Narrado por Maya A espuma escorria da louça, mas minha atenção já não estava ali. Entreabri a cortina da cozinha só o suficiente pra espiar. Só um pouquinho. Mas bastou um segundo pra sentir: o corpo dele, ao longe, queimava mais que o sol das três da tarde. Miguel. Camisa aberta. Peito suado. As veias dos braços saltando enquanto prendia o cavalo mais arisco da fazenda. E aquele olhar... Mesmo distante, mesmo distraído… parecia que ele sabia que eu estava olhando. Engoli em seco. Não era amor. Era um incômodo quente. Um desejo maldito que escorria pelas coxas só de vê-lo ali, selvagem e livre. Tentei culpar o calor. Tentei rir da minha carência. Mas a verdade era outra: o que ele plantou em mim já tinha germinado. E agora crescia feito mato daninho: incontrolável. Proib

