O céu alaranjado tingia a fazenda com tons quentes de fim de tarde, como se o próprio universo estivesse corando pelo que sabia que estava prestes a acontecer. O som abafado dos cascos no chão, o cheiro do feno úmido e a brisa morna tornavam o ambiente uma mistura perfeita de silêncio e tensão. Maya passou pelos fundos do estábulo, os passos apressados, como se pudesse fugir do próprio corpo. A camiseta colada pela leve transpiração do trabalho, os cabelos presos de qualquer jeito, a pele dourada pelo sol; ela parecia feita sob encomenda para o pecado. E foi ali, na sombra comprida projetada pelo celeiro de madeira antiga, que ela parou. Não por escolha. Mas porque ele estava lá. Miguel. Encostado de lado, braços cruzados, as mangas da camisa jeans dobradas até os cotovelos, revela

