A noite era quente, mas o que queimava Maya não era o clima. Era ele. O gosto da lembrança de Miguel ainda estava na pele dela, mesmo sem beijo. Mesmo sem toque. Só as palavras dele já eram suficientes para incendiar seus poros. Ela andava de um lado para o outro pela varanda da casa grande, os pés descalços rangendo na madeira antiga, o tecido do vestido colado nas coxas como um lembrete do corpo que ela tentava ignorar e falhava. O vento trazia o cheiro das orquídeas misturadas ao feno. E, mesmo em meio à natureza, o que dominava ali era o caos interno. O dela. — Ele não é pra mim. Ela disse, em voz baixa, como se o céu pudesse responder. — Mas por que parece que é? Seu peito subia e descia devagar, preso entre a raiva e a vontade. A raiva de sentir. A vontade de sentir de no

