O sol da manhã parecia debochar do clima carregado que se formava na varanda da casa principal. Joana Resende chegou pontual, como sempre. Mas havia algo diferente no ar. O blazer branco cortava o corpo dela como navalha, preciso, firme, elegante. Os saltos de couro preto batiam no piso de madeira com a arrogância de quem não aceita ser ignorada. E, embora o sorriso nos lábios fosse ensaiado, os olhos... os olhos diziam tudo: ela não confiava em Miguel Montenegro. — Vim revisar os contratos e acompanhar o andamento da reestruturação da fazenda — disse, estendendo uma pasta com firmeza calculada. — E claro… garantir que você esteja sendo bem orientada. Maya a recebeu com educação, mas o corpo falava mais do que a voz: rigidez nos ombros, o olhar semicerrado, a respiração contida. Algo

