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1277 Words
O silêncio dentro do carro parecia mais pesado do que o habitual. O motorista, com seu uniforme impecável, dirigia calmamente pelas ruas escuras de Aurora City, enquanto eu permanecia em silêncio, olhando pela janela. As luzes da cidade passavam rapidamente, como se o mundo estivesse se movendo mais rápido do que eu conseguia acompanhar. Era uma noite fria, mas o calor do vestido vermelho que Adrian me mandara usar parecia me envolver de uma forma desconfortável. O material era luxuoso, macio ao toque, mas, em comparação ao ambiente e à situação, só me fazia sentir ainda mais deslocada. Eu estava ali, com Adrian Castellari sentado ao meu lado, e não conseguia deixar de sentir um estranho formigamento no peito, uma sensação de que algo estava fora de lugar. Ele estava quieto por um momento, observando-me com atenção, como se ainda estivesse avaliando cada movimento que eu fazia, cada palavra que eu dizia. Eu sabia que ele estava mais distante do que qualquer outra pessoa na empresa, mas dessa vez era diferente. O olhar dele, algo entre curioso e avaliador, fazia meu estômago revirar. Foi então que ele quebrou o silêncio. — O vestido ficou perfeito em você. Ele não parecia dizer aquilo apenas como um elogio. Era como se estivesse analisando cada detalhe de como o vestido caía sobre o meu corpo. Eu não sabia como reagir, então apenas disse: — Obrigada. Eu podia sentir a tensão no ar entre nós. Havia algo em seu tom de voz que não conseguia entender. Algo profundo demais para ser só um elogio trivial e era a segunda vez que ele me elogiava e pior era a tal proposta misteriosa que até então não foi anunciada. — Eu comprei o vestido para você pessoalmente, sabia? — ele continuou, com um tom quase... sussurrante. Ele estava falando baixo, mas o suficiente para eu ouvir a intenção por trás de suas palavras. — Só com o olhar eu pude ver qual o seu tamanho Eu o olhei por um segundo, tentando entender o que ele queria dizer com aquilo. — Como ?— perguntei, sem saber se era uma pergunta arriscada, mas meu cérebro não conseguia processar a conversa normal, que deveria ser sobre negócios. Adrian se inclinou ligeiramente para frente, como se estivesse se preparando para me revelar algo profundo. Eu não sabia por que, mas de repente algo em meu interior queria que ele parasse de falar. — Eu consigo identificar tais coisas em mulheres como você , você não é como as outras, és impecável, dedicada, linda , uma n***a que brilha com seu exclusivo de melanina , um diamante que quero lapidar. Eu me encolhi na cadeira, sentindo meu corpo tenso. Eu estava começando a ficar desconfortável com o rumo da conversa. Como ele podia falar daquele jeito? Algo parecia tão errado naquele momento. O calor que o vestido me causava parecia aumentar. E o que ele estava dizendo, a forma como ele falava, me fazia sentir uma pressão crescente. A voz dele parecia ficar mais baixa, mas mais intensa. Ele percebeu minha expressão e, por um segundo, parou, como se estivesse avaliando se havia ido longe demais. Mas ele continuou: — Você tem algo que me intriga, Naila, algo que me faza desejar desde a primeira vez que a vi . Eu engoli em seco. Eu não sabia o que dizer. Eu não conseguia entender o que ele queria de mim. Ele estava me elogiando, mas o jeito em que falava me deixava com a sensação de estar sendo avaliada em um nível que eu nunca havia experimentado, em um nível nada profissional mas s****l, muito s****l Eu olhei para fora da janela rapidamente, tentando evitar o olhar dele. Eu precisava pensar em algo para dizer, mas tudo o que eu sentia era desconforto. A conversa estava tomando um rumo que eu não conseguia controlar. — Se eu fosse seu dono, Naila, ah se eu fosse.- ele falou aquilo de forma possessiva Eu congelei. A forma como ele disse isso foi como uma agulha atravessando meu corpo. Eu não sabia o que responder, mas uma onda de raiva e desgosto tomou conta de mim. Eu estava começando a perceber que algo muito mais obscuro estava acontecendo aqui. Ele percebeu meu silêncio e se recostou no banco, como se estivesse esperando uma reação de minha parte. Eu senti vontade de parar o carro e sair correndo. Fugir dali. Mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim sabia que ele era o chefe. Ele tinha o controle da situação, da minha carreira, de muitas coisas. A raiva que eu sentia era abafada pela realidade de que ele estava em uma posição de poder. O carro desacelerou, e eu percebi que já estávamos próximos à minha casa. Ele parecia se concentrar mais em mim do que em qualquer outra coisa, e eu estava começando a me sentir sufocada pela situação. Eu respirei fundo, tentando recuperar minha compostura. Adrian inclinou-se para frente novamente, como se estivesse prestes a fazer um anúncio. — Eu tenho uma proposta muito tentadora para você. — Ele falou baixo, quase em tom de confidência. Eu não sabia o que esperar. A última coisa que eu queria era estar ali, sendo analisada e julgada por alguém como Adrian. Mas a voz dele, o olhar penetrante, me fez ficar em silêncio. Eu senti um calafrio subindo pela minha espinha. O que ele estava prestes a dizer me deixou em alerta, como se algo estivesse prestes a mudar, e eu não sabia se estava pronta para isso. Adrian continuou, dessa vez sem hesitar: — Eu quero você na minha cama, Naila. Por uma noite, em troca eu te darei meio milhão de dólares, e fique tranquila, ninguém vai saber. As palavras dele pareciam paralisantes. Eu fiquei completamente estupefata, sem saber como reagir. Meio milhão de dólares? Como ele podia estar dizendo aquilo para mim, tão diretamente? Eu estava exasperada, ofendida e assustada. — Co... Como? Não entendi! — A voz me falhou. Eu estava sem palavras. Ele deu um sorriso tranquilo, como se estivesse fazendo uma proposta de negócios simples. — Querida Naila, quero uma noite de prazer com você em troca de meio milhão de dólares. Eu olhei para ele, completamente desnorteada, tentando processar as palavras dele, mas tudo o que consegui fazer foi engolir em seco. — Eu não faço parte dos objetos da sua empresa, seu escroto! — Gritei de repente, sentindo uma raiva explosiva tomar conta de mim. Num impulso, eu levantei a mão e dei-lhe uma tapa forte no rosto. O som do tapa foi estonteante, mas o que aconteceu a seguir foi ainda mais surreal. Eu tentei abrir a porta do carro, mas estava trancada. — Abra essa p***a!!! — Gritei com o motorista, totalmente desesperada. — Se não eu grito ainda mais alto! O motorista, visivelmente desconfortável, finalmente destrancou a porta, e eu saí do carro quase sem fôlego. Adrian abriu a janela do carro e estendeu a cabeça para fora, ainda falando calmamente: — Eu dou-lhe cinco dias para pensar, Naila. Só isso. Eu me virei para ele, o coração batendo forte. Eu não podia acreditar no que acabara de acontecer. Sem dizer mais nada, fiz o que de alguma forma parecia ser o único gesto que me restava — mostrei o dedo do meio para ele enquanto me afastava. Quando entrei em casa e fechei a porta atrás de mim, meu corpo estava tremendo. Mas uma coisa estava clara: minha vida nunca mais seria a mesma depois daquela noite. Como eu voltaria a empresa amanhã? Ou talvez eu esteja demitida. Porcaria de dia, porcaria de jantar e porcaria de vida
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