A madrugada ainda engatinhava, mergulhada no silêncio pesado do campo, quando o cheiro acre e sufocante de fumaça invadiu o quarto de Maya e Miguel. Ela abriu os olhos de súbito, o coração disparando antes mesmo de entender. Miguel já estava sentado na cama, atento como um predador em alerta. — Está sentindo? — ele murmurou, já se levantando. O frio da noite cortava a pele, mas o que arrepiou Maya não foi a brisa, e sim a visão que se revelou quando ela chegou à varanda: o céu estava riscado de laranja e preto, como se a noite tivesse sido incendiada por raiva. — O caminhão! — o grito de um dos funcionários da vinícola ecoou pelo pátio, desesperado, enquanto corria em direção ao fogo. Maya sentiu as pernas tremerem. O veículo que levaria a primeira e histórica encomenda do Vinho Maya

