O som do jazz, misturado ao tilintar de taças, preenchia o ar com um requinte quase embriagante. A festa no casarão fora planejada para impressionar investidores, mas Miguel não se impressionava com discursos calculados nem com cristal reluzente. Ele estava de costas para a porta, e ainda assim soube o momento exato em que Maya entrou. O salão mudou. O ar mudou. E o corpo dele reagiu com um arrepio que nasceu na nuca e terminou onde o autocontrole morava. Ela surgiu como uma tempestade disfarçada de calmaria: vestido vinho, f***a que subia como promessa, decote que fazia os olhares vacilarem. O cabelo preso de um jeito displicente, como se um coque apressado pudesse, por acaso, torná-la a mais linda da noite. Maya não o olhou de imediato. Sorria para um grupo de convidados. Um deles, jo

