Joana o esperava. De joelhos. Como ele a ensinara. Como exigia. A sala respirava em penumbra, iluminada apenas pelo abajur que refletia no vidro da janela. As sombras dançavam nas paredes, mas o que tremia ali dentro era o medo. O coração latejava em lugares sem nome: pescoço, têmporas, entre as coxas. Um pavor que pulsava como desejo. Uma vergonha que se alimentava da necessidade de ser vista, mesmo que pelos olhos errados. A maçaneta girou. E o mundo congelou. Daniel entrou com a lentidão precisa de quem domina o tempo. Terno escuro. Relógio caro. Olhar que sabia matar. Era a mistura impossível entre elegância e crueldade. Fechou a porta sem pressa, o clique soou como sentença. — Você falhou. — A voz dele era baixa. Mas em Daniel, até o sussurro feria. Era a maneira dele

