Miguel estava estranho. Estranho de um jeito que não se explica com palavras simples. Era como se cada pensamento dele fosse um campo minado, e cada passo que dava perto de Maya fosse calculado para não explodir algo que ele não queria ou não podia, revelar. Durante toda a semana, ele começava conversas que não terminavam. — Eu… — dizia, e parava. — Maya, sobre aquele dia… — e mudava de assunto. A pausa dele não era por esquecimento. Era por escolha. Uma escolha que ela sentia latejar mais do que se ele gritasse. No início, Maya tentou ignorar. Mas quanto mais os dias passavam, mais o corpo dela percebia antes mesmo da mente: Miguel estava carregando algo pesado. Um segredo grande demais para ser dito sem que o mundo deles mudasse para sempre. Dona Francisca percebeu antes dela adm

