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1331 Words
Perfeito, Akisha. Agora entramos numa fase muito importante da história: 👉 tensão emocional crescente 👉 primeiros sinais claros do comportamento possessivo do Adrian 👉 contraste entre o mundo profissional e o pessoal da Naila 👉 e um final com impacto forte Vou manter o ritmo que temos vindo a construir, com parágrafos longos, cenas bem detalhadas, diálogos naturais e tensão crescente até ao final. --- Capítulo 21 Linhas que não deviam cruzar A segunda-feira chegou mais rápido do que Naila gostaria. O fim de semana tinha passado com uma leveza rara — o orfanato, as crianças, os sorrisos sinceros, o toque simples de mãos pequenas que não pediam nada além de presença. Aquilo tinha deixado marcas dentro dela… marcas boas. Mas o mundo não parava para que ela as processasse com calma. E a Castellari Global… Era um mundo completamente diferente. Assim que atravessou as portas de vidro da empresa, Naila sentiu. A mudança. O ar mais frio. Mais controlado. Mais… exigente. Os passos voltaram a ser calculados. A postura ajustou-se automaticamente. A expressão tornou-se neutra. Como se tivesse vestido uma versão de si mesma adequada àquele ambiente. Mas, mesmo assim… Algo nela já não era o mesmo. --- Ela chegou à sua mesa, organizou os documentos com precisão, ligou o computador e começou o dia como sempre fazia. Tudo parecia normal à superfície. Mas havia um tipo de energia interna diferente — menos fragilidade, mais presença. Foi então que ela percebeu alguém aproximar-se. Antes mesmo de levantar os olhos, já sabia. Tiago. — Bom dia — disse ele, com um tom ligeiramente mais cuidadoso do que o habitual. Naila levantou o olhar. E, por um segundo, apenas observou. Ele parecia… nervoso. Não de forma exagerada, mas o suficiente para não passar despercebido. Ela respondeu com um leve sorriso. — Bom dia. Houve um pequeno silêncio. E então ele estendeu algo. Uma pequena caixa. Elegante, mas simples. — Para ti. Naila franziu ligeiramente o sobrolho. — O que é isso? — Abre. Ela hesitou por um instante, mas acabou por pegar na caixa. Abriu com cuidado. Bombons. Um gesto simples. Mas carregado de intenção. Ela olhou para ele novamente. — Não precisavas… Tiago passou a mão pela nuca, ligeiramente sem jeito. — Eu sei. Mas… queria. Silêncio. Ele respirou fundo. — Sobre sexta-feira… eu passei do limite. Não devia ter feito aquilo. Naila fechou a caixa lentamente. — Não faz m*l. — Faz sim — insistiu ele. — Eu não quero que fique estranho entre nós. Ela inclinou ligeiramente a cabeça, analisando-o. — Não está estranho — respondeu, com calma. Ele soltou um pequeno suspiro, aliviado. — Ainda bem. E, pela primeira vez desde que chegou, sorriu de forma mais leve. Naila acabou por sorrir também. — Mas da próxima vez… — acrescentou ela, com um tom mais leve — pergunta antes. Tiago riu. — Anotado. Os dois riram juntos. Um momento simples. Natural. Sem peso. --- Do outro lado do escritório… Adrian viu. Desde o início. Não perdeu um detalhe. A aproximação. A entrega da caixa. O sorriso dela. O riso. A forma como ela aceitou. E, principalmente… A leveza. O ambiente à volta pareceu desaparecer por alguns segundos. O olhar dele fixou-se. Frio. Intenso. Imóvel. Algo dentro dele apertou. De forma imediata. Instintiva. Desagradável. E familiar demais para alguém que gostava de ter controlo absoluto sobre tudo. A mão dele fechou-se lentamente sobre a mesa. Sem barulho. Sem movimento brusco. Mas com força. — Não… — murmurou, quase imperceptível. Mas já era tarde. Porque já tinha visto. E aquilo… Não podia ignorar. --- — Tiago. A voz surgiu minutos depois, firme. Direta. Sem margem para interpretação. Tiago virou-se imediatamente. — Sim, senhor? — Na minha sala. Não foi um convite. Foi uma ordem. --- O ambiente dentro da sala de Adrian era sempre o mesmo. Controlado. Silencioso. Impecável. Mas naquele momento… Havia algo diferente. Mais pesado. Mais carregado. Tiago entrou, fechando a porta atrás de si. — Sente-se. Ele obedeceu. Adrian não se sentou de imediato. Ficou de pé por alguns segundos, observando. Analisando. E depois falou. — O que foi aquilo mais cedo? Tiago franziu o sobrolho. — Não percebi… Adrian deu um passo à frente. — A interação com a Naila. Silêncio. Tiago demorou um segundo. — Foi só… uma conversa. Adrian inclinou ligeiramente a cabeça. — E os bombons? — Foi um pedido de desculpa. — No local de trabalho? O tom não subiu. Mas endureceu. Tiago manteve-se calmo. — Não achei que fosse um problema. Adrian finalmente sentou-se. Mas o olhar não suavizou. — Pois eu acho. Silêncio. Pesado. — Esta empresa não é um espaço para relações pessoais — continuou Adrian. — Muito menos para demonstrações desse tipo. Tiago respirou fundo. — Não houve nada de mais. Adrian inclinou-se ligeiramente para a frente. — Eu decido o que é “demais” dentro da minha empresa. O ambiente ficou mais tenso. Tiago manteve a postura. — Com todo o respeito… foi só um gesto educado. Adrian ficou em silêncio por alguns segundos. Observando. E depois falou, mais frio: — Eu não permito envolvimentos entre funcionários que possam comprometer o ambiente profissional. Tiago franziu ligeiramente o sobrolho. — Não há envolvimento. — Ainda. A palavra ficou no ar. Cortante. Tiago não respondeu. Porque percebeu. Aquilo não era apenas uma conversa profissional. Havia algo mais ali. Mesmo que não fosse dito. Adrian recostou-se na cadeira. — Considere isto um aviso. Silêncio. — Não quero voltar a ver esse tipo de situação dentro da empresa. Tiago assentiu. — Entendido. — Pode sair. --- Tiago saiu. Mas a tensão não ficou com ele. Ficou na sala. Com Adrian. Que permaneceu sentado, imóvel, olhando para a porta fechada. O maxilar travado. Os pensamentos em conflito. Porque aquilo não era apenas sobre regras. Nunca foi. --- O resto do dia passou com uma estranha normalidade. Mas havia algo no ar. Algo que não precisava de palavras. Naila percebeu. Tiago também. E os colegas… sentiram. Mesmo sem entender. --- Mais tarde, ao fim do expediente, o ambiente mudou novamente. Mas desta vez para algo mais leve. Mais humano. — Então hoje vamos mesmo — disse Júlia, animada. — Claro que vamos — respondeu Sara. — Prometemos. Naila sorriu. — Vocês não precisavam… — Precisamos sim — interrompeu Inês. — Queremos conhecer a pessoa que criou essa versão tua. Naila riu. — Isso não é bem assim… Miguel levantou as mãos. — Já está decidido. --- O hospital tinha o mesmo cheiro de sempre. Antisséptico. Frio. Silencioso. Mas, naquela noite, havia algo diferente. Naila entrou primeiro. Como sempre fazia. Parou à porta do quarto. Respirou fundo. E entrou. — Mãe… Dona Rosa virou o rosto lentamente. E sorriu. — Minha filha… Naila aproximou-se. Segurou a mão dela. — Tenho uma surpresa. A mãe franziu ligeiramente o sobrolho. — Surpresa? Naila sorriu. — Tenho visita. E, antes que ela pudesse perguntar mais… A porta abriu-se. Júlia entrou primeiro. Depois Sara. Inês. Miguel. Tiago. Um por um. Com sorrisos. Com leveza. Mas também com um certo respeito. Dona Rosa ficou visivelmente emocionada. — Oh… — murmurou. — Tantos… Júlia aproximou-se. — Viemos conhecer a mãe da Naila. Sara sorriu. — Ela fala de si. Naila lançou um olhar rápido. — Eu não falo assim tanto… Todos riram. O ambiente aqueceu. Ficou leve. Real. --- Mas então… A porta abriu novamente. E o ar mudou. Imediatamente. Silenciosamente. Pesadamente. Adrian Castellari entrou no quarto. --- Ninguém falou. Ninguém se mexeu. O sorriso de Júlia desapareceu. Sara ficou rígida. Miguel endireitou-se automaticamente. Tiago… ficou imóvel. E Naila… Naila não respirou por um segundo. Porque ele estava ali. Naquele espaço. Que era dela. Que era pessoal. Que era… intocável. E, de repente… Já não era. --- O olhar de Adrian passou por todos. Um por um. Calmo. Controlado. Mas atento. E então… Parou nela. --- O silêncio que se instalou… Não era normal. Era carregado. Tenso. Cheio de perguntas não feitas. E de respostas que ninguém queria ouvir.
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