Narrado por Miguel O som da água correndo era o que eu precisava para fingir que o mundo lá fora podia ser silenciado. Mas nem o barulho do rio, nem o cheiro úmido da terra molhada conseguiram calar as vozes que agora retumbavam dentro da minha cabeça. Eu não devia ter escutado. Mas escutei. E, ao contrário do que dizem, a verdade não liberta. Ela pesa. Fiquei parado atrás da cerca, meio escondido pelas sombras do entardecer, enquanto as duas mulheres velhas de língua afiada e passado comprido, falavam com a língua solta, como quem não sabia que o vento leva segredos. Só que, naquele dia, o vento trouxe tudo até mim. Maya. O nome dela caiu entre as pedras do rio como uma pedrada no meu peito. E quando Daniel Rodrigues foi mencionado, o chão cedeu. A p***a do chão cedeu. — Aqui

