O sol ainda queimava alto, e o suor na nuca de Maya já desenhava mapas do esforço que o dia impunha. No pátio de terra batida, dois peões discutiam sobre o carregamento atrasado. Ela já ia intervir, o sangue quente pronto para resolver, quando a voz dele cortou o ar como um chicote preciso: — Fala com a minha mulher. Ela resolve isso. Silêncio. A frase caiu como trovão mudo. Os peões se entreolharam. Mas Maya… Maya parou. O balde que carregava quase escorregou da mão. Não era o peso do ferro, era o peso das palavras. Minha mulher. Sem aviso. Sem permissão. Sem contexto. Ela se virou devagar. Os olhos fixos nele, como se buscassem sinais de que aquilo tinha sido um erro. Mas não havia erro na postura de Miguel. Nem no tom. Nem no olhar. Havia certeza. E um certo desafio. O ar ao r

