Adrian Castellari estava sentado em seu luxuoso apartamento, o silêncio da noite envolvendo a sala. O brilho suave das luzes de rua que atravessavam as grandes janelas de vidro criava um ambiente de introspecção. Ele estava sozinho, algo raro para ele. Não era um homem de muitas amizades, e raramente compartilhava seus pensamentos com alguém. Mas naquela noite, sua mente estava ocupada com algo — ou melhor, alguém.
Ele tinha solicitado uma pesquisa, algo que poderia parecer trivial para a maioria das pessoas. Mas para Adrian, a informação era poder. E ele sabia que, quanto mais soubesse sobre Naila Andrade, mais fácil seria controlá-la.
Ele deslizou o dedo sobre o teclado de seu laptop, abrindo o e-mail que acabara de chegar. A pesquisa estava lá, como ele havia pedido.
Relatório: Naila Andrade
Adrian sorriu para si mesmo, sem sequer tentar disfarçar sua satisfação. Ele sabia que, ao obter esses detalhes sobre a vida de Naila, poderia moldar sua abordagem de maneira mais eficaz. Ele sabia que os estagiários geralmente não eram interessantes para ele, mas Naila... ela era diferente. Ela precisava ser dele.
Ele começou a ler o relatório com atenção. A primeira coisa que chamou sua atenção foi o fato de que Naila era órfã de pai. Ela havia perdido o pai quando era muito jovem. Isso, por si só, já a tornava vulnerável. Ele não era ingênuo — sabia que alguém que cresce sem um pai, especialmente com a perda precoce de uma figura masculina importante, carrega marcas emocionais profundas.
O relatório então falou sobre a doença da mãe de Naila. A mãe estava gravemente doente, precisando de uma cirurgia caríssima, algo que a jovem não conseguiria pagar sozinha. E aí, ele se pegou sorrindo novamente, sabendo que esse detalhe poderia ser muito útil. Usar a mãe doente como arma de chantagem não era o tipo de coisa que ele normalmente faria, mas ele sabia que em um caso como o de Naila, era uma ameaça poderosa.
Adrian pausou por um momento, refletindo sobre o que acabara de ler. Ele sabia que o que estava pensando era errado, até mesmo para alguém como ele, que já ultrapassou tantas linhas éticas. Mas logo o pensamento desapareceu assim que continuou a leitura.
— Interessante — murmurou ele para si mesmo.
Ele leu mais, agora se concentrando em detalhes pessoais sobre Naila. Ela não tinha muitos amigos próximos e vivia com a mãe em um pequeno apartamento na cidade. Nada realmente chamava a atenção, até que ele leu uma parte que o fez parar por um segundo.
Naila nunca se envolvera com nenhum homem desde que o namorado de adolescência, Matthew, se mudara para outro país há anos atrás. E o mais interessante foi o fato de que ela nunca havia se envolvido sexualmente com ninguém.
— Ela é pura... virgem — disse Adrian, rindo baixinho consigo mesmo. Ele estava surpreso, mas, ao mesmo tempo, esse fato apenas a tornava mais atraente aos seus olhos.
Agora ele estava convencido de uma coisa: Naila era única. Sua virgindade, sua natureza reservada e sua beleza interior tornavam-na ainda mais preciosa, algo que ele desejava de forma possessiva. Ela não era como todas as outras mulheres com quem ele já tivera experiências. Naila era diferente, e ele estava decidido a tê-la para si.
Adrian sentiu uma sensação de controle. Ele sabia que poderia manipulá-la. Sabia que poderia usar a situação de sua mãe a seu favor e pressioná-la a ceder. Ela era jovem, ambiciosa, e, apesar da sua força, ele sabia que estava em uma posição em que poderia quebrá-la, se quisesse.
Ele sorriu, um sorriso frio, calculista. A ideia de ter Naila em sua cama, com a promessa do dinheiro, fez com que ele se sentisse poderoso, como se tivesse o controle total sobre ela.
Foi nesse momento que Rafael Duarte entrou na sala, interrompendo os pensamentos de Adrian.
— Do que você está rindo? — perguntou Rafael, com uma expressão curiosa, mas desconfiada.
Adrian virou-se lentamente para ele, o sorriso ainda presente nos lábios.
— Lembrei de você e do seu casamento. — A ironia nas palavras de Adrian era clara, e Rafael imediatamente franziu o cenho.
— Não brinca com isso, Adrian — respondeu Rafael, com a cara feia. — Você sabe o quanto a minha vida está… difícil.
Adrian riu, não se importando com a irritação de Rafael.
— Eu sei, eu sei... Só estou me divertindo. — Ele não pôde deixar de rir. Ele adorava provocar Rafael, sabendo que ele tinha problemas no casamento e estava constantemente discutindo com sua esposa.
Rafael não parecia muito animado com o comentário, mas sabia que não havia muito o que fazer. Ele gostava de Adrian, apesar de suas provocações, mas a amizade deles era marcada por conflitos frequentes. Os dois eram assim: competitivos, desafiadores, mas ao fundo havia uma lealdade.
— Você sabe que isso não é engraçado, Adrian. — Rafael falou, visivelmente irritado.
— Sim, claro — respondeu Adrian, ainda sorrindo. — Mas você sabe que nunca me prenderia a uma mulher. Nunca casaria. Ele estava se referindo ao seu próprio modo de vida, livre de amarras. Rafael, por outro lado, estava claramente preso a uma relação complicada e cheia de altos e baixos.
Adrian adorava ver como Rafael reagia à sua liberdade absoluta. Ele sabia que Rafael amava sua esposa, mas a solidão de Adrian nunca o incomodou. Ele nunca desejou o compromisso que Rafael tinha. Casamento, filhos, essas coisas — tudo isso era para os fracos, pensava ele.
Depois que Rafael saiu, ainda desconfortável, Adrian se levantou da cadeira e se dirigiu até o carro. Ele tinha outros negócios a tratar, mas o mais importante de tudo era o próximo passo de seu plano.
Ele sabia onde a mãe de Naila estava recebendo tratamento.
E ele não ia esperar mais para confirmar pessoalmente.
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O hospital era grande, com corredores largos e iluminados de maneira fria, como a maioria dos hospitais. Adrian não gostava de hospitais, mas sabia que o que acontecia ali era a chave para sua próxima jogada. Ele caminhou pelo corredor até a recepção, onde pediu informações discretas sobre a sua paciente, Dona Rosa Andrade.
Após alguns minutos de pesquisa, ele foi guiado até o quarto de Dona Rosa. Ele se aproximou da porta, olhou por um momento e entrou. O quarto estava simples, mas limpo. Dona Rosa estava deitada na cama, com um sorriso cansado, mas caloroso, ao vê-lo entrar.
— Boa tarde. — Ela disse suavemente.
Adrian olhou para ela por um instante. Ele podia ver que a doença estava tomando conta, mas ele não estava ali por compaixão. Ele estava ali por razões mais frias.
— Boa tarde, Dona Rosa. Eu só vim dar uma olhada. — Sua voz era calma, mas sua mente estava focada em outra coisa. Ele sabia o custo do tratamento. Ele já sabia o valor da cirurgia. Duzentos e cinquenta mil dólares. Uma quantia irreal para a maioria das pessoas.
Ele olhou para Dona Rosa, que estava mais fraca do que o normal, com os olhos cansados, mas com um sorriso gentil.
— Eu vi os relatórios. Eles estão sendo bem atendidos? — ele perguntou, com uma fachada de preocupação.
Ela sorriu.
— Sim, estou bem. Eles cuidam de mim aqui.
Adrian assentiu com a cabeça, antes de sair do quarto.
— Espero que melhore logo. — Ele disse com uma voz fria.
Quando saiu, ele deu uma última olhada para o hospital e fez a sua conclusão.
— Se você ama sua mãe, fará esse pequeno sacrifício, Naila. — Ele disse para si mesmo, como se estivesse justificando o que pensava em fazer.
Ele estava certo de que, ao final, ela cederia. Afinal, o que mais ela poderia fazer? Ele não daria escolha.