O fim de tarde tingia o céu com tons de ferrugem e ouro. Na sala silenciosa, Maya se encolhia no sofá, os joelhos dobrados contra o peito, como se o corpo soubesse que estava prestes a abrir feridas antigas. Miguel estava ali. Sentado ao lado. Não tocava. Não pressionava. Só esperava. — Eu preciso te contar. Ela disse, a voz mais baixa que um segredo. Ele virou o rosto na direção dela, atento. Não para responder. Mas para escutar com o tipo de silêncio que acolhe. Maya respirou fundo. — Eu me envolvi com um homem que parecia ter tudo… Carisma, inteligência, controle… Mas ele era um mestre em destruir por dentro. Daniel. Miguel sentiu o nome pesar no ar. — No começo, eu achei que ele me via. De verdade, sabe? Que enxergava minha força. Mas não era força que ele queria. E

