente
👉 primeiros sinais claros do comportamento possessivo do Adrian
👉 contraste entre o mundo profissional e o pessoal da Naila
👉 e um final com impacto forte
Vou manter o ritmo que temos vindo a construir, com parágrafos longos, cenas bem detalhadas, diálogos naturais e tensão crescente até ao final.
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Capítulo 21
Linhas que não deviam cruzar
A segunda-feira chegou mais rápido do que Naila gostaria.
O fim de semana tinha passado com uma leveza rara — o orfanato, as crianças, os sorrisos sinceros, o toque simples de mãos pequenas que não pediam nada além de presença. Aquilo tinha deixado marcas dentro dela… marcas boas. Mas o mundo não parava para que ela as processasse com calma.
E a Castellari Global…
Era um mundo completamente diferente.
Assim que atravessou as portas de vidro da empresa, Naila sentiu.
A mudança.
O ar mais frio.
Mais controlado.
Mais… exigente.
Os passos voltaram a ser calculados.
A postura ajustou-se automaticamente.
A expressão tornou-se neutra.
Como se tivesse vestido uma versão de si mesma adequada àquele ambiente.
Mas, mesmo assim…
Algo nela já não era o mesmo.
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Ela chegou à sua mesa, organizou os documentos com precisão, ligou o computador e começou o dia como sempre fazia. Tudo parecia normal à superfície. Mas havia um tipo de energia interna diferente — menos fragilidade, mais presença.
Foi então que ela percebeu alguém aproximar-se.
Antes mesmo de levantar os olhos, já sabia.
Tiago.
— Bom dia — disse ele, com um tom ligeiramente mais cuidadoso do que o habitual.
Naila levantou o olhar.
E, por um segundo, apenas observou.
Ele parecia… nervoso.
Não de forma exagerada, mas o suficiente para não passar despercebido.
Ela respondeu com um leve sorriso.
— Bom dia.
Houve um pequeno silêncio.
E então ele estendeu algo.
Uma pequena caixa.
Elegante, mas simples.
— Para ti.
Naila franziu ligeiramente o sobrolho.
— O que é isso?
— Abre.
Ela hesitou por um instante, mas acabou por pegar na caixa. Abriu com cuidado.
Bombons.
Um gesto simples.
Mas carregado de intenção.
Ela olhou para ele novamente.
— Não precisavas…
Tiago passou a mão pela nuca, ligeiramente sem jeito.
— Eu sei. Mas… queria.
Silêncio.
Ele respirou fundo.
— Sobre sexta-feira… eu passei do limite. Não devia ter feito aquilo.
Naila fechou a caixa lentamente.
— Não faz m*l.
— Faz sim — insistiu ele. — Eu não quero que fique estranho entre nós.
Ela inclinou ligeiramente a cabeça, analisando-o.
— Não está estranho — respondeu, com calma.
Ele soltou um pequeno suspiro, aliviado.
— Ainda bem.
E, pela primeira vez desde que chegou, sorriu de forma mais leve.
Naila acabou por sorrir também.
— Mas da próxima vez… — acrescentou ela, com um tom mais leve — pergunta antes.
Tiago riu.
— Anotado.
Os dois riram juntos.
Um momento simples.
Natural.
Sem peso.
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Do outro lado do escritório…
Adrian viu.
Desde o início.
Não perdeu um detalhe.
A aproximação.
A entrega da caixa.
O sorriso dela.
O riso.
A forma como ela aceitou.
E, principalmente…
A leveza.
O ambiente à volta pareceu desaparecer por alguns segundos.
O olhar dele fixou-se.
Frio.
Intenso.
Imóvel.
Algo dentro dele apertou.
De forma imediata.
Instintiva.
Desagradável.
E familiar demais para alguém que gostava de ter controlo absoluto sobre tudo.
A mão dele fechou-se lentamente sobre a mesa.
Sem barulho.
Sem movimento brusco.
Mas com força.
— Não… — murmurou, quase imperceptível.
Mas já era tarde.
Porque já tinha visto.
E aquilo…
Não podia ignorar.
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— Tiago.
A voz surgiu minutos depois, firme.
Direta.
Sem margem para interpretação.
Tiago virou-se imediatamente.
— Sim, senhor?
— Na minha sala.
Não foi um convite.
Foi uma ordem.
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O ambiente dentro da sala de Adrian era sempre o mesmo.
Controlado.
Silencioso.
Impecável.
Mas naquele momento…
Havia algo diferente.
Mais pesado.
Mais carregado.
Tiago entrou, fechando a porta atrás de si.
— Sente-se.
Ele obedeceu.
Adrian não se sentou de imediato.
Ficou de pé por alguns segundos, observando.
Analisando.
E depois falou.
— O que foi aquilo mais cedo?
Tiago franziu o sobrolho.
— Não percebi…
Adrian deu um passo à frente.
— A interação com a Naila.
Silêncio.
Tiago demorou um segundo.
— Foi só… uma conversa.
Adrian inclinou ligeiramente a cabeça.
— E os bombons?
— Foi um pedido de desculpa.
— No local de trabalho?
O tom não subiu.
Mas endureceu.
Tiago manteve-se calmo.
— Não achei que fosse um problema.
Adrian finalmente sentou-se.
Mas o olhar não suavizou.
— Pois eu acho.
Silêncio.
Pesado.
— Esta empresa não é um espaço para relações pessoais — continuou Adrian. — Muito menos para demonstrações desse tipo.
Tiago respirou fundo.
— Não houve nada de mais.
Adrian inclinou-se ligeiramente para a frente.
— Eu decido o que é “demais” dentro da minha empresa.
O ambiente ficou mais tenso.
Tiago manteve a postura.
— Com todo o respeito… foi só um gesto educado.
Adrian ficou em silêncio por alguns segundos.
Observando.
E depois falou, mais frio:
— Eu não permito envolvimentos entre funcionários que possam comprometer o ambiente profissional.
Tiago franziu ligeiramente o sobrolho.
— Não há envolvimento.
— Ainda.
A palavra ficou no ar.
Cortante.
Tiago não respondeu.
Porque percebeu.
Aquilo não era apenas uma conversa profissional.
Havia algo mais ali.
Mesmo que não fosse dito.
Adrian recostou-se na cadeira.
— Considere isto um aviso.
Silêncio.
— Não quero voltar a ver esse tipo de situação dentro da empresa.
Tiago assentiu.
— Entendido.
— Pode sair.
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Tiago saiu.
Mas a tensão não ficou com ele.
Ficou na sala.
Com Adrian.
Que permaneceu sentado, imóvel, olhando para a porta fechada.
O maxilar travado.
Os pensamentos em conflito.
Porque aquilo não era apenas sobre regras.
Nunca foi.
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O resto do dia passou com uma estranha normalidade.
Mas havia algo no ar.
Algo que não precisava de palavras.
Naila percebeu.
Tiago também.
E os colegas… sentiram.
Mesmo sem entender.
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Mais tarde, ao fim do expediente, o ambiente mudou novamente.
Mas desta vez para algo mais leve.
Mais humano.
— Então hoje vamos mesmo — disse Júlia, animada.
— Claro que vamos — respondeu Sara. — Prometemos.
Naila sorriu.
— Vocês não precisavam…
— Precisamos sim — interrompeu Inês. — Queremos conhecer a pessoa que criou essa versão tua.
Naila riu.
— Isso não é bem assim…
Miguel levantou as mãos.
— Já está decidido.
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O hospital tinha o mesmo cheiro de sempre.
Antisséptico.
Frio.
Silencioso.
Mas, naquela noite, havia algo diferente.
Naila entrou primeiro.
Como sempre fazia.
Parou à porta do quarto.
Respirou fundo.
E entrou.
— Mãe…
Dona Rosa virou o rosto lentamente.
E sorriu.
— Minha filha…
Naila aproximou-se.
Segurou a mão dela.
— Tenho uma surpresa.
A mãe franziu ligeiramente o sobrolho.
— Surpresa?
Naila sorriu.
— Tenho visita.
E, antes que ela pudesse perguntar mais…
A porta abriu-se.
Júlia entrou primeiro.
Depois Sara.
Inês.
Miguel.
Tiago.
Um por um.
Com sorrisos.
Com leveza.
Mas também com um certo respeito.
Dona Rosa ficou visivelmente emocionada.
— Oh… — murmurou. — Tantos…
Júlia aproximou-se.
— Viemos conhecer a mãe da Naila.
Sara sorriu.
— Ela fala de si.
Naila lançou um olhar rápido.
— Eu não falo assim tanto…
Todos riram.
O ambiente aqueceu.
Ficou leve.
Real.
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Mas então…
A porta abriu novamente.
E o ar mudou.
Imediatamente.
Silenciosamente.
Pesadamente.
Adrian Castellari entrou no quarto.
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Ninguém falou.
Ninguém se mexeu.
O sorriso de Júlia desapareceu.
Sara ficou rígida.
Miguel endireitou-se automaticamente.
Tiago… ficou imóvel.
E Naila…
Naila não respirou por um segundo.
Porque ele estava ali.
Naquele espaço.
Que era dela.
Que era pessoal.
Que era… intocável.
E, de repente…
Já não era.
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O olhar de Adrian passou por todos.
Um por um.
Calmo.
Controlado.
Mas atento.
E então…
Parou nela.
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O silêncio que se instalou…
Não era normal.
Era carregado.
Tenso.
Cheio de perguntas não feitas.
E de respostas que ninguém queria ouvir.